Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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INTERESSE PúBLICO > DEBATE SOBRE A MÍDIA

Quem ganha é a democracia no Brasil

Por Venício A. de Lima em 06/11/2006 na edição 405

Em artigo publicado neste Observatório no dia seguinte ao segundo turno das eleições [‘A mídia está em discussão‘], argumentei que um dos resultados do processo eleitoral era que a grande mídia havia entrado, finalmente, na agenda de discussão pública. E concluí afirmando que esse debate tardio só poderia ser bem-vindo e que quem ganhava com ele era a democracia brasileira.


Os desdobramentos da última semana indicam não só o quanto estava certo, mas, sobretudo, o quanto a grande mídia e seus principais porta-vozes, resistem e reagem a esse debate oportuno e democrático. Na verdade, esse comportamento não constitui nenhuma novidade.


A grande mídia – salvo as exceções que confirmam a regra – tem historicamente se recusado a discutir com a sociedade o seu papel e suas responsabilidades na democracia. Além disso, seus principais jornalistas padecem de uma dificuldade crônica de lidar com qualquer tipo de observação crítica. E muitos se consideram, até mesmo, inimputáveis, diferentemente dos outros cidadãos brasileiros.


Sustentam essa posição no uso massivo do arsenal de sempre:


** confundem deliberadamente qualquer proposta de discussão com uma tentativa de censura e relembram a ameaça de tempos sombrios como na ditadura militar;


** se escondem por detrás da liberdade de imprensa – que acreditam ser uma simples extensão do direito individual à liberdade de expressão;


** demonizam, sem qualquer discussão, tanto a expressão ‘democratizar as comunicações’ quanto as propostas para esse fim;


** desqualificam in limine aqueles que levantam a questão como fascistas, mentirosos, adeptos do totalitarismo e de ‘petistas’, como se a opção partidária legal e legítima fosse o disfarce contemporâneo de satanás (em passado não muito distante, esse disfarce diabólico era atribuído aos ‘comunistas’); e


** reaparece até mesmo o recurso usual à citação de apenas uma das frases de um longo parágrafo de Thomas Jefferson, do século 18 [ver ‘Anotações sobre Jefferson e a imprensa‘].


E tudo isso em nome e em defesa da democracia liberal.


Novos tempos


São várias as razões para essa atitude generalizada da grande mídia. A primeira, claro, é que apesar de suas divergências internas ela age de forma homogênea quando se sente ameaçada. Desde a fundação da Abert, em 1962, e da ANJ, em 1979, temos visto esse filme um sem-número de vezes.


Mas existem alguns fatores novos para os quais os recursos do velho arsenal não surtem mais o efeito desejado pela grande mídia.


A análise arguta do jornalista Carlos Castilho neste OI – apesar de não concordar com a sua adjetivação – ajuda a compreender parte do que está acontecendo [‘O leitor patrulheiro assusta editores‘ e ‘O novo papel das audiências‘]. Referindo-se à possibilidade de resposta que o jornalismo online e os blogs oferecem ao leitor, Castilho lembra que esse fato novo rompe com uma característica constitutiva da velha comunicação de massa, isto é, a sua unidirecionalidade. Até recentemente a mídia ‘falava’ e o leitor/espectador/ouvinte ‘escutava’, passivo. Essa situação está mudando rapidamente – sobretudo, mas não só – em relação ao reduzido universo de leitores de nossa mídia impressa. Diz ele:




‘O patrulhamento [dos leitores] rompe, pela primeira vez na história da imprensa, com a tradicional unidirecionalidade do fluxo informativo. Até agora, quase toda a informação fluía dos tomadores de decisões e formadores de opinião, através dos jornalistas, até o público, cujo poder de retroalimentar o circuito informativo era muito limitado. O rompimento ocorre em circunstâncias traumáticas, especialmente para os jornalistas, que passam a se sentir encurralados e hostilizados por uma massa de leitores que estraçalha reportagens e comentários com um ímpeto também inédito na história do jornalismo brasileiro.’


