Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

INTERESSE PúBLICO > EMISSORAS PÚBLICAS

Trololó na TV Cultura

Por Nelson Hoineff em 12/07/2010 na edição 597

A bola queimou para a TV Cultura, com as demissões dos jornalistas Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli. Explicações complicadas terão que ser dadas pelo candidato à presidência José Serra – acusado de ter pedido a cabeça dos jornalistas – e pelo vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello, recém-chegado por lá, após ter sido afastado da Band.


Como já é amplamente sabido, as duas demissões supostamente têm na base questionamentos feitos pelos jornalistas ao alto preço dos pedágios nas estradas de São Paulo – Barbeiro no Roda Viva, onde Serra considerou a questão um ‘trololó petista’; Priolli em reportagem para o Jornal da Cultura, e que sequer estava editada.


Barbeiro era um nome importante do jornalismo da Cultura havia muitos anos; foi editor, repórter, apresentador e âncora. Priolli teve várias passagens pela emissora, mas tornou-se diretor do Jornalismo apenas cinco dias antes de ser demitido. É possivelmente um recorde mundial, que deixa para a TV Cultura uma questão que ela tem que responder com urgência: ou o novo diretor de Jornalismo, que a emissora conhecia bem em várias outras funções, demonstrou uma inadequação meteórica para o cargo, ou a emissora cedeu mesmo, como escreveram Luis Nassif e outros jornalistas, às exigências do candidato tucano.


Diálogo de répteis


Se isso não é envaidecedor para José Serra, é muito menos para a emissora. Menos ainda para a utopia de se construir uma televisão pública livre no Brasil. O incidente deixa a TV Cultura numa situação visivelmente constrangedora, mas impacta enormemente o debate que vinha acontecendo – especialmente desde a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – sobre a possibilidade de sobrevivência do jornalismo independente numa televisão pública.


A principal razão para isso é que a própria Cultura vinha ironicamente sendo apontada como um modelo bem sucedido dessa possibilidade. Isso em oposição à EBC, que como empresa alegadamente ainda não conseguiu decolar, cujo jornalismo foi esfacelado há tempos, onde essa história de independência é uma balela.


Em vista do experimentado pela EBC – e à luz do que acontece neste momento na TV Cultura –, televisão pública e jornalismo independente parecem ser no Brasil expressões mutuamente excludentes. Mas se o jornalismo não é independente numa televisão pública, não ofenderá perguntar:


– A quem interessa, então, uma televisão pública, e por que os governos investem tanto dinheiro nelas?


A possibilidade de construção de uma televisão pública livre, original e relevante é inversamente proporcional ao nível de promiscuidade que possa existir entre governos e seus partidos e os mecanismos de gestão dessas emissoras. Se for comprovado que o PSDB demitiu dois jornalistas da Cultura por terem feito perguntas sobre os pedágios das estradas paulistas, isso autorizará a EBC a afastar quem se posicione criticamente a qualquer ação do governo Lula. Tal quadro estaria alguns pontos abaixo de um diálogo de répteis – subvencionado pelo dinheiro da sociedade brasileira.


Fundo do poço


A sociedade tem que saber imediatamente se Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli foram de fato demitidos por ordem de José Serra. Se não, por que o foram, que tipo de erros contundentes ambos cometeram – até porque são nomes conhecidos pelo público e respeitados no ambiente profissional.


A sociedade tem também que saber quem está ganhando dinheiro público nas emissoras públicas para não lutar por sua independência e, pelo contrário, torná-las mais e mais subservientes aos interesses dos políticos.


Relações promíscuas com vários setores estão no DNA de muitos políticos – não refiro a qualquer um em especial – e isso talvez não possa ser combatido com tanta facilidade. Mas ‘laranjas’ que são postos nas televisões públicas que o povo está pagando – e que as colocam a serviço do atraso, que as lançam ostensivamente no descrédito público –, estes devem ser combatidos e denunciados por quem quer que defenda a possibilidade de uma imprensa equilibrada, de uma televisão pública independente e voltada para o interesse público.


Ser conivente com isso é jogar a televisão brasileira no fundo do poço, é trair os mais elementares ideais libertários.


