Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > CONFISSÕES INDISCRETAS

Reportagem italiana enfurece Vaticano

01/02/2007 na edição 418

Uma reportagem nada convencional de uma revista italiana enfureceu o Vaticano, noticia Philip Pullella [Reuters, 31/1/07]. Para mostrar que nem sempre o que a Igreja prega é seguido pelos padres, o repórter Riccardo Bocca, da semanal L´Expresso, visitou 24 igrejas em cinco grandes cidades italianas. Em cada uma delas, confessou pecados que nunca cometeu e inventou dilemas éticos para os padres de plantão.


Bocca não se identificou como jornalista para nenhum dos padres. Em uma confissão em Nápoles, o repórter afirmou que se sentia culpado pela morte do pai depois que a família permitiu que um médico secretamente desligasse os aparelhos que o mantinham vivo. O pai teria ficado paralisado em uma cama e preso à respiração artificial por anos. Ainda que a eutanásia seja oficialmente condenada pela Igreja, o padre disse a Bocca que não se preocupasse muito, pois Deus é o juiz final. ‘Se eu tivesse um pai, uma esposa ou um filho que tivesse sido mantido vivo por anos por aparelhos, eu também desligaria a tomada’, completou o padre.


Em outra cabine de confissão, o jornalista fingiu ser portador do vírus da Aids e ouviu do padre que decidir usar ou não usar a camisinha para não passar o vírus para a mulher que ama era ‘uma questão de consciência pessoal’. A Igreja ensina oficialmente que abstinência e monogamia, e não camisinha, são as melhores maneiras para evitar o alastramento da Aids.


Matéria profana


A revista e o repórter afirmaram que o artigo nada mais era que uma reportagem investigativa, mas o Vaticano não reagiu tão bem. Em editorial no l´Osservatore Romano, jornal do Vaticano, era dito que a matéria havia profanado o sacramento da Penitência, conhecido também como Reconciliação ou Confissão, em nome de um ‘furo desprezível’. ‘Vergonha – não há outra palavra para expressar nosso choque sobre algo tão repugnante, inadequado, desrespeitoso e ofensivo’, dizia o jornal.


Segundo Bocca, sua intenção não era desrespeitar a Igreja Católica ou seus sacramentos. ‘O que eu queria mostrar eram as dificuldades enfrentadas por estes padres que tentam exercer seu trabalho de forma consciente’, afirmou o jornalista à Reuters. ‘As diferenças que eu encontrei foram chocantes até para mim’.


Ao contar a um padre que era homossexual, ouviu que ‘homossexualidade é uma expressão humana válida. Há até padres homossexuais e freiras lésbicas’. Ao perguntar se deveria declarar abertamente sua opção sexual, o padre afirmou: ‘Geralmente, o melhor a fazer é ser você mesmo. Jogue limpo’. A Igreja ensina que homossexualidade não é pecado, mas atos homossexuais o são. Com exceção do aborto – que todos os 24 padres condenaram – Bocca recebeu conselhos conflitantes em questões morais como divórcio, pesquisa de células tronco e prostituição.

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