Com pouca ou nenhuma experiência prévia de serem diretamente interpelados por suas reportagens ou análises, os principais jornalistas e colunistas da grande mídia estão encontrando sérias dificuldades de se adaptar aos novos tempos. Quem está do outro lado agora é um leitor, cada vez mais ativo, que não é mais um ‘mudo’ hipotético e ausente, mas alguém que também quer ter a sua voz ouvida. A coluna ‘Começou mal‘ de Eliane Cantanhêde (Folha de S.Paulo, 2/11) constitui um exemplo claro dessa nova situação.


Juiz supremo


Mas há um segundo fator, decorrente do anterior, que parece ainda mais importante. Existe um número cada vez maior de leitores que têm acesso a pontos de vista discordantes daqueles predominantes na grande mídia e, mais ainda, que podem verificar, direta ou indiretamente, a veracidade da informação que está recebendo.


Não basta que uma nota indignada de jornalistas da Rede Globo de Televisão [‘Em defesa da correção profissional‘] acuse a ‘mentira covarde e desonesta de um certo grupo de detratores’ com relação à cobertura do acidente do avião da Gol. Milhares de telespectadores assistiram em outros canais ou leram a notícia em sites na internet, muito antes de ela aparecer na telinha da Globo. E os próprios telespectadores fazem o seu julgamento.


Não basta que a Central Globo de Jornalismo ainda chame de mentirosos observadores e críticos da cobertura que a Rede Globo fez do comício da Praça da Sé, pela campanha das Diretas-Já, em janeiro de 1984. Além da memória pessoal que muitos guardam dos fatos, existem sites, livros e artigos onde o assunto é discutido e, ademais, são divulgadas entrevistas e depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no caso que são acessados/lidos por milhares de pessoas. E são essas pessoas que decidem quem é mentiroso e quem não é.


É exatamente esse o fator novo, fundamental: o aparecimento histórico de uma nova consciência cidadã que não se contenta com umas poucas fontes oligopolistas de informação e tem condições de buscar – e até mesmo de criar – fontes alternativas.


Quando o diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo escreve que a grande imprensa ‘vive de sua fidelidade aos fatos, sua credibilidade vem daí. Trair esse compromisso é comprometer o próprio futuro. A grande imprensa sabe disso’ (cf. ‘Nem milagres nem bruxarias’, O Globo, 31/10/2006, pág. 7-A), ele está certo. Faltou apenas acrescentar que o juiz supremo da credibilidade da mídia é o leitor/espectador/ouvinte. E é este leitor/espectador/ouvinte que está fazendo valer seu julgamento – independente do que pensam os autoproclamados ‘formadores de opinião’ – não só em relação à mídia, mas também em relação às opções políticas que se colocam historicamente à sua frente.


Credibilidade em questão


Em pelo menos dois artigos anteriores publicados neste Observatório, em fevereiro e março deste ano [‘Revisitando o poder da grande mídia‘ e ‘O silêncio suspeito da grande mídia‘], tratei do que agora reaparece como ‘micromobilização estrutural’ (cf. Walder de Góes, ‘Micromobilização estrutural’, Correio Braziliense, 2/11/2006). Afirmava naquela ocasião (OI nº 370) que:




Feitas (…) as necessárias adaptações às circunstâncias de nossa realidade, há de se constatar um fato fundamental: o inegável fortalecimento da sociedade civil brasileira. Ao contrário do que ocorreu em outros países da América Latina, entre nós, esse processo vem se desenvolvendo desde o período autoritário e, sobretudo, nos últimos 15, 20 anos. Como desconhecer o enorme crescimento das ONGs e das inúmeras maneiras de organização dos movimentos sociais?


Registre-se, por exemplo, as diversas formas de participação popular institucionalizadas pela Constituição de 1988. Nos últimos anos – sem que a grande mídia considerasse o fato digno de ser noticiado – foram criados, reestruturados e ampliados vários conselhos e realizadas conferências municipais, estaduais/regionais e nacionais, mobilizando milhões (isso mesmo, milhões) de cidadãos para discutir e propor políticas públicas em setores como Políticas Urbanas, Meio Ambiente, Direitos da Criança e do Adolescente, Segurança Alimentar e Nutricional, Esporte, Direitos Humanos, Saúde, Igualdade Racial, Ciência & Tecnologia e Inovação, Cultura e Saúde do Trabalhador. Tudo isso sem mencionar as diversas experiências de orçamento participativo implantadas em prefeituras municipais pelo país afora.