***


Em Tempo [incluído às 14h40 de 12/7]: A propósito do texto acima, recebi telefonema do ministro Franklin Martins nesta segunda-feira (12/7), por volta das 13h. O ministro sustenta que ‘o jornalismo da TV Brasil não está esfacelado’ e ‘essa história de independência não é uma balela’; que, do ponto de vista da EBC, ‘ televisão pública e jornalismo independente não são expressões mutuamente excludentes’; que restrições à liberdade de expressão ‘seriam evitadas na EBC pelo Conselho Curador’; e que ‘a EBC não afastaria quem se posicionasse criticamente em relação ao governo Lula’. (N.H.)


***


ENTRE ASPAS


Sayad nega ingerência política na TV Cultura


Sonia Racy e Jotabê Medeiros # reproduzido de O Estado de S.Paulo, 12/7/2010


O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, negou ontem [domingo, 11/7] ter havido motivação política no afastamento de Gabriel Priolli da Diretoria de Jornalismo da TV Cultura. Ele alegou que Priolli não tinha o perfil adequado para o cargo na emissora, gerida pela fundação.


‘Foi uma escolha equivocada’, afirmou Sayad. Jornalista experiente, com passagem por alguns dos principais jornais e televisões do Brasil, Priolli trabalha para a TV Cultura há mais de uma década e permaneceu apenas uma semana no cargo.


Seu afastamento alimentou a suspeita de ingerência política na emissora pública ligada ao governo de São Paulo. Segundo versão amplificada pela internet, Priolli foi afastado do posto por orientar a produção de uma reportagem sobre as tarifas de pedágio nas estradas estaduais, tema abordado com insistência pela campanha do PT ao governo paulista.


O jornalista preferiu não se manifestar sobre o episódio: ‘Vou manter silêncio, pois ainda sou funcionário da TV Cultura’. O destino de Priolli dentro da emissora deve ser definido hoje, em reunião com o vice-presidente da fundação, Ronaldo Bianchi. Tanto a nomeação quanto a destituição de Priolli foram comunicadas a ele pelo diretor de Conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello.


O seção paulista do PT anunciou que vai pedir ao Ministério Público Eleitoral que investigue o afastamento de Priolli. O candidato do partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, foi entrevistado para a reportagem sobre pedágios, assim como o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.


***


Pedágio na Cultura


Fernando de Barros e Silva # reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/7/2010


Começou mal, muito mal, a gestão de João Sayad à frente da TV Cultura de São Paulo.


Na quarta-feira da última semana, confeccionava-se, para o jornal noturno da emissora, uma reportagem sobre os pedágios paulistas, aos quais o próprio candidato tucano ao governo, Geraldo Alckmin, havia feito reparos. No início da noite, o diretor de jornalismo da TV Cultura, Gabriel Priolli, foi chamado à sala de Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo.


Ali ouviu a bronca: a TV não poderia se ocupar de assunto tão delicado sem o seu conhecimento prévio. Vieira de Mello ecoava um protesto que tinha origem em algum escaninho da burocracia tucana.


A reportagem não foi ao ar naquela noite. E Priolli foi afastado de suas funções na tarde de quinta-feira. Durou uma semana no cargo.


Consta que a reportagem sobre os pedágios foi exibida na noite de sexta, feriadão de 9 de julho. E alega-se que foi derrubada na antevéspera porque estava ‘mal feita’. Ninguém deve ter visto o resultado final. Como quase ninguém teria visto se fosse exibida na quarta.


A verdade é que a Cultura é uma TV mais lida do que assistida. Os próprios conselheiros da Fundação Padre Anchieta acompanham a emissora pela imprensa.


A saída de Heródoto Barbeiro do ‘Roda Viva’ nada tem a ver com a pergunta que ele fez no programa a José Serra uma semana antes -justamente sobre pedágios. A sua substituição por Marília Gabriela já estava acertada pela direção. Mas, ao enviar Priolli para a Sibéria, os tucanos conseguiram transformar uma mentira em algo verossímil.


O episódio escancara a ingerência política do tucanato na TV pública de São Paulo. Quando uma reportagem sobre pedágios vira questão de Estado, então é melhor fechar o departamento de jornalismo e exibir ‘Cocoricó’, onde ao menos as crianças são levadas a sério.


***


Diretor de jornalismo da Cultura é afastado


Ana Paula Sousa # reproduzido da Folha de S.Paulo, 10/7/2010


Após uma semana no posto, o jornalista Gabriel Priolli deixou de ser diretor de jornalismo da TV Cultura. A decisão, tomada pelo jornalista Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo da emissora, alimentou boatos a respeito da ingerência política sobre o canal.


