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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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O papel dos aplicativos na comunicação social

Por Wilton Garcia em 18/12/2015 na edição 881

Um juiz da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, em São Paulo, decretou o bloqueio do aplicativo tecnológico WhatsApp no Brasil. A suspensão temporária aconteceu a partir da 0h da última quinta-feira (17/12), por um período de 48 horas – http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/16/whatsapp-e-bloqueado-por-48h-no-brasil-por-decisao-da-justica-de-sao-paulo.htm.

A decisão obrigou as operadoras de telefonia a tirar o aplicativo do ar no país inteiro, independente do uso de conexões móveis ou rede Wi-Fi, o que impede o acesso a brasileiros. Seria, quem sabe, castigo, punição, retaliação? Ou um ato de concorrência?

A decisão foi tomada em um procedimento criminal, que corre em segredo de justiça, uma vez que o WhatsApp não pretende colaborar na quebra de sigilo de dados de investigados – para respeitar a privacidade do usuário-interator.

Notadamente, uma crise enorme parece se estabelecer no Brasil. Instaura-se uma crise vergonhosa na política governamental, crise econômica gritante no mercado, crise violenta na segurança pública e, agora, crise na comunicação.

Boa parte da população brasileira na internet utiliza o referido aplicativo para questões pessoais e/ou profissionais. Adaptou-se. Aprendeu a conviver desta maneira. É cultural. De acordo com o Ibope, 93% de usuário-interator usam o aplicativo porque é econômico, dinâmico, veloz e flexível. E, como usuário-interator usufrui dessa agilidade da informação oferecida pelo App, registrou-se um elevado número de reclamações – e brincadeiras – nas redes sociais (Facebook, Twitter etc.).

A inevitável concorrência

O WhatsApp surge na mercado-mídia como software para smartphones (telefonia inteligente) com o advento da cultura digital contemporânea. Expande a informação em fluxo, interação e conectividade. Através de rápida conexão na rede mundial de computadores, há uma instantaneidade ofertada pela troca de mensagens com textos, fotos, vídeos e áudios.

O WhatsApp formula-se diante da expressão what’s up? que se traduz, em português, como: qual é? Da pronúncia similar entre app e up, observa-se um jogo de palavras. De modo coloquial, seria a maneira, talvez, de dizer qualé? em inglês e, ao mesmo tempo, dizer que é um aplicativo, por causa do app no final.

Do ponto de vista do campo contemporâneo da comunicação, esse tipo de tecnologia inscreve estrategicamente uma produção de conhecimento e subjetividade. Ou seja, a cultura digital reorganiza a articulação crescente no sistema de informação da mensagem (BAITELLO JR, 2012).

Para Sodré (2014, p. 14), “no necessário rearranjo de pessoas e coisas, a comunicação revela-se como principal forma organizativa”. Dessa lógica, a informação ajuda na composição do mundo. E as representações, em múltiplas (re)configurações, criam um grau significativo de indecidibilidades – a serem complementadas, inclusive pelo consumo (GARCIA; HANNS, 2015).

Inevitavelmente, há a concorrência. Após a queda do WhatsApp, seu concorrente direto – o Telegram – ganhou mais de 1,5 milhão de usuário-interator no Brasil. No entanto, essa avalanche provocou um profundo congestionamento de mensagens nesse outro app; que não tinha essa expectativa, de imediato.

Eis um dilema!

A sede de conexão no mundo virtual vira potência a imperar sobre a subjetividade humana. Essa necessidade de se comunicar aponta para a crise da conectividade digital no campo contemporâneo da comunicação. Portanto, a noção de contemporâneo (re)faz-se multidimensional de um por vir (PELPART, 2011). O que pode ter acréscimo, quando necessário for.

Referências

BAITELLO JR., Norval. O pensamento sentado: sobre glúteos, cadeiras e imagens. Porto Alegre: Editora Unisinos, 2012.

GARCIA, Wilton; HANNS, Daniela Kutschat. #consumo_tecnológico. São Paulo: Hagrado edições, 2015.

PELBART, Peter Pál. Vida capital: ensaios de biopolítica. São Paulo: Iluminuras, 2011.

SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

***

Wilton Garcia é doutor em  Comunicação pela USP, professor na Fatec (Itaquacetuba) e no mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso (Sorocaba).

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