Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Reality show incentiva empreendedorismo

04/09/2008 na edição 501

Um reality show exibido no Afeganistão incentiva os afegãos a abrirem seu próprio negócio, disseminando a cultura empreendedora em um país devastado por três décadas de guerra. Intitulado Fikr wa Talash (algo como Sonhe e Conquiste), o programa é uma espécie de Aprendiz, o Sócio apresentado no Brasil pelo publicitário Roberto Justus –, em que os participantes apresentam sua idéia de negócio para investidores locais.


Os patrocinadores do reality – a Usaid, agência de auxílio do governo americano; a operadora de telefonia celular Roshan; e o banco Bank-e-Milli – esperam que, ao encorajar a criação de pequenos empreendimentos, a economia do país amplie a auto-suficiência. ‘As micro e pequenas empresas, que são as que mais empregam, são a chave para se alcançar a sustentabilidade’, opina David Elliot, consultor do programa. ‘As técnicas de gestão – como planejamento financeiro, marketing e estratégia competitiva – são conceitos relativamente novos e necessários para criar um setor privado mais forte e mais saudável, capaz de ser o motor de crescimento da economia’.


Décadas de guerra devastaram a economia e a infra-estrutura do Afeganistão, que é ainda um dos países mais pobres do mundo – mesmo recebendo bilhões de dólares de ajuda internacional desde 2001. O índice de desemprego chega a 40% e 80% da força de trabalho está na agricultura.


Reflexo de mudanças


A primeira edição do programa, exibida na emissora Tolo TV, terminou em agosto. O formato de reality show agrada os telespectadores, que, no passado, eram proibidos pelo regime Talibã de assistir à televisão. ‘Reality shows são populares em todo o mundo, por isso quisemos fazer algo que ajudasse as pessoas, mas também fosse entretenimento’, afirma Masood Sanjar, gerente de produção da Tolo TV. ‘No começo, não dava para acreditar que conseguiríamos tanta gente. Depois de cada episódio, mais pessoas queriam participar’.


O vencedor da primeira edição foi Faizulhaq Moshkani, um senhor de meia-idade, pai de nove filhos. Moshkani recebeu US$ 20 mil para investir em sua empresa de reciclagem de plástico em Kandahar. Ele havia fechado a fábrica devido ao alto custo de combustível usado nos geradores de energia. Com o dinheiro, planeja construir uma nova instalação hidroelétrica em Cabul. ‘Começar um negócio no país é fácil, mas mantê-lo funcionando é muito problemático’, argumentou. A companhia irá expandir a fabricação de plástico no Afeganistão, o que ajudará a evitar a compra do material em países vizinhos, como o Paquistão.


Mariam Al Ahmadi, mãe de cinco filhos, com apenas 25 anos, recebeu US$ 10 mil – muito dinheiro, em um país em que a metade da população vive com US$ 1 por dia. Há cinco anos, Mariam abriu uma empresa para produzir geléia e molhos, para serem vendidos a lojas locais. ‘Depois deste programa, posso aumentar minha empresa. Estou muito feliz com o resultado’, afirmou. O fato de Mariam e de outra mulher terem ficado entre os cinco finalistas da competição é um sinal de mudança em um país em que, sob o regime Talibã, que terminou em 2001, mulheres não podiam sequer trabalhar e muito menos abrir um negócio próprio. ‘Agora, as mulheres têm uma chance’, diz ela.


A Tolo TV planeja fazer uma nova edição do programa e produzir um episódio com os cinco primeiros finalistas para monitorar o andamento de seus empreendimentos. Informações de Jonathon Burch [Reuters, 1/9/08].

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