Domingo, 18 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Sem prazer de ouvir rádio

25/08/2009 na edição 552

O sentimento que hoje invade aqueles que gostam do rádio é, sobretudo, de muita tristeza, pois o que está sendo feito no rádio AM de nossa capital – Fortaleza – é um crime sem medidas nem formas de avaliação. O rádio está cada vez mais sendo sufocado pelos interesses políticos e econômicos e se transformando em um espetáculo escabroso de emissões que nada têm a ver com os interesses dos seus usuários. A questão das concessões de rádio e seu processo de emissão têm de serem revistos imediatamente para o bem da comunicação e do povo que a ela busca. Não temos mais programas com o glamour de antigamente, com o nível respeitoso de antigamente e o profissionalismo de antigamente. Os velhos radialistas são sorrateiramente substituídos por novos profissionais que mal sabem o que é rádio, mal compreendem sua dinâmica ou têm interesse pelo que fazem, limitando-se a um script feito por quem não sabe a história nem a importância deste meio de comunicação.

O pior de tudo é que mesmo buscando emissoras no dial não encontramos o que queremos e, às vezes, temos que optar pela música que pelo menos temos o direito de escolher. O rádio cearense tem perdido audiência, tem sido preterido por outros meios de comunicação e vai sendo substituído e paulatinamente sucumbindo aos interesses políticos e econômicos que certamente o destroem. A experiência nos mostra que o rádio é procurado pelas pessoas todos os dias, mas o problema é que os indivíduos estão cansando da mesmice, das bajulações, dos programas sem roteiro e da maior limitação da presença do ouvinte no rádio.

Alguns locutores muitas vezes nem prestam atenção ao que os ouvintes estão dizendo, não interagem com estes nem procuram fazer do mote dado pelo ouvinte um processo de geração de informação, de questionamento e de enriquecimento do programa. O que fazer para o rádio melhorar? Ninguém aponta soluções, ninguém compreende a verdadeira essência do rádio, ninguém busca sua melhora. Onde querem chegar?

Busca de mudança é urgente

Uma certeza que hoje temos é que certamente o rádio AM está morrendo sem nenhum tipo de apoio dos seus proprietários para mudança nem engajamento das entidades de classe no sentido de mudar ou melhorar o que acontece. O segmento FM vem buscando aspectos do sucesso que o rádio AM sempre teve e hoje já procura trazer para suas programações algumas idéias do rádio que foram sempre a razão do seu sucesso. Por que não promovem um fórum sobre o rádio e suas perspectivas? Por que não questionam o rádio que fazem? Será que querem o caos?

O mais certo de tudo é que hoje é bem provável que as emissoras de rádio certamente não fazem parte de uma proposta de comunicação democrática e participativa, o que certamente afasta do rádio pessoas que têm opinião, conhecimento e cultura. Do que será que o rádio e alguns radialistas têm medo? Por que se fecham à participação popular? Por que ignoram o poder de organização dos ouvintes? Por que preferem o rádio que está aí? Certamente as grandes preocupações dos que comandam as rádios é o balancete no final do mês, não importando, neste sentido, mensagens, idéias ou viabilidade do rádio. Afinal, no mundo da economia, quando uma atividade não dá certo é só partir para outra…

No entanto, é importante verificar que o fim do rádio significará problemas sérios para a comunicação, para o conhecimento, para a cidadania e para o reconhecimento profissional de muitos que o fazem. Com o advento do rádio digital, certamente virá qualidade de emissões e aí perguntamos: e a qualidade da mensagem? Precisamos urgentemente discutir e debater sobre o rádio, sobre as expectativas de seus usuários, sobre costumes, sobre seu papel no consolidar da democracia e da cidadania e sobre a necessidade de programas respeitosos que envolvam a todos, que sejam interativos, que valorizem a opinião do povo e que sejam altivos, vigorosos e fortes. O povo precisa do rádio, precisa de suas mensagens e de sua versatilidade; o rádio é um instrumento democrático porque chega a todos e tem um componente vital para seu sucesso: o respeito e consideração dos que o ouvem.

A busca da mudança do rádio que temos hoje é urgente, precisa ser efetivada por meio de união de seus usuários, de seus trabalhadores e, principalmente, de seus proprietários, que deveriam ter mais respeito por um meio que tem história e está sempre conosco todos os dias. A luta pelo rádio é urgente, mas parece que ninguém quer que aconteça o que certamente conduzirá a seu fim…

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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