Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

INTERESSE PúBLICO > LIBERDADE DE IMPRENSA

RSF divulga ranking mundial

20/10/2005 na edição 351

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou na quinta-feira (20/10) a
quarta edição da Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa. Entre os piores
países para o exercício do jornalismo, onde empresas de mídia privadas não são
permitidas e não existe liberdade de expressão, ficaram a Coréia do Norte, a
Eritréia e o Turcomenistão.


Nestes lugares, segundo o relatório, jornalistas contam apenas com
informações repassadas pela propaganda oficial do governo. Qualquer comentário
que desvie da linha de pensamento oficial ou qualquer nome soletrado de maneira
errada pode levar o jornalista para a cadeia. A imprensa é submetida a ameaças,
pressões psicológicas, intimidação e tem seu trabalho vigiado constantemente.


As regiões onde os jornalistas enfrentam os maiores problemas de repressão
governamental e violência de grupos armados são o Sudeste Asiático (países como
Burma, China, Vietnã e Laos foram citados), a Ásia Central (Turcomenistão,
Uzbequistão, Afeganistão e Casaquistão) e o Oriente Médio (Irã, Iraque, Arábia
Saudita e Síria).


No Iraque, a situação piorou por causa das precárias condições de segurança
para os jornalistas. Pelo menos 24 profissionais de imprensa foram assassinados
este ano. Desde o começo da guerra, em 2003, 72 foram mortos.


Já para o lado ocidental, cada vez mais países africanos e latino americanos
– entre eles Namíbia, El Salvador, Cabo Verde, Mali, Costa Rica e Bolívia –
sobem no ranking da organização.


Democracias em perigo


Algumas democracias ocidentais, no entanto, pioraram na avaliação anual. Os
EUA caíram mais de 20 posições no ranking, ficando em 44° lugar, principalmente
pela prisão da repórter do New York Times Judith Miller e por ações
legais que ameaçam o direito de confidencialidade das fontes dos jornalistas. O
Canadá (21°) também apresentou queda pelos mesmos motivos: o enfraquecimento do
privilégio dos jornalistas em não revelar suas fontes. O mesmo aconteceu com a
França (30°), onde durante o ano ocorreram buscas em redações e jornalistas
foram interrogados.


No topo da lista ficaram, mais uma vez, países do norte europeu. Dinamarca,
Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega e Holanda mantêm a tradição de uma
imprensa livre e bem estabelecida.


Independência


Nove países que ganharam ou recuperaram sua independência nos últimos 15 anos
ficaram entre os primeiros 60 colocados do ranking: Eslovênia, Estônia, Latvia,
Lituânia, Namíbia, Bosnia-Herzegovina, Macedônia, Croácia e Timor Leste.


O relatório contradiz o freqüente argumento de líderes de países pobres e
repressivos de que desenvolvimento econômico é uma pré-condição vital para a
democracia e o respeito pelos direitos humanos. O topo do ranking é dominado por
países ricos, mas alguns dos mais pobres – com renda per capita de menos de US$
1.000 em 2003 – estão entre os 60 primeiros, entre eles Benin, Bolívia,
Mongólia, Moçambique e Níger.


A Repórteres Sem Fronteiras organiza o ranking de 167 países com a ajuda de
14 de suas organizações parceiras em todo o mundo e de 130 correspondentes,
entre eles jornalistas, pesquisadores, especialistas jurídicos e ativistas pelos
direitos humanos. Todos eles participam de um questionário desenvolvido para
determinar o nível de liberdade de imprensa de um país. Alguns países não são
mencionados por falta de informação sobre eles.


O Brasil ficou na 63ª posição. O ranking completo pode ser encontrado no sítio dos Repórteres Sem Fronteiras.

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