No final da tarde de quinta-feira [8/7], Mello chamou Priolli à sua sala para comunicá-lo do afastamento. Priolli, que já era funcionário da Cultura, disse, à Folha, que preferia não falar sobre o episódio.


Nos corredores da emissora e na blogosfera, circula a informação de que, por trás da saída de Priolli, está uma reportagem sobre problemas e aumento nos pedágios.


A reportagem teria sido ‘derrubada’ – jargão para o que não é veiculado – por Mello. ‘A reportagem não foi ao ar na quarta-feira por uma razão simples: não estava pronta’, diz Mello.


‘Eram ouvidos só [Geraldo] Alckmin e [Aloísio] Mercadante. Em período eleitoral, somos obrigados a ouvir todos os candidatos. Foi isso que fizemos’, acrescenta.


De acordo com ele, o material iria ao ar ontem [9/7] à noite, no Jornal da Cultura.


Dias antes, outra dança de cadeiras originou rumores sobre a influência do governo estadual sobre a TV.


Segundo estes, Heródoto Barbeiro teria sido substituído por Marília Gabriela no Roda Viva por ter feito uma pergunta incômoda a Serra.


A TV atrela a mudança à busca de uma ‘nova cara’ para o canal. Mello observa, ainda, que nem Priolli nem Barbeiro foram demitidos. Ambos devem assumir novas posições na emissora.

******

Jornalista, cineasta, diretor de TV

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/07/2010 Marcelo Idiarte

    Como ‘sei lá’? Eu sou ou não sou petista?

  2. Comentou em 19/07/2010 Odracir Silva

    Sim, caro Marcelo Idiarte. Vc acha q haa algo difamatorio no editorial do Estadao? Fala serio, caro, quem le e quem nao entende ee vc. Se o Lula nao sabe distinguir a diferenca entre o cargo e a pessoa fisica deve ser criticado. Alias, se vc diz q nao ee petista, age com um. Inacreditavel ee como petista (ou petista q nao admite ser petista) pensa q a midia age corretamente contra outros presidentes, porem qdo se faz criticas ao Lula ee considerada como PIG. Age segundo a maxima genoiniana: ‘uma coisa ee uma coisa, outra coisa ee outra coisa’. Sobre o Abramo e os publishers, o diagramador pensa saber mais q jornalistas c/ reputacoes estabelecidas. Ee claro q ee um direito dele em pensar q sabe mais do q pessoas q realmente passaram pelo processo. Alias, ee uma outra caracteristica petista, ‘pensar’ q sabe mais do q as partes envolvidas de um certo processo, como por exemplo, o caso da TV cultura. Toda a critica vem da blogosfera petista, q escrevem q haa ‘boatos’ nos corredores. Porem, atee agora nao li um comentario das supostas vitimas, o Herodoto Barbeiro e o Gabriel Priolli, q pelo q eu sei, ainda estao empregados na TV Cultura.

  3. Comentou em 19/07/2010 Odracir Silva

    Sim, caro Marcelo Idiarte. Vc acha q haa algo difamatorio no editorial do Estadao? Fala serio, caro, quem le e quem nao entende ee vc. Se o Lula nao sabe distinguir a diferenca entre o cargo e a pessoa fisica deve ser criticado. Alias, se vc diz q nao ee petista, age com um. Inacreditavel ee como petista (ou petista q nao admite ser petista) pensa q a midia age corretamente contra outros presidentes, porem qdo se faz criticas ao Lula ee considerada como PIG. Age segundo a maxima genoiniana: ‘uma coisa ee uma coisa, outra coisa ee outra coisa’. Sobre o Abramo e os publishers, o diagramador pensa saber mais q jornalistas c/ reputacoes estabelecidas. Ee claro q ee um direito dele em pensar q sabe mais do q pessoas q realmente passaram pelo processo. Alias, ee uma outra caracteristica petista, ‘pensar’ q sabe mais do q as partes envolvidas de um certo processo, como por exemplo, o caso da TV cultura. Toda a critica vem da blogosfera petista, q escrevem q haa ‘boatos’ nos corredores. Porem, atee agora nao li um comentario das supostas vitimas, o Herodoto Barbeiro e o Gabriel Priolli, q pelo q eu sei, ainda estao empregados na TV Cultura.

