Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Secom promete mudanças em 2009

Por Antonio Carlos Teixeira em 07/10/2008 na edição 506

Aos poucos a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República vai colocando a casa em ordem. Sob o comando do subchefe Ottoni Fernandes, braço direito do ministro Franklin Martins, a Secom começa a deixar para trás velho pensamento de que sua função se resume a cuidar da imagem do presidente e, no máximo, controlar a distribuição de verba publicitária.


Jornalista experiente, ex-repórter, editor e editor-chefe das editoras Abril, Três, revistas Exame e IstoÉ, além de diretor geral da Gazeta Mercantil em Brasília, Ottoni Fernandes revelou, em entrevista ao Portal da Comunicação, que decidiu aceitar o convite do ministro Franklin Martins para ocupar posto-chave na Secom ‘porque queria colaborar com o governo do presidente Lula’ .


Se a ministra Dilma Roussef é a mãe do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a Secom é a mãe da comunicação do governo como um todo e não apenas do Palácio do Planalto. Essa missão, entretanto, até há pouco, não era entendida dessa forma. Na prática, tudo continua como antes. Mas, em tese, as propostas de mudanças começam a ganhar forma, graças à visão da atual cúpula de comunicação do governo, comandada por Martins.


Para que a teoria dê lugar à prática, no entanto, é preciso acelerar os processos de mudanças. Não há mais tempo para esperar por elas. Há que se caminhar ao seu encontro. As assessorias de imprensa nos ministérios, secretarias e autarquias estão à mercê de uma política sem direção, cada órgão lançando mão daquilo que considera certo. É a chamada ‘babel’ de políticas de comunicação.


Reestruturação


Em reunião no dia 1º de outubro com representantes dos técnicos em comunicação social do Executivo federal, Fernandes garantiu que o governo enviará ao Congresso Nacional, em 2009, projeto de lei que prevê a reformulação da carreira, inclusive com a abertura de concursos públicos. Carreira fortalecida, com salários competitivos, o governo federal poderia contratar mais especialistas para gerenciar a comunicação.


Os concursados reclamam que seus salários são até quatro vezes inferiores aos dos nomeados livremente. Fernandes admitiu a existência dessa distorção salarial. Garantiu que o projeto de lei do Executivo trará mudanças nesse sentido. O subchefe disse que o objetivo ‘é preservar a memória organizacional e a continuidade das ações de comunicação institucional’.


Para isso, será preciso valorizar jornalistas, relações públicas, publicitários, entre outros profissionais, que integram a carreira Técnico em Comunicação Social – a maioria responsável por atribuições das mais importantes numa assessoria de imprensa: a produção de notícias e o contato com os meios de comunicação. Mais: conhecem como poucos o funcionamento dos órgãos onde trabalham, alguns há décadas.


Entra-e-sai prejudica


‘Queremos criar uma carreira, com a contratação de profissionais via concurso público. Numa sociedade baseada no conhecimento, faz falta um profissional especializado em Comunicação Pública, que seja um guardião do conhecimento coletivo, da experiência acumulada, que também funcione como gestor dos contratos licitados de assessoria de comunicação’, pontuou ao Portal da Comunicação o homem de confiança do ministro Franklin Martins.


E continuou: ‘Atualmente, quando muda o governo ou o dirigente de uma empresa, ministério ou autarquia, saem os assessores de comunicação e levam consigo toda a memória dos erros e acertos. Queremos criar essa nova carreira. Se for aprovada pelo Congresso, teremos que fazer concursos e, depois, com apoio da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), realizaremos um curso de formação e aperfeiçoamento para todos os profissionais concursados’.


O posicionamento de Fernandes se assemelha a um dos pontos da pauta de reivindicações apresentada semana passada à Secom pelo Movimento Nacional dos Técnicos em Comunicação Social do Executivo, principalmente em relação ao entra-e-sai de assessores nomeados livremente. Quando um ministro deixa o governo, por exemplo, com ele também sai a equipe de assessores. Não há continuidade do trabalho. A comunicação governamental perde. Os meios de comunicação perdem. A sociedade, igualmente.


Ao decidir fazer mudanças profundas na área de comunicação, principalmente nos ministérios, autarquias e órgãos vinculados, o governo federal demonstra estar preocupado com a qualidade das notícias que estão chegando lá na ponta, no caso ao cidadão, para quem são produzidas as informações oriundas do poder público.


Por esse motivo, as propostas da Secom para reformular sua carreira de comunicação deverão prever, obrigatoriamente, melhoria salarial, além de investimentos na qualificação dos gestores e dos produtores de notícias lotados nas assessorias de imprensa, preparando-os para prestar serviço de melhor qualidade ao seu principal parceiro: os meios de comunicação.

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Jornalista, integrante do Movimento Nacional dos Técnicos em Comunicação Social do Executivo Federal, Brasília, DF

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