A construção hegemônica – e, portanto, também a contra-hegemônica – passa cada vez mais pelas mediações da sociedade civil organizada. A mídia – o mais onipresente e poderoso dos aparelhos privados de hegemonia – sofre cada vez mais as mediações das organizações da sociedade civil.


O que isso significa?


Na medida em que aumenta o feixe de relações sociais ao qual o cidadão comum está interligado, diminui o poder de influência direta da grande mídia. Há cada vez mais mediações entre o conteúdo da grande mídia e a forma de seu ‘consumo’ pela maioria da população.


Esse é o fato novo, fundamental. E é por isso que a credibilidade da grande mídia entrou definitivamente em questão.


Em nome da pluralidade


O Brasil está mudando. As novas tecnologias de comunicações estão mudando. A pluralidade e a diversidade de informações, pelo menos para aqueles que têm acesso direto e/ou indireto à internet, é um fato. E a grande mídia terá que se adaptar à nova situação para manter alguma credibilidade e sobreviver.


Debater a construção de um sistema alternativo de mídia pública, os velhos oligopólios, a propriedade cruzada, a relação da mídia com as oligarquias políticas no Congresso e fora dele – é uma dívida histórica. Aprovar um novo marco regulatório que contemple a revolução digital e a convergência tecnológica – é uma exigência democrática. Buscar a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão – é o que manda o artigo 223 da Constituição de 1988.


O debate sobre a mídia – seu papel e suas responsabilidades – chegou para ficar. Independente da resistência e da reação da grande mídia. Está em jogo a construção de uma mídia verdadeiramente plural e diversa que priorize o interesse público. E quem ganha com esse processo é a democracia no Brasil.

******

Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: crise política e poder no Brasil (Editora Fundação Perseu Abramo, 2006)

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/02/2010 martha tomaz de oliveira

    moro na rua do riachuelo próximo ao jornal o dia. porem,quero denunciar e pedir uma matéria,um passeio nós lugares onde eu tenho que passar todos os dias e que ninguem vai acreditar que os esgotos de todas as ruas estão estourados a ceu aberto,o lixo faz montanhas,(se houver um temporal vai haver um dilúvio.não é justo emtupir a cidade comgente do mundo inteiro que vem aqui para enceher o cofre da prefeitura e ela não destinar se quer u porcento p/ a limpeza e organização da cidade.Copa,Olimpiadas,só arruma onde os poderosos vão ficar.Definitivamente o carnaval tem que ser na barra não tem infraestrutura para fazer estes tipos de festas numa cidade que desde o império não passou p/nenhum processo de reforma.por favor pedimos socorro.me de a oportunidade de participar de uma matéria,cidadania já.além do mais cinco elicópteros da rede globo sobrevoa a noite inteira sobre os apartamentos enlouquecendo a todos,posso ceder minha casa p/ fazer uma matéria sobre tudo,aguardo retorno e ajuda.martha. Ps:estou escrevendo este com o barrulho de enouquecer,perdoe a falta de concentração

  2. Comentou em 22/08/2008 Lady Lara de Paula

    Peço informações sobre as regras de reprodução de artgos para por no site http://www.nehscfortaleza.com. vinculado ao NEHSC da PUC/SP

    Reproduzi ,a pedidos, um artigo de Alberto Dines, um jornalista que dignifica essa nobre profissão.
    Atenciosamente,

    Lady e Luciara de Aragão.

  3. Comentou em 15/03/2008 Antônio Jose da Silva

    Precisamos deixar de ser colônia. Abrimos os braços, e infelizmente, algumas das nossas mulheres, outras coisas mais, e continuamos enricando e dando a prazer à metropole. ‘Assim não Pode; assim não dá’. É necessário que deixemos de ir às ruas apenas para balançar e ver alguém balançando as nádegas, ou de acompanhar os vitoriosos do futebol, pois estas são as únicas formas de manifestação popular em nosso país. Pois bem os ex-panhóis estão nos espulsando do seu país. E nós? continuaremos agindo reciprocamente? É muito pouco para quem, além de usar nossas mulheres, ganha rios de dinheiro com o aval dos nossos políticos e de seus asseclas. ‘Assim não pode; assim não dá.’

