Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > RÁDIO DIGITAL

Padrão adotado sem debate

Por Laura Schenkel em 06/03/2007 na edição 423

A empresa responsável pelo padrão de rádio digital IBOC (In Band on Channel) anunciou aumento da taxa de licenciamento das emissoras para junho deste ano. A medida deve apressar a adoção do padrão pelas rádios no Brasil, o que aumentaria a pressão do mercado pela adoção do IBOC como padrão a ser utilizado no país, sem haver antes um debate sobre o tema.

A iBiquity Digital, responsável pelo padrão IBOC, anunciou em fevereiro um novo programa de incentivo de licenciamento para as emissoras de rádio. O novo valor é de US$10 mil por estação, com pagamento de US$ 2 mil até 30 de setembro de 2007 e o restante quando o sistema for implementado. Para aproveitar a ‘promoção’, segundo a publicação Radio Magazine (leia aqui), é necessário que as emissoras mudem sua transmissão para o padrão em pelo menos uma estação da rede até 31 de dezembro de 2007. Em junho deste ano, a taxa aumenta para US$ 15 mil por estação e US$ 25 mil julho de 2008. A escolha do sistema americano para o rádio digital pode inviabilizar as rádios comunitárias e pequenas rádios comerciais existentes no país, posto que o IBOC exige pagamento permanente de royalties à iBiquity.

O avanço do IBOC

Em 2005, sem qualquer estudo mais profundo da Anatel ou do Ministério das Comunicações, o ministro Hélio Costa autorizou que algumas emissoras utilizassem o padrão em transmissões-piloto. Até 13 de novembro do ano passado, apenas sete das 15 emissoras haviam entregue o relatório inicial com informações completas pedido pela agência. Outras sete emissoras têm que apresentar os resultados em 2007, de acordo com matéria do Tele.Síntese (leia aqui).

Em outubro do ano passado, Costa defendeu abertamente a adoção do padrão americano (leia matéria), favorecendo os objetivos da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O ministro declarou estar ‘absolutamente convencido’ que sistema americano para o rádio digital é o melhor. ‘Da mesma forma que decidimos pela técnica e eficiência do padrão japonês, nós começamos a entender que a melhor solução para o sistema de rádio é o americano’, afirmou.

Na trilha da TV Digital

O que se observa no processo da digitalização do rádio, segue o rumo da escolha de padrão para a TV digital no país. Observa-se a força do lobby das empresas de radiodifusão, representadas pela Abert, sem haver um debate com entidades do setor e da sociedade. No ano passado, o Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), do qual participavam entidades da sociedade civil, foi esvaziado (leia matéria). Anunciou-se a escolha do modelo japonês ISDB-T, que privilegia a transmissão em alta definição. Em janeiro, o Fórum Brasileiro de TV Digital apresentou detalhes do Sistema Brasileiro de TV Digital, agora chamado de ISDTV (veja detalhes).

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Da Redação FNDC

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