  4. Comentou em 16/07/2010 Marcelo Ramos

    Clerton, mesmo não podendo provar minhas afirmações, (como eu já disse, se pudesse prová-las eu estaria oferecendo denúncia no MP) estou exercendo o direito de fazê-las. Quanto à expressão ‘testando hipótese’, fiz o paralelo com o infeliz da Globo porque, além de mais conhecido que eu, foi ele que deu essa desculpa esfarrapada para mentir na capa do jornal. A bem da verdade, o paralelo é dispensável mas a especulação permanece. Você não tem que gostar nem que concordar. Democracia é isso aí.

  5. Comentou em 16/07/2010 Marcelo Ramos

    Clerton, mesmo não podendo provar minhas afirmações, (como eu já disse, se pudesse prová-las eu estaria oferecendo denúncia no MP) estou exercendo o direito de fazê-las. Quanto à expressão ‘testando hipótese’, fiz o paralelo com o infeliz da Globo porque, além de mais conhecido que eu, foi ele que deu essa desculpa esfarrapada para mentir na capa do jornal. A bem da verdade, o paralelo é dispensável mas a especulação permanece. Você não tem que gostar nem que concordar. Democracia é isso aí.

  6. Comentou em 16/07/2010 Odracir Silva

    Caro Marcelo Idiarte, e por acaso vc leu algum editorial de algum jornal ou revista da grande midia pedindo ou insinuando o ‘impeachment’ do Lula? Se vc leu algum, passa p/ o link. Duvido q vc ache algum. Mesmo no auge da crise do mensalao petista nao houve um artigo pedindo o impeachment, O q se pedia era investigacoes serias. Jaa o artigo do Tarso Genro teve grande repercussao no PIG, tanto ee q depois, no governo, ele se desculpou por ter escrito tal artigo.

  7. Comentou em 16/07/2010 Max Suel

    Comentador escrevendo: (abre aspas) ‘Zé Pedágio’ , ‘Zé Alagão’ … o que é isso ??????? o OI permite estes epítetos descabidos e depreciativos ??? e se eu escrevesse: ‘Dilminha Terror ‘ ou ‘Dilminha Apagão’ , o OI permitiria ??? (Max)

  8. Comentou em 15/07/2010 Edvaldo Angelo Milano

    Democracia e liberdade de expressão na midia brasileira já são sonhos, imaginem numa TV publica.

  9. Comentou em 14/07/2010 Marcelo Idiarte

    Heitor: PIG = Partido da Imprensa Golpista. Há um breviário sobre o conceito aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pig Mas seria interessante dar uma visitada nos blogs do Luiz Carlos Azenha [http://www.viomundo.com.br], Luis Nassif [http://www.luisnassif.com.br], Rodrigo Vianna [http://www.rodrigovianna.com.br], Paulo Henrique Amorim [http://www.conversaafiada.com.br] e outros para compreender a dimensão do termo, que se refere basicamente a uma imprensa que tem se comportado como artífice dos fatos, em vez de tradutora dos fatos. Importante frisar que o PIG sempre existiu no Brasil (basta ver o papel da imprensa no suicídio de Getúlio Vargas, na derrubada de Jango, na sustentação do golpe militar etc.), o que é ‘novo’ é apenas a conceituação em si.

  10. Comentou em 14/07/2010 Odracir Silva

    Caro Emerson Mathias, nao haa nada de mistificacao sobre a qualidade das estradas. Quem escreve isso ee q estaa a tergiversar, pois haa dados p/ se verificar entre os 2 modelos existentes de concessao (pois nem vou discutir como o gov. federal mantem as estradas). Vc compara realidades diferentes qdo compara o Brasil c/ os EUA, ee como querer discutir a cidadania brasileira c/ parametros europeus ocidentais, ie, vai concluir q ainda vivemos na republica velha. Alias, o tema dos pedagios/estradas faz parte de um debate politico e deve ser tratado como tal. Se eu fosse economista, pensaria em custos, se fosse um cidadao comum pensaria em seguranca e custos. Se vc pegar os dados vai ver q o modelo de concessao de estradas federais foi e estaa sendo um fracasso. As estradas federais sao inseguras c/ uma pessima manutencao. E mais, o custo do transporte de cargas nas rodovias federais sao muito maiores do q nas rodovias estaduais paulistas, e isto contando c/ os pedagios (fonte: http://www.intelog.net/site/default.asp?TroncoID=907492&SecaoID=508074&SubsecaoID=091451&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=943399&Titulo=Custo%20do%20frete%20pode%20dobrar%20em%20rodovia%20ruim ). Se o Mercadante quer realmente colocar isto em questao, e o pessoal da militancia acredita no q o candidato diz, q se debata claramente.

  11. Comentou em 13/07/2010 Emerson Mathias

    Caro Odracir, acompanho diariamente a TV Cultura – as demais nao prestam. Eh nitida a maneira como o noticiario da emissora alivia as criticas aos fatos ocorridos com relacao ao governo do estado e nao poupa tudo o que se relaciona ao governo federal. Questao politica, simples assim. Os estudos para os custos de manutencao e expansao das vias sob concessao estao errados e nao temos auditoria nisso. Compramos a informacao como se vende nos jornais e nos noticiarios. Assim como temos custos abusivos nas obras do PAC, nas obras do metro, temos um calculo de pedagio extorsivo ao bolso dos usuarios. Como voce eh pesquisador, busque saber o custo das vias publicas sob concessao privada nos EUA. Vai se surpreender com o tamanho do roubo que praticam aqui. A conta eh simples, mas por aqui nao interessa a ninguem fazer e publicar. A pergunta do Herodoto ao Serra no Roda Viva foi precisa e o Serra fez um desservico ao nao responder. Ja que contamos com inumeros pesquisadores pagos com o dinheiro dos contribuintes, seria util que ao menos alguem fizesse a conta. Basta comparar com os EUA, os dados estao disponiveis na internet. E parabens ao Herodoto, pela pertinencia e coragem da questao. A regiao metropolitana de Sao Paulo ja possui um custo de vida comparavel ao de Londres e Paris. Quem paga essa conta? A classe media-alta consegue, mas e os mais de 10 milhoes que vivem na periferia?

  12. Comentou em 13/07/2010 Emerson Mathias

    Sobre pedagios, vale lembrar que trata-se de concessao publica para terceiros. O espaco publico continua PUBLICO, assim nao se trata de ‘prefere-se pagar mais para ter algo melhor’, pois nem todos podem pagar o mesmo ‘pela qualidade’. Outro ponto eh o modo como essas empresas amortizam seus investimentos (ha estudos que indicam haver espaco para reduzir o preco dos pedagios em SP para ate 50% do valor cobrado atualmente). A equacao financeira eh de ganhos extraordinarios para as empresas que operam nas estradas e de onus social para quem precisa passar por certos trechos todos os dias, ou mesmo no encarecimento de fretes para bens e servicos que pagamos aqui no estado de SP. O que ja sabemos todos eh que a TV Cultura nao podera abordar o assunto. Saimos todos perdendo.

  13. Comentou em 13/07/2010 Marcelo Ramos

    Prezado Herman, mesmo os mais obedientes às vezes deixam ‘escapar’ a verdade. Morei em São Paulo até novembro de 2009. Para sair de São Paulo e ir até qualquer cidade do interior, andar 150 km (que não é muito) já se gasta algo em torno de 30 reais só de pedágio. Não é só o Heródoto que queria saber sobre os pedagios, acredito que o povo de São Paulo, que trabalha muito, também quer saber. Agora que chegou a época de eleições, o Serra tem que assumir as opções que fez. Não dá pra dizer que pédágio é só trólóló petista. Acho que o Serra pensa que paulista é burro.

  14. Comentou em 12/07/2010 Raphael Bezerra

    E vai continuar assim, se nem aqui no OI um ou outro falaram alguma coisa, imagina no resto da imprensa. O pior é ligar a tv e assistir esses mesmos que não respeitam a liberdade de imprensa, acusando os outros disso.

  15. Comentou em 12/07/2010 Darcio Vasques

    Este Observatório podia ter se antecipado aos inúmeros comentários a respeito das demissões dos jornalistas e se tornado um grande porta-voz da defesa da liberdade de expressão, e não simplesmente esperar confortavelmente a repercusão do caso para se mostrar.
    Se fosse na Venezuela ou em Cuba, ou até na EBC o caso já teria sido denunciado, mas no governo paulista a coisa fica como mera suspeita.

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