  4. Comentou em 13/11/2006 Sérgio Henrique Cunha Zica

    Gostei muito deste artigo. O próprio OI é um exemplo: muitas vezes os comentários são mais interessantes que o próprio artigo! Nunca deixo de lê-los todos.
    Entretanto, não posso deixar de pensar que o descolamento entre a percepção dos leitores e aquilo que a imprensa tenta passar – ou melhor, enfiar pelo nossa goela abaixo – possa ser substituído por uma situação onde ao invés de mudar da atual situação para uma mudança positiva, onde antenados com as exigências críticas de seus leitores a imprensa é obrigada a aumentar a sua qualidade, tenhamos, ao contrário, um processo cujo cheiro já está no ar: o da notícia-produto, criada, embalada e embrulhada pra viagem, feita na medida para o que um grupo específico, ou nicho de mercado, quer ler. Ou seja, quem sabe tenhamos notícias feitas sob encomenda dos editores e anunciantes, sob medida e reflexo das últimas pesquisas…
    Digo isso porque quando eu vejo alguém criticando a Veja, eu não posso deixar de pensar que talvez os leitores dela gostem do que lêem, pelo menos os que sobraram… Nesse caso, além de obviamnete tendenciosa, esta e outras mídias nada mais são que reflexo de sues leitores? Ficaríamos então numa situação onde cada um compra, consome e lê apenas aquilo que quer ler. Coisas como verdade vão para o saco.
    Sempre sobra uma Esperança perdida no fundo da caixa de Pandora. Pode ser a última, mas costuma morrer…

  5. Comentou em 07/11/2006 Lucia Maria de Moura

    Verificamos nos diversos textos de jornalistas apresentados neste site , pelo menos duas vertentes . Uma a dos Corporativistas facciosos (para ser boazinha) e outra a dos que estão tentando ouvir, analisar e refletir com as preocupações da Sociedade .

    Sugiro que a 2a vertente (sem medo de ser rotulado) ,com base em outras praças , sugiram ações efetivas de procedimentos a serem praticados pela Mídia existente , provisoriamente e urgentemente , enquanto não se democratiza os meios de comunicação .

    Por exemplo , que seja garantido o DIREITO do Contraditório à parte criticada , com o mesmo espaço , momento e número de vezes . (Aqui não se fala em esquerda e direita, situação ou oposição etc) . A parte citada nem sempre tem a competência Jornalistica para os esclarecimentos , portanto o profissional a escrever os comentários/resposta devem ser pagos pela mídia responsável e escolhido pela parte ofendida/criticada com a Edição final pela parte citada . ÉTICA custa, mas é necessário

  6. Comentou em 07/11/2006 Ned Alexandria

    Queria parabenizá-lo pelo artigo. Corrobora com todo o meu pensamento, principalmente em relação a Rede Globo. Acho que o que está acontecendo com a ‘Grande Mídia’ (Rede Globo), é que sabíamos da manipulação feita, mas não tínhamos como expressar o descontentamento por essa manipulação. Graças a internet, isto se tornou uma realidade atual.

  7. Comentou em 06/11/2006 Yubiratan Corrêa

    Véspera de Natal, o editor-chefe pede ao redator um editorial sobre Jesus Cristo. Este, muito sério, pergunta, então: ‘Contra ou a favor?’
    A piada é velha, do meu tempo de faculdade de comunicação. Lá se vão quase trinta anos, mas nunca foi tão atual. Quem manda na mente dos jornalistas são os barões da imprensa que nem jornalistas são. Essa é a razão do suicídio moral da opinião publicada. Em consequência, é também a razão da vitória da opinião publica.

  8. Comentou em 06/11/2006 MARLENE SENNA

    PARABÉNS PELO TEXTO…ATÉ QUE ENFIM ALGUÉM COM LUCIDEZ DE PENSAMENTO AINDA BEM QUE ESCAPAM ALGUNS!

