Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

INTERESSE PúBLICO > MÍDIA RADIOFÔNICA

O rádio, veículo para propostas eleitoreiras

Por Teresa Leonel em 24/06/2008 na edição 491

Sem o debate sobre as funções e atribuições dos políticos, sejam eles em cargos majoritários ou nas outras instâncias públicas, a mídia continua reproduzindo o dever de casa dos candidatos que postulam o poder.

O rádio, meio de comunicação mais conhecido e de melhor penetração nos lares interioranos deste país afora, permanece, de uma certa forma, propagando a plataforma eleitoreira dos candidatos, ao invés de exercitar o debate sobre as ações parlamentares.

Diante do não esclarecimento da real função e competência dos postulantes aos cargos, a sociedade – o eleitor – entra na ciranda do disse-me-disse, promessas que nunca são executadas e discursos evasivos.

Voltando à questão já pontuada neste blog sobre o uso do veículo rádio como instrumento para campanha política, percebe-se neste período que antecede a data da liberação da propaganda eleitoral (6/7) que os então candidatos assumem a bancada dos rádios para ‘vomitar’ suas propostas eleitoreiras.

Ou quando não, simplesmente compram espaços publicitários para veicular suas mensagens alusivas à prática política visando justificar a sociedade sua atuação parlamentar.

Apatia política

Ressalta-se ainda que boa parte desse discurso tem a ver com a permissão explícita de muitos comunicadores que tratam a informação de forma espetacular e fazem desse ‘projeto comunicacional’ uma estratégia de audiência.

O desespero pela corrida do ouro, entenda-se como cargo público, faz dos possíveis candidatos um ‘atleta às avessas’, visando ao pódio eleitoral como único propósito a despeito de passar por cima seja de quem quer que for ou quem esteja em sua frente.

Nesse percurso olímpico, a mídia é atropelada de forma avassaladora, e a disputa pelo espaço no ar ou em blogs, ou em jornais tipicamente comprometidos com algumas dessas forças, lembra uma maratona de porte atlético onde os corredores mais preparados do ponto de vista da retórica enganadora chegarão ao pódio sem muitos esforços. Apenas no blablablá.

Longe de querer colocar a mídia numa posição de inocente diante desse evento, entende-se que a mesma imprensa que em alguns momentos da história política brasileira foi instrumento de defesa da sociedade, hoje, em alguns dos veículos, passa a ser usada como marketing eleitoreiro em prol de algumas concessões políticas legitimadas pelas normas que regem a Comunicação Social neste país.

Esta reflexão poderá, posteriormente, servir para que possamos repensar, verdadeiramente, que papel a mídia vem assumindo diante da apatia política da nossa sociedade.

Afinal, que sociedade é esta que estamos construindo?

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Socióloga e jornalista, professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB Campus III – Juazeiro) e da Faculdade São Francisco de Juazeiro, BA

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