Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

TV por assinatura
cresce 13% em um ano

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 07/08/2008 na edição 497


Leia abaixo os textos de quinta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 7 de agosto de 2008


MÍDIA & PRIVACIDADE
Carlos Heitor Cony


Perguntas não-inocentes


‘RIO DE JANEIRO – Autoridades aqui do Rio, preocupadas com a devassidão provocada por travestis e prostitutas, sobretudo na orla, e decididas a transformar a cidade num mosteiro de absoluta castidade, pretendem fotografar a placa dos carros daqueles que se abastecem de sexo com a mais antiga das profissões.


Tecnicamente não é impossível. As ruas já estão vigiadas por milhares de ‘pardais’, alguns ostensivos, outros disfarçados, que fotografam infrações do trânsito, criando uma prova que não pode ser negada na hora de cobrar a multa respectiva. Até aí, tudo bem. É o ovo (e o olho) do Big Brother que nos espreita e, gradativamente, vai enterrando a privacidade de todos nós.


No caso do uso das prostitutas, a pergunta que deve ser feita é a seguinte: o que farão as autoridades com as fotos obtidas? Não será caso de multa, uma vez que não se trata de infração de trânsito nem de infração penal. Haverá um arquivo que poderá ser usado para chantagear os usuários? Ou a medida se destina apenas a constranger o freguês, na base do ‘você está sendo fotografado!’?


Se o cara é solteiro ou descompromissado, se estiver na cidade a turismo ou a negócio, nem mesmo a chantagem será temida. A nova lei não terá condições nem sequer de constrangê-lo. Sobram os casados e comprometidos, esses, sim, terão motivos para não serem fotografados na tradicional e indispensável tarefa de ‘chercher la femme’, ou equivalente masculino, no caso do travesti.


Muito complicado. As fotos obtidas serão remetidas para quem? Para o próprio? Para a mulher ou a namorada? Para o patrão? Para os jornais e tevês? Ou farão parte de um dossiê, como as conversas obtidas pelos grampos telefônicos, para o caso de uma necessidade?’


 


 


 


Alan Gripp e Andréa Michael


PF monitorou 54,7 mil horas de ligações


‘A Polícia Federal obteve autorização para monitorar por pelo menos 54,7 mil horas linhas telefônicas em nome de pessoas e empresas investigadas na Operação Satiagraha, revela levantamento dos pedidos feitos pela PF, e aceitos, à Justiça Federal de São Paulo.


Foram ordenados grampos em ao menos 51 linhas telefônicas em um intervalo de quase um ano, de 26 de julho de 2007 até as vésperas de a operação ir para a rua, em 8 de julho. A Folha identificou 25 pessoas que tiveram suas conversas gravadas a mando da Justiça.


O principal alvo das escutas foi o investidor Naji Nahas, que teve três de seus números monitorados pelo período de 225 dias, sendo um deles compartilhado com o filho, Robert Nahas. Conhecido por falar pouco ao telefone, o banqueiro Daniel Dantas foi grampeado por 135 dias, ou 3.240 horas.


Em torno dos dois, aliás, gravita a maioria das pessoas físicas e jurídicas interceptadas pela PF. No grupo formado a partir de Dantas, foram monitorados familiares, sócios, funcionários do Opportunity e lobistas, que, segundo a PF, davam suporte político a seus negócios ilegais.


No grupo encabeçado por Nahas, os alvos preferenciais foram seus filhos, Robert e Fernando, doleiros e duas empresas (Rofer e Wanapar), investigadas sob a suspeita de lavar dinheiro vindo do exterior sem o pagamento de impostos ou fruto de corrupção.


Procurada pela Folha, a PF não respondeu se o volume de interceptações está dentro ou fora dos padrões de operações da mesma magnitude. Fontes da polícia disseram que não existe um número padrão de alvos nem de horas de monitoramento para cada um deles, o que pode variar conforme a complexidade da investigação.


Codinomes


Nos pedidos enviados à Justiça, o delegado Protógenes Queiroz usou codinomes de animais para identificar seus alvos e relacioná-los a determinados grupos. Para Dantas e pessoas próximas a ele, por exemplo, usou ‘Japu’, uma espécie de ave. Verônica, irmã de Dantas, monitorada por 120 dias, era ‘Jaguatirica’.


Na leitura do inquérito fica evidente a dificuldade da PF em flagrar conversas de Dantas. Em determinado momento, os investigadores interceptaram os computadores do Opportunity e descobriram que ele usava o sistema Voip (transmissão de voz via internet), mais conhecido por programas como o Skype, um meio até então tido como imune a grampo.


Dantas e Nahas usavam linhas internacionais para conversar entre si, mesmo quando estavam no Brasil, também para evitar grampos. A PF identificou seis números usados por eles: três registrados nos Estados Unidos, dois na França e um em Portugal.


A PF monitorou ainda o chamado braço político de Dantas. O ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh foi interceptado por 105 dias. Numa das conversas flagradas, tratou de detalhes da investigação com o chefe-de-gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho.


As gravações são acompanhadas em tempo real por analistas da PF, que transcrevem no ato as conversas relacionadas a temas investigados. Isso só é possível porque, ao receber a ordem judicial, as operadoras replicam as conversas para um número indicado pela polícia.


