Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Uma mudança que virá

Por Francisco Djacyr S. de Souza em 30/06/2009 na edição 544

O rádio em que muitos acreditam ainda irá chegar, pois a mudança está vindo e as pessoas ligadas direta ou indiretamente ao rádio têm muita competência para desenvolver um novo modelo de comunicação radiofônica que seja adequada aos interesses dos que gostam deste instrumento de cidadania que fez e faz parte da história de nossa sociedade. Nomes como Roquete Pinto, padre Landel de Moura, Assis Chateaubriand ou Ary Barroso fazem parte do histórico do rádio e têm em suas ações a proposta sempre presente do rádio na vida das pessoas e na concretização do processo de comunicação verdadeiro e firme.

O rádio precisa mudar não apenas na forma de ação , mas, sobretudo, na interatividade, pois os que fazem o rádio precisam saber o que os seus usuários pensam da comunicação e que tipo de programa querem para fazer parte do cotidiano das pessoas. A comunicação deve ser estimulada no sentido de ser via de mão dupla e que satisfaça a todos os que estejam envolvidos no processo como um todo. No rádio deve haver planejamento e pesquisa para conhecer a opinião de seus ouvintes e fazer com que os programas sejam integrados aos interesses de seus usuários.

Uma nova lógica de ação

A tecnologia está aí a cada dia crescendo e mudando a forma de fazer rádio e precisa ser utilizada para o deleite dos ouvintes e para fazer com que suas emissões sejam adequadas ao pensamento de seus usuários. A participação dos ouvintes seria fundamental no processo de comunicação que dê aos ouvintes vez, voz e interesse no contexto do que se passa no rádio. Hoje, a rádioweb faz com que o mundo todo saiba o que está acontecendo simultaneamente no rádio e por isso é necessário que esta comunicação seja clara, precisa e extremamente séria, sem gracejos inoportunos ou jocosidade desnecessária. O rádio está sendo avaliado todos os dias pelos ouvintes e talvez por isso haja uma seletividade nos programas por parte dos seus usuários. Às vezes os programadores e proprietários das emissoras não sabem, mas o grupo de ouvintes é uma massa crítica que sabe o que quer, embora muitas vezes não seja acreditado ou valorizado.

Hoje, o mundo está em transformação e tal transformação vem ocorrendo paulatinamente nas pessoas que já se organizam em grupos para avaliar o consumo e exigir qualidade. Os direitos do consumidor já são plenamente discutidos e o direito à comunicação é uma das pautas da vida política nos dias de hoje. Não podemos ignorar estas atitudes e devemos buscar urgentemente uma nova lógica de ação no modelo de rádio que está aí. O rádio deve, sim, ser questionado e deve buscar ações que se cristalizem no processo de escolha dos programas e na verificação do tipo de comunicação pretendida.

Desprendimento e união de todos

A mudança no rádio é urgente e deve criar nova lógica em que cada ouvinte seja agente ativo do processo comunicativo, participando, questionando, dando opiniões e sendo aceito pelos comunicadores, que devem estar abertos a críticas, sugestões e questionamentos. O rádio deve buscar instrumentos da tecnologia como blogs, fóruns, comunidades para saber o que o ouvinte pensa das programações e o que cada cidadão quer deste meio de comunicação que deve mudar, mas conservar algo do glamour que sempre foi característica de seu processo comunicativo.

Temos visto avanços no meio rádio. Há hoje comunicadores que valorizam a interatividade, porém ainda há muitos locutores que desdenham da organização dos ouvintes, criticando suas ações e às vezes até procurando criar instrumentos de desmobilização da sociedade com atitudes sorrateiras que desestimulam participação. Sentimos esta ação quando vemos algumas emissoras daqui que, às vezes, não abrem espaços para constatar que há grupos que discutem o rádio nem abrem espaços para a crítica. Por que ainda não foi criada a figura da ouvidoria no rádio? Por que não reconhecem a organização dos ouvintes? Por que os ‘proprietários’ (o rádio é concessão pública ) não ouvem programas de rádio? Por que os patrocinadores não exigem rádio ético e verdadeiro? Tais indagações fazem parte de uma lógica que se fortalece no sentido de que a mudança só é possível se houver desprendimento e união de todos os grupos em prol de um rádio melhor – que certamente será melhor para todos. Não podemos cruzar os braços, mas é hora de fazer alguma coisa para o bem do rádio e também da sociedade como um todo.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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