Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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Presença reforçada

Por Américo Martins em 30/06/2015 na edição 857

selo_rev_jorn_espmNo início do ano decidi aceitar o maior desafio profissional da minha carreira até aqui: assumir o cargo de diretor-geral da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação. A companhia tem a relevante e difícil missão de consolidar um modelo público de comunicação multimídia no Brasil, por meio de suas emissoras de TV, rádios, portal na internet e das duas agências de notícias que gerencia (a Agência Brasil e a Radioagência Nacional). Além disso, a empresa lidera uma rede pública nacional de TV e está criando uma nova rede pública de rádio. Não é pouca coisa.

A importância da tarefa me motivou de imediato, talvez pelo envolvimento anterior que tive com a comunicação pública. Por 13 anos, trabalhei para a British Broadcasting Corporation, a BBC de Londres. Lá, conheci por dentro a melhor e mais importante empresa pública de mídia do mundo. Tive o privilégio de acompanhar de perto grandes discussões que envolvem o modelo público de comunicação; os debates éticos sobre a tarefa de informar a sociedade de forma equilibrada e sem opiniões particulares; e o desafio constante de ser vigilante e independente.

No processo, também passei a defender que qualquer país deve ter um sistema de comunicação baseado em três pernas: a comercial, que precisa ser forte e equilibrada; a estatal, para comunicar as ações do Estado; e a pública, defendendo os interesses da sociedade. Isso é salutar e democrático em qualquer lugar e contexto.

A EBC, por definição, é diferente da mídia comercial brasileira. A empresa criou, desde a sua fundação em 2007, uma oferta significativa de bons conteúdos – muitos dos quais jamais estariam nas outras TVs e rádios do país. Muitos desses programas receberam vários prêmios nacionais e internacionais, um reconhecimento ao trabalho dedicado de seus profissionais. Mas isso não é suficiente para nenhuma empresa pública de comunicação – seja ela a EBC, a BBC ou a NHK, do Japão. O ambiente é competitivo. Todas precisam ter relevância. Precisam ser vibrantes, atraentes e brigar por audiência. Devem propor alternativas, justificando o dinheiro público investido em uma comunicação que não visa ao lucro ou à propaganda, mas sim à formação crítica das pessoas.

Mas o contexto de cada uma é muito diferente. Enquanto a EBC tem 8 anos, a BBC, por exemplo, tem nada menos do que 92 anos. O processo de depuração e consolidação da comunicação pública no Reino Unido aconteceu há décadas. Até hoje, claro, a BBC é criticada por uma parte da mídia britânica – que preferia não ter que enfrentar uma rival pública tão potente. A BBC é a líder do mercado de TV, rádio e internet no país – e tem um papel relevante em manter o alto nível do debate público nacional.

A EBC, por outro lado, ainda precisa de muita determinação e esforços para consolidar sua posição e ampliar sua penetração. Mas isso também não é desculpa para acomodação. A empresa depende dos seus próprios esforços para conquistar um papel mais importante na comunicação do país.

O grande desafio neste momento é justamente conseguir maior relevância e audiência para todos os seus produtos. Em todas as plataformas e para todas as idades. Isso demanda maior agilidade da empresa para responder à realidade da comunicação multimídia do século 21. Pede também um processo de rejuvenescimento da marca e do nosso público-alvo. Precisamos falar para mais gente, mais conectada e mais questionadora.

Para conseguir isso, pretendemos investir mais em esportes, cultura, música, jornalismo, debates públicos e outros produtos que tenham apelo para uma audiência de massa e jovem. Já estamos fechando mais contratos para a transmissão de vários eventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol Feminino, as Paralimpíadas do ano que vem no Brasil e vários campeonatos de futebol brasileiros – que vêm se juntar à Série C, que já está no ar na TV Brasil há algum tempo e com grande sucesso.

Temos planos também para a criação de programas culturais, multimídia, e de música jovem. No jornalismo, vamos ter presença reforçada no Brasil, por meio da Agência Brasil. E, claro, precisamos qualificar ainda mais a programação infantil.

Os desafios são imensos, mas a EBC vai continuar trabalhando duro para ampliar de fato o seu espaço na sociedade.

***

Américo Martins é o diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Trabalhou por vários anos na British Broadcasting Corporation (BBC), na qual passou pelos cargos de editor-chefe e diretor da BBC Brasil e editor-executivo da BBC World Service.

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