As transcrições são usadas nos relatórios de inteligência enviados pela PF à Justiça para pedir o cancelamento ou a prorrogação de um grampo, além de novas interceptações. Quase sempre vêm acompanhas dos áudios originais.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sob controle


‘No final da reportagem da BBC sobre o fundo, arco-íris na Amazônia


A idéia de criar um fundo para a Amazônia ‘circula há tempos’, mas o Brasil ‘cansou de esperar’ e lançou o seu, destacou ontem o site da ‘Nature’. A Noruega já depositou US$ 100 milhões, mas o ‘Brasil manterá seu controle sobre a Amazônia, que é como deve ser’. O lançamento ganhou extensa cobertura no final de semana, com a BBC afirmando, na mesma linha, que o Brasil ‘deixou uma coisa clara: não tem intenção de ceder controle de uma polegada de território’.


‘GOOD NEWS IS NEWS’?


Roger Noriega, o ex-subsecretário de Estado dos EUA, escreveu ontem longo ensaio sobre o Brasil, para o site do instituto conservador American Enterprise:


– Quando se pensa na América Latina, ‘notícia boa é falta de notícia’. Mas o Brasil mereceu tantas manchetes positivas ultimamente que pode muito bem reescrever a máxima. A potência continental se tornou um exemplo de como a democracia multiétnica e a economia de livre mercado podem ajudar milhões a sair da pobreza… Mas Lula corre risco de se deliciar no brilho de seus acólitos e ficar complacente. Deve a seu povo e a seu próprio legado assumir uma relação de reformas políticas e econômicas para tornar o Brasil mais aberto e justo.


OBAMA NEGATIVO


Em mais um comercial contra John McCain, a campanha democrata volta a ligar sua imagem à de Bush, apoiando, como ele, ‘cortes de impostos de bilionários’ e ‘bilhões para as companhias de petróleo’


MCCAIN NEGATIVO


E prossegue o ataque republicano a Obama, dado mais uma vez por ‘maior celebridade do mundo’ em comercial que questiona se ele ajudaria ‘as famílias’ -ao fundo, uma imagem de duas crianças brancas


SUBTEXTO


O comercial contra Obama com Britney Spears e Paris Hilton ganhou até paródia, mas segue sob crítica na mídia americana. Do premiado Joshua Marshall, do TPM, a Keith Olbermann, da MSNBC, e o colunista Bob Herbert, do ‘NYT’, relaciona-se a inserção com outra de 2006, com jovens brancas, contra um candidato negro.


Mas já se encontram questionamentos à idéia de um ‘subtexto sinistro’ no comercial que é creditado por deter Obama. E a colunista Maureen Dowd, também do ‘NYT’, vai além e ironiza McCain e outros, Bill Clinton inclusive, pela ‘inveja de meninos’ do jovem Obama. Cita amigos do republicano que o descrevem ‘se comendo de inveja’, porque ‘agora outro é que é a celebridade’.


LAMA


Paris Hilton não é nada, perto da nova ‘National Enquirer’, com o suposto filho do democrata John Edwards com amante. Ecoou por Drudge etc.’


 


 


 


ELEIÇÕES / EUA
Folha de S. Paulo


Paris Hilton lança vídeo em resposta a McCain


‘Paris Hilton reagiu com humor à citação de seu nome em comercial do candidato republicano John McCain, que qualificou seu adversário democrata, Barack Obama, de ‘a maior celebridade do mundo’.


Em vídeo de 1m50 que circula desde anteontem à noite na internet, a bisneta de Conrad Hilton, fundador da cadeia de hotéis com o nome da família, aparece de maiô, numa espreguiçadeira à beira da piscina.


Depois de aludir à idade avançada do republicano -seus 71 anos são lembrados com imagens do mestre Yoda e das personagens da finada série de TV dos anos 80 ‘Supergatas’- ela finge que a menção a ela no comercial republicano a transformou em presidenciável. E como tal promete pintar a Casa Branca de cor-de-rosa e talvez convidar a cantora Rihanna como vice em sua chapa.


Paris Hilton se apresenta no vídeo como celebridade, mas não uma celebridade da geração ‘desse grã-fino enrugado’. Já que foi arrastada à disputa presidencial , afirma estar lendo um texto para elaborar seu plano no campo energético.


Embora traga nas mãos uma revista de turismo, afirma segundos depois que pretende conciliar o plano de estimular a extração de petróleo nas plataformas marítimas e as pesquisas sobre combustíveis ‘limpos’ em termos ambientais.


Ou seja, uma mistura da propostas dos dois candidatos.


Indagado ontem sobre a galhofa da milionária, o porta-voz de McCain, Tucker Bounds, disse que ‘Paris Hilton não é uma celebridade tão importante quanto Obama, mas tem proposta energética melhor’.


Em tempo: a mãe de Paris, Kathy Hilton, é republicana e contribuiu para a campanha de John McCain. Ela qualificou como ‘uma perda de tempo’ a citação do nome da filha no comercial que procurava subdimensionar Barack Obama.


NA INTERNET


http://www.funnyordie.com/videos/64ad536a6d


assista ao vídeo (em inglês)’





INTERNET
Folha de S. Paulo


Unidades da AOL serão separadas


‘A Time Warner disse que pretende transformar as suas unidades de publicidade e de assinaturas de internet na AOL em duas divisões distintas. A separação, porém, não deve ocorrer antes do início do próximo ano. A medida deve facilitar a venda dessas unidades. No segundo trimestre deste ano, a receita da AOL teve queda de 16%, para US$ 1,1 bilhão, ante o mesmo período do ano passado.’


