Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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INTERESSE PúBLICO > PAUL KLEBNIKOV

Supostos assassinos de editor são inocentados

09/05/2006 na edição 380

Um júri inocentou na semana passada (5/5) dois chechenos acusados de assassinar o jornalista americano Paul Klebnikov há quase dois anos, na Rússia. Klebnikov era editor da edição russa da revista Forbes e foi morto a tiros em frente ao seu escritório, em Moscou, em julho de 2004. Ele havia investigado casos de corrupção e tentado esclarecer o violento e fechado mundo dos negócios na Rússia. Na década de 90, o jornalista escreveu diversas reportagens sobre a privatização das companhias russas.

Os parentes da vítima pediram à Rússia para investigar o assassinato de Klebnikov com ‘vigor renovado’. ‘Estamos muito angustiados que, quase dois anos depois do assassinato de Paul, os assassinos e os mandantes [do crime] ainda estejam soltos’, desabafou Michael, irmão de Klebnikov. O governo dos EUA e a família do jornalista também afirmaram que o mandante do crime deve ser julgado, e não somente os que cometeram o assassinato. ‘Para nós, isto é o mais importante. Não ficaremos satisfeitos até que a justiça seja feita e que aquele que pediu a morte de Paul seja encontrado e julgado’, afirmou Michael.

Violações

Já dezenas de parentes e amigos dos acusados, Kazbek Dukuzov e Musa Vakhayev, comemoraram a decisão do lado de fora do tribunal. ‘Estou grato ao povo russo’, disse Dukuzov. Igor Korotkov, advogado de Dukuzov, afirmou que oito juízes foram a favor de inocentar os suspeitos e quatro, contra. O promotor Dmitry Shokhin informou que o Estado pode apelar contra o veredicto, que segundo ele foi influenciado por ‘graves violações’ da legislação processual.

Promotores alegam que os acusados mataram o jornalista a pedido de Khozh-Akhmed Nukhayev, um separatista checheno que foi tema de um livro crítico de Klebnikov e que permanece solto. O julgamento dos dois chechenos teve início em janeiro, a portas fechadas. O júri também inocentou Fail Sadretdinov, que foi julgado com Dukuzov e Vakhayev em relação a um outro crime, o de um suposto assassinato de um empresário. Promotores alegam que Sadretdinov tinha ligação com os dois chechenos.

A organização Repórteres Sem Fronteiras protestou contra a decisão da corte em seu sítio. ‘Nós vemos o veredicto do júri com surpresa, tendo em vista que três supostos assassinos de um jornalista foram considerados inocentes por falta de provas. Pedimos que uma nova investigação seja iniciada’. Informações de Maria Danilova [Associated Press, 5/5/06] e dos Repórteres Sem Fronteiras [6/5/06].

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