Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > CASA BRANCA

Secretário de imprensa vs. Jornalistas

19/10/2005 na edição 351

As atitudes do secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan, vêm desagradando os jornalistas americanos ultimamente. Os profissionais que cobrem a sede do governo dos EUA fizeram uma reclamação formal a McClellan e ao conselheiro da Casa Branca Dan Bartlett contra os novos limites que reduziram à metade o número de repórteres permitidos a acompanhar Bush no avião presidencial em viagens internacionais. Os jornalistas também reclamam da atitude ofensiva de McClellan durante as coletivas de imprensa.


Jornais ficam de fora


No passado, até seis representantes da mídia podiam viajar no avião presidencial, afirmou Mark Smith, repórter de rádio da AP e presidente da Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA, sigla em inglês). Na maioria dos casos, a WHCA dividia o espaço entre quatro jornalistas de TV, um de rádio e um da imprensa, que ficavam encarregados de escrever um relatório para jornalistas de suas respectivas áreas.


McClellan informou que as restrições não são permanentes, mas necessárias para algumas viagens realizadas em um avião menor. ‘A decisão de usar um avião menor significa que muitas pessoas que costumam viajar junto não poderão ir. Isto depende de cada viagem e afeta a todos, não apenas a imprensa’, disse. Em resposta à carta de Smith, McClellan afirmou que pode considerar usar aviões maiores no futuro em viagens em que a mídia for acompanhar o presidente.


Nas duas últimas viagens internacionais (uma em setembro e outra no começo de outubro), os repórteres da mídia impressa não puderam acompanhar o presidente devido às limitações de espaço – somente os profissionais de TV e rádio viajaram no avião. De acordo com Smith, os problemas começaram no semestre passado, com a viagem de Bush para Bruxelas. Inicialmente, a Casa Branca não queria que a mídia fosse no avião, afirmando ter sido um evento planejado de última hora. Depois de reclamações de jornalistas, seis lugares foram liberados. Joe Curl, correspondente da Casa Branca para o Washington Times, confirmou que o presidente tem usado um avião menor, com 22 lugares, mas ninguém sabe ao certo as razões.


Missão: atrapalhar um pouco


Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca na semana passada, o secretário de imprensa desentendeu-se com alguns jornalistas. Um deles foi o correspondente da CBS John Roberts, que questionou McClellan sobre a nomeação de Harriet E. Miers para a Suprema Corte. Em vez de uma resposta padrão formal, Roberts ouviu de McClellan uma crítica a sua pergunta e um conselho para que ele pesquisasse sobre as qualificações de Harriet.


Posteriormente, Roberts afirmou que McClellan ‘considera atacar o repórter a melhor maneira de se desviar da questão’. Já o porta-voz da Casa Branca alega que seu trabalho ‘é atrapalhar um pouco e manter os jornalistas nos seus lugares’.


Recentemente, a Casa Branca viu-se obrigada a agir na defensiva, com o furacão Katrina, a investigação do vazamento da identidade da agente da CIA Valerie Plame, a guerra no Iraque e a nomeação de Harriet. Há um elemento de teatralização nas sessões desde que a televisão americana começou a cobrir ao vivo as coletivas a partir de 1995, mas os ataques de McClellan têm ficado cada vez mais pessoais e alguns repórteres não vêem o secretário como uma fonte válida de informação. Informações de Joe Strupp [Editor & Publisher, 13/10/05] e de Howard Kurtz [The Washington Post, 16/10/05].

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