Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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INTERESSE PúBLICO > PIADAS NO VATICANO

Sátiras religiosas irritam secretário do papa

28/11/2006 na edição 409

O mais recente alvo de piadas da mídia italiana é o monsenhor Georg Gänswein, secretário do papa Bento XVI, noticia Elisabetta Povoledo [The New York Times, 18/11/06]. Em uma estação de rádio, o comediante Rosario Fiorello interpreta Gänswein jantando em um restaurante chamado ‘A Última Ceia’, onde ‘uma porção de peixe dá para 20 pessoas’. O toque do seu celular é o coral ‘Aleluia’.

O próprio papa não escapa das sátiras. Em um programa televisivo, Bento XVI é interpretado pelo comediante Maurizio Crozza. Na cena, ele se mostra irritado com as comparações feitas entre ele e o papa anterior, João Paulo II, e pergunta a seus dois assistentes: ‘E o papa João Paulo II faria isto, por acaso?’, sapateando logo em seguida.

A popularidade das sátiras não agradou a Gänswein. O secretário disse diversas vezes à agência de notícias Adnkronos que espera que as piadas ‘parem logo’, pois, embora não seja contra a sátira de maneira geral, as brincadeiras em questão ‘ofendem a homens da igreja’. O jornal L´Avvenire, da Conferência dos Bispos Italianos, foi além e acusou os comediantes de praticar um ‘fundamentalismo satírico’. Em um editorial publicado na primeira página na semana passada, o jornal reclamou que as piadas não são justificáveis. ‘Talvez a intenção secreta seja esperar que a igreja responda como alguns muçulmanos responderam aos cartuns satíricos ou aos artigos que criticavam o islamismo, para depois fazer um escândalo’, opina Carlo Cardia, colunista que escreve sobre a Igreja Católica e também professor de Direito Eclesiástico da Universidade de Roma.

Sátira aceitável ou não?

O papa anterior chegou a ser tema de algumas sátiras, mas não como o atual. À medida que as piadas se multiplicam, jornais da grande mídia defendem o direito de fazer piadas sobre religião. ‘É difícil resistir à vontade de fazer uma gozação com um papa que parece ter sido criado em bibliotecas, e não no meio do povo’, diz Francesco Merlo, colunista do jornal La Repubblica. Gaspare Barbiellini Amidei, colunista do Corriere della Sera, o maior jornal da Itália, defende que as piadas devem ser engraçadas, mas não ofensivas.

Alguns italianos consideram ofensivo fazer piadas com o Vaticano. Luca Borgomeo, presidente de associação que funciona como um observatório dos programas televisivos de entretenimento, lembra a piada feita em rede nacional pelo comediante Paolo Rossi. ‘A Trindade ganhou uma viagem de graça mas não consegue chegar a um consenso sobre o destino. O Pai quer ir para a África, o Filho para a Palestina. O Espírito Santo, para a surpresa dos outros dois, quer ir para Roma. Quando questionado o motivo, o Espírito Santo diz: ‘Nunca estive lá’.’ Para Borgomeo, este tipo de piada é uma total falta de respeito. Seu grupo ameaça boicotar produtos de anunciantes de programas que fazem sátiras sobre religião.

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