  9. Comentou em 06/11/2006 Guilherme Ker

    Parabéns pelo artigo Venício. Independente das questões partidárias e eleitorais, esta eleição foi uma vitória para a democracia. Pois quem terminou como o maior derrotado, não foi o Alckmin nem a Heloisa. Quem foi derrotado mesmo (e eu nunca havia visto isso), foi o grupo que tentou assumir o poder desde que a democracia voltou: O até então onipotente grupo dos formadores de opinião. Antes era fácil. A minoria milionária manipulava a classe média através dos grandes veículos de comunicação (é Fantástico!…) e a classe média convencia a classe pobre (geralmente através de terrorismo psicológico). Agora está claro que, conforme a democracia vai ficando madura no Brasil, e os próprios meios de comunicação mais democráticos, esta fórmula não funciona. Para mim, nestas eleições, ficou mais clara do que nunca, a tentativa de se manipular os resultados das urnas. Porem, mais claro ainda ficou o recado que estas urnas deram.

  10. Comentou em 06/11/2006 Francisco Souza

    Muito bom. As pessoas devem absorver os conteudos das noticias, filtra-los e trabalhar o raciocinio logico, para ai formar uma opiniao.
    Assim teremos mais pessoas politizadas, cultas e menos fanaticos e indiferentes no Brasil.

  11. Comentou em 06/11/2006 oscar wink

    As críticas à esta mídia até que foram poucas e bem merecidas.
    Más só as críticas não devolverão alguma decência aos meios de
    comunicação de massa.São necessárias leis que imponham algum
    escrùpolo e moderação aos detratores de aluguel ,aos golpistas,
    aos vendidos para os interesses espúrios dos grandes poderes
    econômicos e por aí vai…;É justa a indignação dos leitores e telespectadores quando se sentem manipulados e tratados como
    idiótas sem capacidade crítica.Tambem é arrasadora a constatação
    do número de miolos moles que ainda reverenciam este tipo de mídia.
    Da minha parte,estou farto de ver esta geléia envenenada na minha
    frente.Estamos carentes de instituições fortes e não de vacas sagradas.

  12. Comentou em 06/11/2006 rosangela maliski

    Esta mídia que hoje existe ai esta totalmente comprometida com a classe alta da população Brasileira. O que se deve fazer e popularizar o direito de conseção de empresas de telecomunicações., onde uma minoria detem grande parte dos meios de comunicação hoje existente no País. E so ver o caso da Revista Veja e de vcs tambem que tecem comentários tendenciosos a respeito de certas noticias. O que esta errado e um grupo de jornalista inventar noticias sem provas nenhuma e não pagar por isso., e pior achar que isso é ¨liberdade de imprensa¨. So porque carrega um microfone não quer dizer que esta acima da lei dos demais cidadões. Tem tambem que cirar leis mais duras para esse tipo de imprensa que hoja existe aqui no Brasil. Porque infelizmente é uma imprensa tendenciosa, sem exclupulos nenhum, e quando vão dar explicações na policia se sentem ofendidos. Isso tem que acabar. Para o bem da propria imprensa que hoje esta totalmente sem credibiliadade perante a grande maioria da população.

  13. Comentou em 06/11/2006 ana maria garcia

    ALBERTO DINES, OI 04.11.2006, ‘O ministro e presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, pode ter razão quando reclama da mídia a utilização do termo ‘mensalão’ (introduzido, ao que consta, pelo ex-aliado do governo, Roberto Jefferson). Os pagamentos aos deputados não eram mensais e, em alguns casos, sequer periódicos. Mas aconteceram, foram numerosos, semelhantes e inequivocamente ilícitos. Não vinham do governo, mas dos empréstimos bancários avalizados pela direção do PT ou de fornecedores das agências do lobista Marcos Valério.’ ISSO É O COMEÇO DO RECONHECIMENTO SOBRE ‘AS VERDADES ABSOLUTAS’ DA imprensa dos últimos tempos? Quer dizer que não houve MENSALÃO? E que o dinheiro dado a parlamentares não era do Governo? Alvíssaras! Tem mais verdades para repor? Está na hora de fazer uma forcinha e começar. Aí a população vai voltar a crer na imprensa: se ela souber desenrolar o novelo que criou nos últimos tempos. Venício: gostei bastante do seu artigo(como sempre).

