Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

INTERESSE PúBLICO > AS CAUSAS DO DESASTRE

Vazamentos, furo e precipitação

Por Alberto Dines em 02/08/2007 na edição 444

A publicação de notícias protegidas por sigilo é geralmente justificada. O dever do jornalista é informar, é isso que o leitor espera dele. Em casos como o da catástrofe com o Airbus da TAM este dever torna-se imperioso, inadiável: o país está de luto, a sociedade está angustiada e muitos mortos continuam insepultos.


O jornalista Fernando Rodrigues obteve novos dados extraídos das gravações da caixa-preta do jato e na quarta-feira (1/8) o seu jornal, a Folha de S.Paulo, abriu uma manchete que tomou conta do noticiário da manhã: ‘Caixa preta indica erro do piloto’.


Efetivamente aconteceu alguma coisa errada com os manetes que controlam as turbinas do avião. Isso já fora antecipado na quarta e quinta-feira da semana passada e depois repetida pela revista Veja. Os novos dados obtidos por Fernando Rodrigues reforçam a hipótese do problema nos manetes, mas não esclarecem por que foram acionados erradamente.


Na mesma quarta-feira, à tarde, depois da enorme repercussão da sua matéria na CPI do apagão áereo, o jornalista Fernando Rodrigues amenizou o julgamento; numa entrevista à UOL News, declarou: ‘Suspeitas recaem agora sobre o Airbus e a TAM’ e completou: ‘A responsabilidade dos pilotos é difusa’. No fim da tarde, o título da sua entrevista no mesmo site dizia: ‘Caixa-preta não isenta TAM e Airbus’.


De onde se conclui que o vazamento é legítimo, mas o julgamento precipitado não é.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    ‘aqueles que chamaram, o presidente Lula de ‘assassino’ deveriam pedir desculpas.’: infiltrador, espiao, e sabotador nao pede desculpas. Media brasileira nao pede desculpas.

  2. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    ‘aqueles que chamaram, o presidente Lula de ‘assassino’ deveriam pedir desculpas.’: infiltrador, espiao, e sabotador nao pede desculpas. Media brasileira nao pede desculpas.

  3. Comentou em 03/08/2007 Luiz D

    Marco Antonio, quer dizer que vc não aprende mesmo né? Como seus argumentos são pequenos e qualquer um com um pouco de senso consegue perceber isso, você procura desqualificar as pessoas. Acho que o seu conceito de democracia e respeito pela opinião dos outros está meio equivocado. Como não quero fazer com você o mesmo que você faz com os outros sugiro que você pelo menos colocasse a mão na sua conciência ( se é que vc tem isso) e perceba o quanto imprudente tu és nas suas colocações.

    Saudações

  4. Comentou em 03/08/2007 Marco Antônio Leite

    Não mudei de função, continuo com a mesma profissão, função é a sua(Berçário) pois posso usá-la como Técnico Industrial, TPA, TST, TT, ou seja, sou o mesmo profissional. Agoira você é apenas um bancário pôr opção de sobrevivência. Ademais, não desejo mais polemizar com um cidadão que é torcedor do Lulla e não uma pessoa politiza e definida ideologicamente. Aquele ABRAÇO digníssimo senhor Peres, o sabe tudo!

  5. Comentou em 02/08/2007 JOSE ORAIR Silva

    Infelizmente, no Brasil, a vida humana não tem muito valor. A despeito da intensa cobertura do acidente da TAM, não temos resposta para uma questão básica: Quanto vale a vida de um usuário de transporte aéreo e quem define esse valor e o prazo de pagamento. Esse protagonismo dos parentes das vítimas na cobertura midiática não vai durar muito. Até hoje os parentes das vítimas do acidente de 1996 que não aceitaram o valor proposto pela empresa estão enfrentando um interminável calvário jurídico que não é objeto das preocupações midiáticas. Se, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, fossem estabelecidos valores expressivos para as indenizações e prazo certo para o seu pagamento, talvez as empresas aéreas se tornassem mais cuidadosas com a manutenção das suas aeronaves e com as condições da operação, privilegiando aeroportos mais seguros e compatíveis com o porte e peso dessas aeronaves.

  6. Comentou em 02/08/2007 Rogério Furtado

    Há uma outra discussão que tem que ser feita. Ontem me encontrei no site da Folha Online no momento em que a os dados de voz eram apresentada em coletiva de imprensa. O site colocou como principal manchete o último grito de desespero do piloto (‘X’ disse o piloto antes de bater ). Como qualquer cidadão que tenha ficado indignado com o desastre aéreo, quero conhecer o conteúdo da caixa preta para descobrir as causas do acidente e cobrar os responsáveis para que uma lástima como essa não se repita. O que importa nesse caso é que os pilotos não tentaram arremeter, a torre descreveu a pista como “molhada e escorregadia”, que o comandante afirmou não conseguir desacelerar a aeronave, e o ruído de uma turbina acelerando. No entanto, para a Folha Online, nada disso é digno de manchete; o que interessa é o berro de dor e desespero, o sofrimento privado do piloto antes de sua brutal morte. Interpreto isso como sensacionalismo da pior espécie, o que no cinema chama-se de “gore”, um postura abutre, mais que qualquer outra coisa. Repito: o que interessa nas caixas pretas é saber as causas da tragédia, não explorar as dores particulares dos falecidos. Isso não é esconder a gravidade da tragédia, mas ter o afastamento e respeito mínimo pela dor dos outros.

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