 


 


 


TV POR ASSINATURA
Folha de S. Paulo


TV paga amplia ganhos e base de assinantes


‘As operadoras de TV por assinatura registraram faturamento de R$ 2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, o aumento foi de 0,5%.


No faturamento, estão incluídos os ganhos com anúncios, que representaram 8% das receitas do setor em 2007. Estima-se que essa parcela possa atingir 15% em 2008.


A maior parte das receitas partiu da assinatura dos pacotes (55%) e do acesso à banda larga (35%).


A base de assinantes chegou a 5,4 milhões, uma expansão de 13,2% sobre o primeiro trimestre de 2007. Os clientes que passaram a usar a internet em alta velocidade via TV por assinatura saltaram de 1,34 milhão para 1,94 milhão, alta de 45%.


Apesar do crescimento da base de assinantes, os dados divulgados ontem pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) também mostram que 49% da base dos clientes assiste aos programas diariamente.


Segundo o Ibope, quem assiste aos programas também reduziu o tempo em frente à televisão. Entre janeiro e junho deste ano, a audiência média diária por usuário caiu de 2h04min47s para 1h57min, cerca de sete minutos a menos.


‘Não há contra-senso entre a queda da audiência e o aumento da base de assinantes. TV paga não é TV aberta. A audiência não é parâmetro, especialmente para o anunciante’, afirma Alexandre Annenberg, presidente da ABTA. ‘Estamos falando de um público segmentado. Há um canal de golfe 24 horas por dia no ar. Independentemente da audiência, esse é o canal adequado para os anúncios de fabricantes de equipamentos de golfe, por exemplo.’’


 


 


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘Favorita’ será pior da história, diz Record


‘O crescimento da audiência da novela ‘A Favorita’ foi resultado de um ‘momento catártico’ e não irá durar muito. A opinião é de Tiago Santiago, autor de ‘Os Mutantes’, da Record, concorrente direto e desafeto de João Emanuel Carneiro, roteirista da Globo.


Com a alta da novela das oito, provocada pela antecipação de seu principal mistério e por relançamento publicitário, ‘Os Mutantes’ caiu. De 20 pontos na primeira semana de junho, despencou para 14 atuais.


Estou absolutamente tranqüilo. A guerra está apenas começando. O concorrente está gastando sua principal peça de artilharia, revelando o ‘quem’ matou da trama. E eu ainda tenho muitas armas superpoderosas no meu arsenal mitológico. Quero ver o que ele [Carneiro] fará nos próximos seis meses’, desdenha Santiago.


Para o novelista da Record, parte do público de ‘A Favorita’ ficará decepcionado com a confirmação, antecipada pela Folha, de que Flora é a assassina da novela e trocará de canal.


Eu acho que ele [Carneiro] amargará o pior ibope das novelas das oito de todos os tempos. Ele não vai dar 45 pontos todo dia. A média dele até agora é de 36 pontos. No meio da novela, vai estar com 37. E vou fazer de tudo para mantê-lo abaixo dos 40’, desafia.


A nova ‘arma’ de Santiago será uma invasão extraterrestre. Em breve, naves com ETs pousarão em São Paulo.


ROBERTO BOMTEMPO EM VERSÃO TRAVESTI


Roberto Bomtempo, ator do tipo que só faz vilão, grava cena de ‘Chamas da Vida’, em rua do Rio, como o travesti Docinho; ele também dirige a novela da Record


REBELDIA


A Record está estudando a possibilidade de produzir uma versão brasileira de ‘Rebelde’, novela mexicana que fez muito sucesso no SBT. Como no México, também haveria uma banda pop comercial. Os direitos de ‘Rebelde’ pertencem à Televisa, com a qual a rede de Edir Macedo negocia parceria.


FEIÚRA


A primeira produção da Record com a Televisa, se a parceria vingar, será ‘Betty, a Feia’.


ESTRÉIA


O primeiro evento da Olimpíada de Pequim na TV, o jogo de futebol feminino entre Brasil e Alemanha, ontem de manhã, rendeu dez pontos à Globo, segundo prévia do Ibope. No horário, a emissora costuma marcar seis. Na Band, a audiência foi de 1,5 ponto.


VENENO


Uma grande rede de TV convidou um profissional de uma concorrente para mudar de canal. O profissional aceitou, mas com uma condição: que seu namorado, também homem de TV, fosse incluído no pacote. As negociações prosseguem.


PLANO B


Apesar da continuidade do ‘Show da Fé’, de R.R. Soares, em seu horário nobre, a Band ainda não desistiu da revista eletrônica que, em princípio, substituiria o pastor. O programa segue em projeto, mas para depois das eleições.


NORMALIDADE


Com o fim das férias, a novelinha ‘Malhação’ caiu no Ibope (anteontem, deu 21 pontos). E a novela das seis da Globo, ‘Ciranda de Pedra’, voltou a dar mais audiência do que ela.’


 


 


 


Laura Mattos e Fábio Grellet


Sistema carcerário será ‘vilão’ de novela


‘O capítulo de anteontem de ‘A Favorita’ teve muito a revelar. Para a própria trama e para a guerra de audiência que Globo e Record travam especialmente neste horário das 21h.


