Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

INTERESSE PúBLICO > IRAQUE

Todos à procura da jornalista seqüestrada

13/01/2006 na edição 363

Desde que foi seqüestrada na semana passada, em Bagdá, a jornalista americana Jill Caroll passou a ser procurada pela embaixada americana e pela polícia iraquiana. O esforço para encontrar Jill, entretanto, vai além da esfera oficial: o Christian Science Monitor, jornal para o qual ela trabalha atualmente, e seus colegas de profissão vêm se empenhando na busca por informações e pistas sobre o paradeiro da correspondente. No incidente, o tradutor que estava com Jill foi assassinado. O repórter do Monitor Scott Peterson chegou recentemente em Bagdá para ajudar na busca de Jill e outro funcionário do jornal deve chegar ao Iraque nesta sexta-feira (13/1).


‘Estamos investigando tudo o que pudermos. Nos primeiros dias, nos empenhamos para garantir que os investigadores fizessem um relatório eficiente sobre o que aconteceu’, afirma Ellen Knickmeyer, repórter do Washington Post que trabalhou como correspondente no Iraque no ano passado. Segundo Ellen, no mínimo 10 jornalistas iraquianos e americanos estão passando a maior parte de seu tempo à procura de Jill, seja telefonando para fontes para conseguir alguma informação ou visitando o local onde ela foi vista pela última vez – tomando o cuidado de não atrapalhar as investigações oficiais. Este grupo de jornalistas também está recolhendo mensagens de apoio para que a jornalista saiba ‘como ela é uma boa repórter e como o povo iraquiano gosta dela’.


O seqüestro da jornalista é a mais recente evidência da situação de perigo na qual se encontram os profissionais de imprensa que trabalham no Iraque. ‘Nós saímos para conversar com iraquianos diariamente, mas há áreas da cidade que não podemos ir sem segurança. Está pior do que quando eu vim aqui em janeiro do ano passado. Parece que a violência piorou depois que o novo governo assumiu o poder em abril’, notou Ellen.


Jill trabalhou para diversos jornais americanos, como o Washington Post, além de organizações de mídia da Jordânia e da Itália. Ela é admirada em Bagdá por seu esforço em escrever matérias sobre o impacto da guerra no país.


Opiniões divergentes


A pedido do Monitor, a maior parte da mídia americana demorou dois dias para divulgar a notícia do seqüestro, a fim de proteger a vida de Jill. Ellen, do Post, concordou com a atitude dos veículos de imprensa que se silenciaram, apontando que é comum evitar falar sobre seqüestros de maneira em geral, principalmente se há a possibilidade de se prejudicar a vítima.


Opinião contrária é expressada por Sig Christenson, presidente do Military Reporters and Editors (MRE), associação que luta contra a limitação do acesso à informação e pelo direito de cobrir de perto as zonas de conflito, que criticou o silêncio das organizações de mídia. Christenson, repórter do San Antonio Express-News e que já acompanhou tropas militares por três vezes para cobrir a guerra no Iraque, acredita que não fornecer informações sobre o rapto da jornalista dá ao público uma impressão errada sobre o caso. ‘Por que ninguém pergunta sobre a ética desta atitude?’, questiona ele em relação ao pedido do Monitor para que não se divulgasse nada.


Para o jornalista, a credibilidade dos jornais fica afetada quando se é censurada alguma informação. ‘Se isto tivesse acontecido com qualquer outra pessoa, eles correriam para escrever matérias. Nós queremos mesmo colocar os jornalistas em uma classe especial quando escrevemos?’.


Christenson dá como exemplo o seqüestro do jornalista australiano John Martinkus, ocorrido em 2004, por muçulmanos sunitas que o ameaçaram de morte porque acreditavam que ele era um agente da CIA. Uma matéria publicada no sítio da BBC convenceu os seqüestradores de que ele era um jornalista, depois de uma busca no Google por seu nome. ‘Eles fizeram uma procura online e viram quem ele era, e acredito que isto facilitou sua libertação’, opinou na época Mike Carey, produtor da SBS que trabalhou com Martinkus. ‘Os rebeldes assistem à CNN e outros veículos de comunicação’, afirma Christenson. Informações de Joe Strupp [Editor & Publisher, 10 e 12/1/06].

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem