Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Um guia para o bom rádio

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 04/08/2009 na edição 549

O rádio é certamente um grande companheiro: está conosco todos os dias, seja nos afazeres do lar, seja no caminho para o trabalho, nas noites de insônia ou, em muitos casos, nos momentos tristes da vida passando músicas de conforto ou mensagens de otimismo e encorajamento. O rádio foi sempre um grande prestador de serviços e formador de consciências, ideais e conhecimentos sobre o mundo – a vida e o dinamismo da sociedade.

Mesmo com o advento de tantas outras mídias, o companheiro rádio continua conosco proporcionando informação, lazer e consciência para todos os indivíduos que o ouvem e o contemplam no processo comunicativo. Como um meio de comunicação e contemplando a legislação que propõe seu uso para fins culturais e para o fortalecimento da democracia, é preciso que haja questionamento e consciência de seus usuários acerca das mensagens advindas de suas ondas sonoras para que todos seus ouvintes, como consumidores, tenham um serviço de qualidade e voltado para os interesses do público.

Temos constatado, no entanto, que muitas das mensagens que por vezes ouvimos no rádio destoam do verdadeiro papel da comunicação, que é certamente mandar para o povo idéias verdadeiras, notícias reais, mensagens calcadas na ética e na formação cidadã. Tal rádio não interessa aos ouvintes nem faz parte do verdadeiro sentido da comunicação, que é formar e informar. Deste modo, é preciso que as pessoas tenham garantido o direito a uma informação séria, verdadeira e ética, que são instrumentos fortes para a concretização da cidadania e fortalecimento dos ideais necessários para a democratização das comunicações.

‘Apoios despretensiosos’

É vital que a sociedade possa recomendar ou não os programas de rádio de acordo com a mensagem passada, o respeito ao ouvinte e o nível de ação do programa em termos de relação com o conteúdo que seja verdadeiro e expresse realmente uma ideologia de acordo com a verdadeira cidadania e o processo ético. O rádio precisa, sim, ser avaliado e essa avaliação deve ser feita por seu consumidor, que tem direito a questionar a programação e exigir a qualidade de todo e qualquer programa que vai ao ar.

Seria de bom alvitre que houvesse sempre um júri de conteúdo popular para julgar os programas e dizer claramente o que pensa dos programas que são ouvidos e que, geralmente, trazem mensagens preconceituosas, idéias deslocadas da verdade, bajulação aos poderosos e outros artifícios que certamente não interessam aos ouvintes nem representam seus verdadeiros interesses. É utópico se pensar que os proprietários de rádio queiram que isso seja feito, mas é vital que a sociedade se organize para isso devendo ser agente fiscalizador dos programas e entender as mensagens veiculadas, tanto no seu aspecto ideológico quanto nos interesses, que muitas vezes são ocultados em mensagens às vezes despretensiosas e que estão eivadas de interesses econômicos, políticos e financeiros. Quantos já não se beneficiaram do rádio como trampolim político? Quantos não utilizam este meio para se beneficiarem economicamente através dos famosos ‘alôs’ e ‘apoios despretensiosos’?

Ético e pautado na cidadania

O problema maior é que o rádio não quer se reciclar. Seus proprietários não o ouvem, a não ser no final do mês, através do balanço financeiro da emissora. O conteúdo dos programas não é sequer sabido pelos seus diretores que não sabem ou fingem que não sabem os impropérios e espetáculo de baixarias que são veiculados e que os ouvintes são obrigados a ouvir sem o direito de dizer que não aceitam ou não concordam, pois infelizmente, nosso rádio não é feito para ouvintes, que a cada dia perdem mais espaço de participação e de poder dizer o que pensam da vida política ou econômica.

É preciso fortalecer a democracia no rádio e tal processo só será possível a partir do momento em que haja coesão entre os usuários da comunicação no sentido de procurar sempre desenvolver uma prática de ação e visão na busca de um rádio ético e pautado na cidadania. Um selo para o bom rádio e um guia para este rádio que seja adequado aos cidadãos poderia resolver muitos dos problemas hoje encontrados e que no meio dos interesses econômicos e no desprezo ainda resiste. O rádio é, sobretudo, um forte…

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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