Apesar de a novela de João Emanuel Carneiro estar no ar há só dois meses, o episódio teve ares de último capítulo ao apontar qual das duas protagonistas era a assassina. Com falhas de produção, mostrou que Flora (Patrícia Pillar) matou Marcelo, seu amante e marido da rival Donatela (Cláudia Raia). Desde a estréia, o autor jogava com o fato de não dizer quem era a vilã e a mocinha.


A cena foi mostrada em flashback. Apesar de o crime ter ocorrido há 18 anos, Pillar e Raia estavam com o visual exatamente igual ao atual. Não houve caracterização nem maquiagem que tentasse buscar um rejuvenescimento das atrizes, o que contrastou com a idade do ator escolhido para ser Marcelo, Flávio Tolezani -que, aliás, não é o mesmo mostrado em anúncios sobre o crime que a Globo publicou em jornais.


Outro detalhe da falta de cuidado foi a escolha da menina que fez Lara com três anos. Ela tinha olhos castanhos, e a cena seguinte mostrou os marcantes olhos azuis de Mariana Ximenes, intérprete da personagem.


Ontem, em entrevista coletiva no Rio, Carneiro diz que ficou satisfeito com o capítulo.


E, claro, com a audiência que ele atraiu. Foram 46 pontos na Grande São Paulo (dados prévios do Ibope), a mesma média do último capítulo de ‘Duas Caras’, a novela antecessora.


Ascensão


‘A Favorita’, que estreou com menos de 35 pontos, está subindo no Ibope e estancou o crescimento da Record no horário. ‘Mutantes’, de Tiago Santiago, que antes registrava mais de 20 pontos, marcou apenas 13 anteontem.


Mas, apesar de já ser considerada um sucesso pela Globo, ‘A Favorita’ não chega ao patamar de alguns anos atrás, quando a novela das oito que ia muito bem marcava mais de 60 pontos. E é por isso que ‘Mutantes’, apesar da queda, ainda é a ‘queridinha’ da Record.


Ontem, à Folha, Cláudia Raia contou que ela e Patrícia Pillar foram chamadas antes da estréia da novela pelo autor, que lhes revelou o destino de suas personagens. ‘Ele nos disse como deveríamos construir essa dubiedade.’


O autor havia afirmado à Folha que escolheria a assassina ao longo da trama e que sua decisão iria ‘depender da química da novela no ar com o público e da atuação das atrizes’. Ontem, admitiu já saber desde o princípio que Flora seria a culpada. ‘Seria óbvio se fosse diferente, ela tem cara de mocinha.’


Negou ter antecipado a revelação em busca de ibope. Disse que a novela tem três fases. A primeira terminou anteontem. A segunda será o martírio de Donatela na prisão (ela será injustamente acusada pelo assassinato do marido após a reabertura do caso) e a terceira, quando ela for libertada.


Raia afirmou que, a partir de agora, ‘o sistema carcerário será o grande vilão’ de Donatela. ‘Ela não entende como alguém pode viver daquela maneira.’ Na prisão, vai ficar amiga de Diva, personagem de Giulia Gam.


Treinador


Com vários papéis cômicos no currículo e pouquíssimos dramáticos, a atriz, que só tem chorado nos últimos capítulos, contratou o ator Cacá Carvalho para ser seu ‘treinador’. ‘Eu só fiz drama em ‘Engraçadinha’ [1995] e em ‘Torre de Babel’ [1998]. A Donatela é um papel muito difícil, tenho que estar muito atenta porque não posso usar nada meu nesse personagem. Ela não tem nada de mim. É sofredora, tem uma origem pobre, não tem sensualidade, é uma sobrevivente do inferno.’


Pillar, que também não é habitué de vilãs, afirmou gostar do ‘jogo’ que Flora proporciona. ‘Desde o início, dou algumas pistas com o olhar, mas o modo como o público vê as cenas também depende da informação de que dispõe’, afirma.


As duas dizem ter mantido segredo quase absoluto sobre suas personagens. Mas admitem ter contado para os maridos, o ator Edson Celulari (Raia) e o deputado Ciro Gomes (Pillar). ‘Nossos maridos são discretos’, brinca Pillar.


‘O Edson é ator, e eu divido tudo com ele. Mas aqui em casa teve bolão. O [filho de 11 anos] Enzo perguntou se era a Flora e eu disse que não’, conta Raia.


Para os próximos capítulos, Carneiro revela que Flora, que anteontem atirou em Salvatore (Walmor Chagas), irá assassinar Maira (Juliana Paes).


‘Ela não é uma serial killer, mas é uma esquizofrênica, quer ser a Donatela, ter tudo o que ela tem’, afirma o autor.’


 


 


 


Folha de S. Paulo


GNT mostra ‘revolução sexual chinesa’


‘‘Os sex shops estão se espalhando como Starbucks na China. As pessoas têm que tomar café. E têm que fazer sexo’, diz uma entrevistada no documentário ‘A Revolução Sexual Chinesa’, exibido hoje pelo GNT. Ela se refere às cerca de 5.000 lojas especializadas em sexo espalhadas pelo país, e ‘freqüentadas como supermercados’. A tese defendida pela produção é a de que, dos anos 90 para cá, o país se libertou das amarras comunistas ao sexo, e homens e mulheres estão se redescobrindo. ‘Tentaram enterrar o sexo junto com o capitalismo. Mas, agora, os chineses estão abraçando ambos apaixonadamente’, narra o filme. ‘Mao [Tse-tung], há 60 anos, fez um experimento sexual que só agora foi entendido. Ele transformou parceiros sexuais em camaradas’, diz uma entrevistada que vive entre Nova York e Pequim. ‘Fomos transformadas em homens. A moda forçava todos a serem irmãos.’ Existia sexo, sim, ‘mas como trabalho de reprodução’. Só recentemente, dizem as chinesas, as mulheres redescobriram a vaidade, o estilo. Aumentou a procura por sex shops, por bordéis. Adotou-se o conceito de ‘ficar’ por uma noite. E também se espalhou o vírus da Aids, forçando o governo a se preocupar com a educação sexual dos jovens.


