Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > PROPAGANDA PARTIDÁRIA

O papel mediador do jornalismo

Por Afonso Caramano em 03/04/2006 na edição 375

Como se sabe, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) é uma organização não-governamental que tem a missão de ‘impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas’. Presume-se que a Justiça Eleitoral desempenhe função semelhante, de acordo com legislação específica, em relação à publicidade partidária veiculada pelo rádio e pela TV, evitando abusos ou desrespeito às referidas leis.

No entanto, o telespectador/consumidor/eleitor ainda está sujeito a distorções manipulatórias cometidas em certos informes publicitários de partidos políticos, como são exemplos os veiculados atualmente pelo governo estadual de São Paulo – informes apresentados com dinamismo e eficiente rapidez (para que não haja, talvez, muito tempo de reflexão por parte do espectador), como a traduzir a própria eficiência administrativa do governador tucano (candidato ao governo federal).

Essas propagandas resumem as ações do governo paulista de um modo geral, dando ênfase às políticas sociais e às inúmeras obras realizadas no estado – e não são poucas as imagens de conjuntos habitacionais populares, estradas etc. –, um verdadeiro canteiro de obras.

Serviço público

Entretanto, a um olhar mais atento (ou àqueles que conhecem de perto a realidade em que vivem) não escapa certa dose de escamoteação ou manipulação – quando, por exemplo, menciona-se que aos professores da rede pública foi pago bônus de 10 mil reais, mas não se esclarece que o referido valor não tenha sido igualmente concedido a todos os professores, tampouco quais os critérios meritórios utilizados para diferentes premiações, omite-se, de certa forma, uma informação importante; ou quando se apregoa que a malha viária paulista é uma das melhores do país, senão a melhor, e esquece-se de dizer que são, em sua maioria, rodovias privatizadas (o usuário tem de pagar pedágios elevados para usá-las), comete-se outro engano, bastante conveniente, aliás – ou talvez seja esse mesmo o propósito.

Muitas vezes o telespectador/ouvinte/eleitor não dispõe de meios suficientes nem criticidade para verificar a total veracidade das informações veiculadas – poderia contar ao menos com a atenção de um jornalismo eletrônico mais vigilante e atento a estas nuanças das propagandas partidárias, noticiando as ações e políticas efetivas das administrações públicas, sejam elas estadual (como no caso citado), municipal ou federal.

Em se tratando de um ano de eleições, certamente se travarão verdadeiras batalhas no campo da publicidade e da mídia – chance também para a prática do verdadeiro jornalismo, como prestador de um serviço público regulador, ou melhor, mediador, de qualidade e isenção, evitando, quem sabe, distorções ou danos maiores à nação.

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Funcionário público, Jaú, SP

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