Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

Que rádio o povo merece?

Por Francisco Djacyr S. de Souza em 22/03/2011 na edição 634

No contexto atual, temos muitas reflexões para serem feitas a respeito do rádio, pois há muitas contradições e problemas no meio radiofônico, que geralmente não procura dar aos seus usuários a oportunidade de discutir, avaliar e questionar as mensagens que hoje em dia são veiculadas neste meio. A visão sobre o rádio que temos e o rádio que merecemos parece não ser ouvida pelos que se dizem proprietários das emissoras de rádio, o que acaba dando ao rádio muitos programas que não têm qualidade nem respeito ao ouvinte. O meio rádio precisa urgentemente de avaliações reflexivas sobre os problemas que vêm correndo no processo comunicativo para, através destas análises, promover mudanças que são bem vindas tanto aos que ouvem como aos que trabalham no meio rádio.

Às vezes devido à própria inviabilidade econômica deste meio de comunicação e devido à incompreensão dos investidores, a programação radiofônica acaba sendo fatiada com venda de horários que são arrendados e entregues a interesses políticos, econômicos e religiosos e deixam muitos programas à mercê de tais interesses, que muitas vezes não são os dos seus usuários.

A comunicação via rádio tem de ser debatida pelos usuários, o que faz ser necessária a realização de debates, seminários e simpósios onde os ouvintes digam o tipo de comunicação que querem para que, em meio à programação, aconteçam processos de cidadania, participação e visibilidade dos problemas sociais e econômicos que afligem grande parte da população. O rádio precisa ouvir o povo, precisa ser feito para o povo, deve falar a voz do povo para que sua comunicação atenda aos verdadeiros interesses das comunidades e seja instrumento de melhoria de vida de todos nós. O rádio precisa ser valorizado por outras mídias, pois sabe-se de sua penetração em todas as classes sociais e sua versatilidade para a população em geral. Rádio é interação, participação e companheirismo e hoje em dia temos muitas provas de que o rádio realmente faz parte da vida dos brasileiros em geral.

A qualidade do rádio

É público e notório que há problemas no mundo do rádio que merecem ser discutidos na sociedade e que o problema em geral é escondido ou ocultado pelas grandes mídias. É urgente criar mecanismos fortes de ação que levem em conta a discussão sobre o que se passa no rádio e debater urgentemente tais problemas para uma efetiva ação que possa desenvolver a mudança em todos os sentidos. A reflexão sobre o rádio é importante e deve ser feita por todos os seus interlocutores procurando ouvir opiniões, debater pontos de vista e partir efetivamente para uma mudança efetiva sempre em busca da qualidade. Tenho notado, infelizmente, que a discussão sobre o rádio não tem muita atratividade em termos de prestígio e de ação de marketing, o que faz com que nossos meios de comunicação não reservem páginas para promover a história do rádio e seu papel perante a sociedade no decorrer de sua construção como meio de comunicação. A força do rádio é imensa, porém desacreditada por outras mídias e pelos empresários, que têm o pensamento meramente de lucro imediato sem preocupação com o papel deste meio de comunicação mesmo com o advento de novas tecnologias de comunicação.

Debater o rádio poderia ser uma ação efetiva das representações de classe tanto do segmento patronal como do segmento de seus trabalhadores e fazer parte da pauta política em termos de ação do Ministério das Comunicações que, infelizmente, não tem se preocupado com a mensagem proferida por este meio de comunicação nem com a legislação de concessões e supostas transferências que são feitas a segmentos da alta vida política, econômica e religiosa. O Poder Público deve, sim, preocupar-se com a linguagem do rádio, investigar as transferências que são comuns e verificar o caráter de concessão pública que é este meio de comunicação.

A discussão sobre a qualidade do rádio deve ser uma preocupação de todos os membros da sociedade, que somente terão oportunidade de questionar o meio se os espaços para este fim forem abertos e concretizados para o bem da comunicação e para o crescimento deste instrumento tão importante de comunicação que já provou sua força e importância.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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