A REVOLUÇÃO SEXUAL CHINESA


Quando: hoje, às 21h


Onde: no GNT


Classificação indicativa: não informada’


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 7 de agosto de 2008


TV POR ASSINATURA
Alline Dauroiz


TV paga cresce 13% Setor comemora adesão da classe C


‘Correndo atrás da classe C, a TV paga abre o primeiro trimestre do ano com crescimento significativo. Em números divulgados ontem, a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) comemora o aumento de 13% em sua base de assinantes, em relação ao mesmo período no ano passado. Isso significa 5,4 milhões de novas residências com TV paga no País.


O faturamento do setor cresceu 0,5%, ou R$ 2 bilhões ante R$ 1,6 bilhão do ano passado. ‘Fico feliz que no primeiro aumento significativo da classe C também tenha aumentado nossa base de assinantes. De 2004 para cá, a representatividade dessa classe cresceu 50% na TV paga’, fala o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg.


A busca por mais assinantes entre a classe C será abordada no Congresso da ABTA, que vai do dia 11 ao dia 13, na próxima semana.


Outro ponto que será alvo de discussões no evento é o Projeto de Lei 29, que prevê nova regulamentação para o setor, incluindo cotas de exibição de produção nacional. O debate sobre o assunto contará com a presença do autor do projeto, Paulo Bornhausen (Dem), e do relator Jorge Bittar (PT).’


 


 


 



O Estado de S. Paulo


Projeto proíbe cobrança de ponto extra de TV


‘A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou ontem projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que proíbe a cobrança de taxa adicional para a manutenção de ponto extra de TV por assinatura. A proposta foi aprovada por unanimidade. O projeto seguirá agora para a Comissão de Defesa do Consumidor, onde pode ter votação terminativa, se não houver nenhum requerimento exigindo votação do plenário. Caso não haja, o projeto seguirá direto para a Câmara dos Deputados. A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) enviou uma carta à Comissão de Ciência e Tecnologia, pedindo o adiamento da votação, mas a comissão decidiu votar assim mesmo.’


 


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


‘Não há drama na volta de Dedé’


‘No reino das vaidades que é o meio artístico, não é comum ver alguém voltar atrás e superar desavenças. Circenses que são e, por isso, membros de uma mesma família, Renato Aragão, o Didi, e Dedé Santana retomaram uma parceria que estava em suspenso por 15 anos, quando o quarteto Os Trapalhões (além dos dois, Mussum e Zacarias) anunciou a separação. ‘Ele é o meu irmão de criação. Criação de pato, galinha, porco…’, caçoa Didi numa cena de A Turma do Didi, que a TV Globo exibe aos domingos.


Dedé voltou a gravar na Globo no dia 17 de junho, após uma pequena via-crúcis de Renato Aragão nos bastidores da emissora. Desde que rompera com Renato, ele havia passado pela Record e se apresentava no parque Beto Carrero World. ‘Durou só uma semana’, relatou Didi, procurando afastar os boatos de que havia resistência da Globo à recontratação de Dedé. ‘Enfim, conseguimos.’


Os dois humoristas receberam o Estado nos estúdios da Globo minutos antes da gravação de A Turma do Didi. Falaram sobre a volta que já entrou para a história da TV e sobre piadas que as crianças sempre riem, como ‘quem nasce no Alasca é lascado’.


Por que foi tão difícil trazer o Dedé de volta para a Rede Globo?


Renato: Na primeira investida, nós conversamos pelo telefone, mas o Dedé tinha contrato com o (parque) Beto Carreiro World e não é ético da parte da Rede Globo chamar um artista que tem contrato com outra empresa. Essa foi a dificuldade. O tempo passou, o contrato terminou e eu retomei a negociação com a Globo. Daí não teve muito problema não, não houve resistência nenhuma.


Não teve, então, aquela história de que você estaria convencendo a Globo aceitar o Dedé de volta?


Renato: Teve, mas pouco. Não foi nada dramático. Você sabe como é que é. Começaram a dizer: ‘A Globo não quer o Dedé.’ Não foi nada disso. A Globo quis saber como era a situação dele, se não tinha mais contrato com ninguém, coisas normais. Para falar com um diretor-geral,é necessário tempo, você não chega numa pessoa dessas com facilidade. Teve uma via-crúcis dentro da emissora, mas durou só uma semana. Enfim, conseguimos.


A volta de vocês foi muito comentada pelos fãs na internet. Como foi para vocês voltar a trabalhar juntos?


Renato: Não imaginava que teria tanta repercussão entre os fãs dos Trapalhões, que foi quem assistiu a gente junto e que tinha muita saudade daquela época. Ficamos muito felizes. Por um lado, por nos reencontrar, e por outro, por causar essa alegria tão grande.


