Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

INTERESSE PúBLICO > THE NEW YORK TIMES

Os números questionáveis da cobertura eleitoral

12/02/2008 na edição 472

Em sua coluna de domingo [10/2/08], o ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, tratou dos números divulgados na cobertura das eleições presidenciais americanas. As pesquisas pré-primárias – sobre a escolha dos candidatos de cada partido – mostraram-se erradas, em sua maioria. Para Hoyt, o NYTimes teve uma atitude conservadora tanto em relação às pesquisas quanto à contagem de delegados – representantes do partido que ajudam na escolha do candidato.

O diário, na opinião do ombusdman, não deu tanto destaque às pesquisas sobre a ‘Super Terça’ – quando são realizadas primárias em mais de 20 estados nos EUA – e não registrou em sua contagem delegados que não haviam sido escolhidos oficialmente ou que não haviam declarado para qual candidato votariam. Em conversa com editores do diário e de outros jornais, Hoyt convenceu-se de que as diferenças quanto ao número de delegados, observadas na mídia, não tem nada a ver com preferências editoriais, mas sim com as complicadas regras de seleção do Partido Democrata para a convenção nacional em Denver, marcada para agosto. Já o leitor Steven J. Ross notou que o NYTimes, que apóia Hillary, divulgou que a pré-candidata democrata estava muito à frente na contagem de delegados do que outros jornais.

Cálculo complexo

Na semana passada, o NYTimes, a AP e as emissoras MSNBC e CNN apresentaram diferentes totais em relação ao número de delegados. A MSNBC divulgou que Barack Obama estava à frente; os outros veículos mostravam Hillary vencendo por diferenças variadas. Segundo Sheldon Gawiser, diretora de eleições da NBC News, as diferenças são explicadas por três motivos: primeiro, a maneira como as organizações de mídia definem os votos dos 796 ‘superdelegados’, representantes designados pelo partido que não têm de declarar publicamente seu candidato antes da convenção nacional; segundo, como é feita a contagem dos delegados nos estados que já realizaram as primárias, mas que não escolheram os delegados que irão à convenção do Partido; e, finalmente, como é feita a contagem dos delegados nos distritos congressionais onde a votação foi encerrada.

Pesquisas

Em relação às pesquisas, no dia 3/2, o Washington Post divulgou em sua primeira página pesquisa feita em parceria com a ABC News: empate virtual entre Hillary e Obama na disputa democrata; John McCain na liderança da disputa republicana. No dia seguinte, a pesquisa do USA Today e do Gallup mostravam Hillary e Obama empatados e McCain à frente de Mitt Romney e Mike Huckabee. O Wall Street Journal divulgou resultados de três pesquisas, incluindo uma do Pew Research Center, em sua capa. Já o NYTimes publicou no dia 3/2 um artigo sobre as estratégias publicitárias dos candidatos, sem mencionar pesquisas. No dia 4/2, uma matéria dava a entender que McCain estava à frente e que a disputa democrata estava acirrada, mas os números das pesquisas só eram mencionados no 17º parágrafo – que dizia que Hillary e Obama estavam empatados segundo pesquisa da CBS News.

O NYTimes e a CBS são parceiros de pesquisas, mas o diário optou por não participar da pesquisa referente à ‘Super Terça’. A razão, informou Janet Elder, editora encarregada das pesquisas, foi evitar a divulgação de pesquisas imediatamente antes das primárias. A decisão funcionou bem nas primárias em New Hampshire: na ocasião, as pesquisas indicavam que Obama venceria de longe Hillary, quando na verdade a vitória foi da senadora. O resultado constrangeu diversos veículos que previram que Hillary não venceria.

As pesquisas referentes à ‘Super Terça’, entretanto, mostraram-se acertadas, com McCain muito à frente dos outros candidatos republicanos e Hillary ligeiramente à frente de Obama. Mesmo assim, Janet disse que não teve dúvidas em não dar destaque a pesquisas antes da ‘Super Terça’. ‘Não quisemos parecer estar projetando resultados. Aprendemos que a opinião está tão variável nos dias anteriores às primárias que é melhor nos distanciarmos’, explica. Hoyt considerou a atitude inteligente, em especial em um ano com disputas tão voláteis.

Foram realizadas em parceria com a CBS 11 pesquisas políticas nacionais desde o começo do ano passado, com ênfase em diversos assuntos – entre eles saúde, aquecimento global, imigração e guerra no Iraque – e atitudes públicas em relação aos candidatos – como a visão das mulheres sobre Hillary, por exemplo.

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