  14. Comentou em 06/11/2006 taciana oliveira

    PUBLICADO POR RUI MARTINS NO ‘DIRETODAREDAÇÃO’, em 06.11.2006: ‘QUEM TEM MEDO DE EMIR SADER?Berna (Suiça) – Berna (Suiça) – Na França, quando alguém é condenado por um artigo escrito na imprensa escrita ou afirmação veiculada no rádio ou televisão, geralmente tem de pagar um euro simbólico. É uma simples questão de honra. Tem havido condenações contra fotógrafos, por terem “roubado fotos” e publicado flagrantes de artistas ou personalidades sem autorização. São multas de algumas dezenas ou centenas de milhares de euros, cobradas geralmente pela princesas de Mônaco ou por Catherine Deneuve.

    Jean Edern Hallier, um dos mais cáusticos jornalistas dos anos 80, que chegou a ser grampeado por Mitterrand por querer contar a dupla vida do presidente e a existência da filha extra-conjugal, Mazarine Pingeot, precisou pagar algumas multas, porém, não me lembro de ter sido condenado, preso ou demitido de funções por seus artigos ferinos.

    E o Canard Enchainé? Autor de numerosas denúncias sobre governantes a ponto de ter se tornado uma tradição, o jornal satírico é vez ou outra alvo de processos, mas a coisa não vai longe. Nunca seu diretor foi condenado à prisão, seria inadmissível num país onde o direito à livre expressão é dogma da República.

    Por mais que me esforce não consigo lembrar de uma condenação à prisão e perda de emprego por artigo escrito na imprensa. Exceto, é claro, em regimes ditatoriais. Criticar um político da época salazarista, franquista, soviética podia custar caro e mesmo a vida.

    Por isso, fiquei surpreso com a condenação à prisão e à perda de seu emprego de professor aplicada por um juiz contra o cientista político e jornalista Emir Sader por um simples artigo publicado na Carta Maior. Li todo o arrazoado da longa sentença que justifica a pena máxima ao pensador político, considerado pelo rigor da pena a um perigoso tribuno.

    Nem o escritor francês Émile Zola sofreu tais ameaças ao publicar, no Le Figaro, o famoso Eu Acuso, em favor do capitão Dreyfus, colocando-se de frente contra ministros e oficiais militares franceses.

    Seria Emir Sader assim tão perigoso? Seu verbo inflamado seria tão subversivo a ponto de justificar o corte simbólico de sua língua, para que o exemplo assuste outros tantos e leve o pouco que resta de jornalistas críticos e não comprometidos com seus patrões, por necessidade econômica ou sabujismo, a se moderarem em suas análises e denúncias?

    Tenho certeza de que na segunda instância se corrigirá a sentença, mas não se poderá afastar dos jovens jornalistas o receio do exercício livre da expressão. Nem todo jornalista tem com o que contratar um advogado em sua defesa. Nem todo jornalista é um Fernando Moraes, que chegou a ser condenado, mas ignorou, a não dar entrevistas sob pena de multas acumuladas.

    A condenação de Emir Sader, com cujo pensamento nem sempre concordo mas com o qual me solidarizo, pode ser considerada uma manobra de intimidação.

    Paradoxalmente quando a grande imprensa, inconformada com a derrota, espalha haver um plano para amordaçar a imprensa, é um intelectual de esquerda o punido, e com o requinte da pena máxima. De repente, parece que voltamos ao passado, quando os colunistas do extinto Correio da Manhã do Rio eram presos e condenados por criticar militares.

    Qualquer jornal ou revista aqui na Europa teria colocado a condenação de Emir Sader na pauta. Pela singularidade da pena e pela importância do condenado, num momento em que intelectuais e ideólogos se tornam coisa rara no Brasil. Porém, a grande imprensa brasileira é unilateral, seu compromisso é outro, ao mesmo tempo que desfruta de uma hegemonia e de um monopólio resultante da inexistência de uma imprensa concorrente de esquerda. Caros Amigos, Carta Maior e Brasil de Fato não podem contar com publicidade para sobreviver e crescer, maneira simples das grandes empresas impedirem o desenvolvimento de uma imprensa alternativa.

    Emir Sader não é um caso isolado. Em todas as redações existem outros Emir Saders auto-amordaçados para não perderem seu emprego. Não há ameaça do governo em limitar a liberdade de imprensa. A liberdade para se criticar, denunciar, comparar, falar de outros modelos culturais e políticos já não existe há algum tempo. Não ditada pelo governo, mas pelos grupos que controlam a imprensa brasileira. E essa a razão da força da imprensa alternativa editada por numerosos sites livres na Internet.

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