Dedé: Meu irmão (Tino Santana), que fez vários filmes com a gente, chorou quando nos viu na TV. Foi mais um sonho que eu realizei. Um deles, era dirigir um filme. E quem o realizou pra mim foi o Renato, que me pôs na direção de um filme (Atrapalhando a Suate, 1983). Agora, ele realizou outro, que era voltar a trabalhar com ele.


Na época dos Trapalhões, vocês pareciam trabalhar bastante com improvisações e tinham muito entrosamento. Como foi quando pisaram de novo no estúdio, a parceria estava com ou sem ferrugem?


Renato: Esse negócio de trabalhar com humor é igual a andar de bicicleta, você não perde nunca. Pega na hora. Na verdade, a gente trabalhou junto vinte e tantos anos, e aquilo ficou na memória. Foi só montar um esquete parecido com aqueles e engrenou. Mas logo quero fazer algumas mudanças no programa.


Deu para perceber que o que vocês fizeram no primeiro episódio foi igual ao tempo dos Trapalhões.


Renato: Pois é. Vai haver mudança, mas não é uma mudança muito grande não. É igual, mas também é diferente.


Mas o humor em geral não mudou desde os tempos dos Trapalhões?


Renato: Não é o humor que mudou, mas a sociedade mesmo. A criança hoje convive com videogame, internet, um circo eletrônico, recebe uma quantidade enorme de informação. Agora, o humor de um modo geral compete com isso. O nosso humor é diferente, porque é circense, universal. Não quero fazer humor para adulto, sátira política, nem humor intelectual. Quero fazer humor para a família e para a criança. E esse humor não muda, é o mesmo desde os tempos do circo.


Dedé: O Chico Anysio disse uma vez para o Renato: ‘Você tem sorte, porque criança nasce todos os dias.’ O nosso humor se renova automaticamente.


E, afinal, vocês ficaram sem se falar mesmo durante todo esse tempo? Por que vocês brigaram?


Renato: Não quero falar sobre isso. Faz 15 anos que isso aconteceu e vocês (jornalistas) perguntam sempre. Agora, eu é que pergunto para você: como é que foi a briga? (risos)


Não tenho certeza, ouvi dizer que foi divergência envolvendo dinheiro.


Renato: Nada disso. Cada um foi trabalhar separado. Eu tinha a minha empresa, eles tinham a deles (Dedé, Mussum e Zacarias). Eu fico chateado porque às vezes valorizam mais essa briga do que o nosso próprio trabalho na televisão. Isso é ingrato com a gente.


Dedé: Nós nos falamos durante esse tempo. Houve muita injustiça com o Renato.


Renato: Sempre senti que a gente era muito discriminado no cinema e na televisão pelo nosso tipo de humor, mas eu nunca quis fazer humor político para ser reconhecido. Eu sabia que esse reconhecimento viria.


Será que isso se dá porque as crianças que assistiam vocês nos anos 70 são adultos hoje?


Renato: Sim, deve ser. Agora eles podem dizer. Aquela geração ranheta já passou. Falavam que a gente fazia um humor de subdesenvolvido.


Não tenho essa memória, sempre achei que vocês eram estrelas.


Renato: Ah, você não tem idéia…


Dedé: A gente jogava torta um na cara do outro e os caras metiam o cacete na gente. Pensa que cair de uma cadeira é fácil? Não é. Você quase quebra as costelas na cena e ainda falam mal de você depois.


Renato: Quando a gente começou, o humor vinha do rádio. Era um humor parado, e se você estivesse de costas para a televisão, conseguia entender. A gente chegou na televisão com um humor visual, de televisão mesmo. Os próprios humoristas, os medalhões, ficaram revoltados com a gente. Aí, as crianças se sentiram atraídas pela ação e não por aquela palavra apenas falada.


A parceria de vocês vai voltar ao cinema também?


Renato: O próximo projeto – O Guerreiro Didi e a Ninja Lili 2 – já estava escrito sem o Dedé. Mas no próximo, espero que estejamos juntos. Mas o principal agora é transformar A Turma do Didi para receber bem o Dedé. Não precisa mudar muito, todos aqui do elenco adoraram ele.


E vocês se conheceram como?


Renato: Foi nos anos 60. Eu tinha vindo do Ceará.


Dedé: E eu já usava o nome Dedé no teatro.


Renato: Eu ia ser contratado pela TV Tupi e precisava formar uma dupla. Conheci vários, até encontrar o Dedé. Começamos com um quadro chamado Os Legionários, em 64. Era um tempo de ditadura e eu queria fazer um quadro com recrutas, mas não podia falar nada sobre o Exército. Usamos, então, legionários.


E como quem fez humor em plena ditadura convive com o patrulhamento politicamente correto? Algumas piadas do Mussum, por exemplo, não poderiam ser feitas na televisão hoje em dia.


Renato: Exatamente. O politicamente correto é muito ruim, porque você não pode falar sobre determinadas coisas. Nada que remeta a racismo, nem gordo, nem magro, nem feio, nem a mulher, nem o homem. Antes podia, mas não era para ofender, mas sim para brincar. Hoje não pode mais. Mas, também, não faz diferença pra gente. Onde tiver torta na cara, água, falta de luz, corre-corre, extintor de incêndio, a gente se vira.’


 


 



Etienne Jacintho


João Emanuel inaugura ‘segundo ato’ nas novelas


‘João Emanuel Carneiro decidiu fazer um folhetim subversivo, mas sem exageros. Em A Favorita, novela das 9 da Globo, o autor revelou a identidade da assassina no primeiro terço da trama, transformou a mocinha em vilã da noite para o dia e, mais ainda, fez o público ter pena de uma perua socialite – fadada a ser sempre a maldosa nas novelas. ‘Não sabia que as pessoas tinham tanta raiva de gente rica! As pessoas não perdoam os ricos! Se eu soubesse, teria tirado os 20 milhões de dólares de Donatela’, brinca Carneiro, que não teme uma rejeição à mocinha da vez, apesar de Donatela agir, algumas vezes, de forma politicamente incorreta.


‘O público foi enganado pela Flora! Eu fui enganado pela Flora!’, fala o autor. ‘E tudo o que Donatela fez contra Flora está justificado.’ Mesmo com essa certeza, Carneiro sabe que inovar em novela das 9 não é tarefa simples, uma vez que o público gosta do conforto dos folhetins mais clássicos. ‘Esse é o desafio. Arrumei um problema para mim e para o telespectador’, diz Carneiro. ‘Essa novela pediu para que o espectador se coloque na trama.’


O autor não quer se acomodar e promete uma novela completamente nova a partir desta semana. ‘A Favorita não foi uma novela espetaculosa no início, mas agora ela será mais espetacular e terá mais apelo popular.’ Segundo o ibope, a novela tem mais penetração nas classes sociais mais altas, mas Carneiro não quer ficar conhecido como autor de elite. ‘Escrevo uma novela popular. Agora o público vai ver uma novela mais normal, com a qual estão acostumadas.’


Carneiro encontrou nessa novela em três atos a solução para a longevidade da trama. Para ele, os 200 capítulos são um exagero. ‘É longo demais! Então, farei várias novelas para eu não me encher das mesmas histórias, já que esse formato dos 200 episódios é cansativo’, fala o autor. Para ele, o ideal é terminar uma novela em seis meses e não em oito.


UM NOVO ATO


Durante brunch com jornalistas ontem, no Rio, o autor afirmou que essa mudança marcou o fim do ‘primeiro ato’ da novela, em que nem personagens nem audiência sabiam quem era a assassina: Flora ou Donatela. A partir de agora, A Favorita passa a ser um folhetim mais ‘tradicional’ – o ‘segundo ato’-, em que o público conhece a verdade, em que há uma vilã e uma mocinha definidas. ‘O terceiro ato será a volta de Donatela, em que público e personagens já sabem a verdade’, adianta o autor. Hoje, o autor terá a medição dessa estratégia no primeiro grupo de discussão que a Globo realizará sobre a novela.


‘O bom é correr risco. Poderia ter dado errado. Televisão é algo muito vivo’, diz Carneiro, que não ignora o ibope, mas já faz uma leitura mais otimista dos números. ‘A novela teve baixa audiência, mas crescente. Ela nunca caiu no ibope. Há um público fidelizado.’ No capítulo de ontem, A Favorita teve 46 pontos de média de audiência (cada ponto equivale a 56 mil domicílios na Grande São Paulo).


Para o segundo ato, o autor promete trabalhar mais o elenco secundário e trazer mais humor à trama com a entrada da família de Dodi. ‘Ainda não houve escalação, mas vai ter o pai do Dodi, a irmã…’ O personagem de Iran Malfitano continuará como ponto de humor mais caricato que lembra antigos personagens das tramas das 7 de Carneiro – Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos. Entre os personagens que guardam mistérios e segredos estão Silveirinha (Ary Fontoura) – claro! -, Alicia (Taís Araújo) e Cilene (Elisângela). Para aqueles que não agüentam mais ver Catarina (Lilia Cabral) sofrer, a vingança virá na pele de Paula Burlamaqui. Ela será a vizinha da Catarina que deixará Leo (Jackson Antunes) louco. Mas a loira vai se interessar por Catarina.


BRONCAS


Carneiro comenta que ele não esperava que a cobrança da imprensa em cima de um autor das 9 fosse tão grande. ‘Agora entendo por que Aguinaldo Silva fez um blog!’, fala o autor. Entre as maiores broncas de Carneiro em relação à imprensa está o fato de falarem que a virada em A Favorita foi para esquentar a audiência. ‘Sempre faço uma virada no meio das novelas’, justifica o autor. Em Da Cor do Pecado, Afonso (Lima Duarte) conheceu o neto e mudou os rumos da história.Em Cobras e Lagartos, Foguinho (Lázaro Ramos) herda a Lexus e transforma a vida de muitos personagens.


Carneiro, porém tenta não dar tanta importância às críticas. Assim como tenta não assistir aos capítulos de suas novelas ao vivo. ‘Estava fazendo isso com A Favorita, mas não vou mais fazer. Isso me faz mal demais.’, conta. A tática do autor para não sofrer é gravar a novela para assistir depois. ‘Parece um cadáver, já passou!’, brinca.’


 


 


 


Roberta Pennafort


‘Eu me vejo maduro, mas não pronto, e muito agradecido’


‘São 30 anos de carreira, mais de 50 filmes e 20 trabalhos na televisão. No ano que vem, Chico Diaz vira cinqüentão, mas, ao contrário de seu personagem em A Favorita, Átila, ele não está em crise. O ator orgulha-se do caminho trilhado até aqui, e tem os olhos muito azuis voltados para o futuro. ‘Eu me vejo maduro, não pronto ainda, e muito agradecido. Não que eu tenha chegado a algum lugar, mas pelas histórias que eu contei’, ele disse, em entrevista ao Estado numa livraria do Jardim Botânico, bairro carioca no qual sempre morou.


Casado com Lorena (Gisele Fróes, a quem admira e com quem já havia trabalhado no teatro) e pai de Cassiano (Thiago Rodrigues, descrito por ele como ‘curioso, respeitoso e atento’), Átila é um homem simples e alegre, que segue em frente depois da demissão. Uma história secreta com a cunhada, Cida (Claudia Ohana), vem se revelando. ‘Ele vive uma crise que, como toda crise, veio para limpar o que está sujo. A volta da Cida reaviva questões e ele se pergunta: ?Será que isso é felicidade??’, Diaz analisa.


O ator sente-se feliz por ter a oportunidade de viver um tipo tão diferente do Jader de Paraíso Tropical, seu último papel marcante – um vilão odiado a ponto de ele ter sido hostilizado nas ruas, tal qual vem acontecendo com Jackson Antunes, o cruel Leonardo, seu concunhado em A Favorita. Numa novela cheia de atuações brilhantes como a de Gilberto Braga, conseguiu se destacar como coadjuvante.


Ele não se vê marcado por tipos mau-caráter. ‘O ser humano tem necessidade de te colocar numa prateleira, mas eu não acho que tenha me repetido na minha carreira.’ O ator tem uma leitura particular sobre a confusão que o público faz entre intérprete e personagem: não é que as pessoas não saibam diferenciar ficção de vida real, diz; o que elas querem é participar da história, nem que seja dando esbofeteando o ator – na época de Força de Um Desejo, em que Diaz era um capataz da linha mau-feito-um-picapau, isso quase aconteceu.


Diaz nasceu no México e veio criança para o Brasil. Começou no teatro no Tablado e integrou, no iniciozinho dos anos 80, o Manhas e Manias, que misturava linguagem circense com dramaturgia (Débora Bloch, Andrea Beltrão, Pedro Cardoso e o diretor José Lavigne vêm do mesmo grupo). Três décadas depois, confessa ter uma ‘quedinha’ pelo cinema. Tem sido tão convidado que faz um filme atrás do outro. Os prêmios já somam 17.


Recentemente, além de curtas, participou de cinco filmes ainda inéditos: Contador de Histórias, de Luiz Villaça, Saens Peña, o primeiro longa de ficção de Vinicius Reis, Andar às Vozes, de Eliane Caffé (Kenoma, Narradores de Javé), Sonhos de Peixe, do diretor russo Kirill Mikhanovsky, e Ouro Negro: A Saga do Petróleo Brasileiro, da cineasta maranhense Isa Albuquerque.


O primeiro set foi o de O Sonho não Acabou (1982), de Sergio Rezende, que marcou também a estréia, na tela grande, de Lauro Corona, Miguel Falabella e Lucélia Santos. A paixão permanece. Em breve, o ator, que é formado em Arquitetura, poderá aventurar-se como diretor – ele faz curso de documentário na Fundação Getúlio Vargas. Por enquanto, segue filmando, gravando e brincando por aí com a filha Irene, de 4 anos, de seu casamento com a atriz Silvia Buarque (o filho mais velho, Antonio, de 13 anos, mora com a mãe).’


 


 


 


***


O marido em cena


‘Sr. Danielle Winits, Cássio Reis fará um maníaco depressivo, fã incondicional da personagem de sua mulher, no episódio de Guerra & Paz de amanhã, na Globo. Guerra (Marcos Pasquim) então simulará ter morrido, a fim de atrair o obsessivo ao velório.


Entre-linhas


Osmar Prado, pra variar, deu show no capítulo de Ciranda de Pedra, anteontem, marcado pela morte da personagem de Mônica Torres.


Gilvan Guimarães, produtor executivo de novelas no SBT, volta a fazer o caminho Anhangüera-Jacarepaguá, rumo à Record.


Com equipe desfalcada, o SBT se mexe para evitar desordem nas gravações de Revelação, novela de Íris Abravanel, ainda sem data de estréia.


A AllTV, canal de TV da web, fez um teste do bafômetro diante do tenente Sérgio Marques, da Polícia Militar. Só o produtor Renato Loeb, que usou anti-séptico bucal, atingiu 0,26, teria sido pego pelo bafômetro.


Também sopraram o bafômetro os apresentadores Toni Curiati (quatro doses de uísque) e Francine Chaves (quatro latas de cerveja), com resultado de 0,11 e 0,09, respectivamente. Para conferir o espanto do tenente, acesse www.alltv.com.br e clique em Teste do Bafômetro.


Imagine Cláudia Raia 18 anos atrás? Na vida real, tinha cara de Tancinha e fazia a novela Sassaricando. Na ficção de A Favorita, ela já era aquela repaginada Donatela, com as mesmas roupas e até brincos (!) de hoje, conforme flash-back do excelente capítulo de anteontem.


Patrícia Pillar e Cláudia arrasaram na performance, mas a caracterização do passado das duas, e de Elizangela, pareceu aos desavisados que o Casseta & Planeta já estava no ar.’


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