Sábado, 25 de Fevereiro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº935

JORNAL DE DEBATES > LIBERDADE DE IMPRENSA

2006, o ano de todos os perigos

02/02/2007 na edição 418

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou na quinta-feira (1/2) seu relatório anual sobre a liberdade de imprensa. A pesquisa analisa a liberdade de imprensa em 98 países – incluindo as principais violações dos direitos dos jornalistas em 2006 e aspectos regionais da liberdade da mídia e da internet. O documento completo (em inglês, francês, espanhol e árabe) pode ser lido no sítio da Repórteres Sem Fronteiras. A lista inclui ‘as piores violações em países repressivos, como Coréia do Norte, Eritréia, Cuba e Turcomenistão, e ao mesmo tempo aborda democracias, onde também é preciso progresso’, de acordo com a organização.


O relatório, já na introdução, ressalta que 2006 foi um ano extremamente letal para jornalistas, com número recorde de profissionais de imprensa mortos e presos em todo o mundo. ‘E nós já estamos preocupados com 2007, pois apenas em janeiro seis jornalistas e quatro assistentes de mídia foram mortos’, diz a RSF, acrescentando que, além dos números, há também a falta de interesse de países democráticos em ‘defender os valores que eles deveriam materializar’. A organização ressalta que, enquanto quase todos dizem acreditar nos direitos humanos, há muita omissão nesta área. ‘Nós imaginamos quem teria a autoridade moral necessária para tomar uma posição de princípios em favor destas liberdades’, diz o documento.


Panorama mundial


A publicação de cartuns do profeta Maomé em um jornal dinamarquês chamou a atenção do mundo em 2006 para questões como liberdade de expressão e respeito a crenças religiosas. Países democráticos não defenderam a Dinamarca, que teve embaixadas atacadas, e nem defenderam os jornalistas que foram ameaçados e presos. A Europa, especialmente, parece ter optado pelo silêncio por medo de ofender os regimes árabes ou muçulmanos, afirma a organização.


Por outro lado, profissionais de imprensa no Oriente Médio foram, mais uma vez, vítimas da instabilidade crônica da região. No Iraque, 65 jornalistas e assistentes de mídia foram mortos. Seqüestros se tornaram rotineiros no país e nos territórios palestinos. ‘Apesar das repetidas promessas’, diz a RSF, os governos da região não tiveram avanços na introdução de princípios democráticos.


Na América Latina, os freqüentes assassinatos de jornalistas no México, as dezenas de profissionais de imprensa que permanecem encarcerados por discordar do regime de Fidel Castro, em Cuba, e a difícil situação na Bolívia são sinais que devem ser observados pela comunidade internacional. [Ver aqui o capítulo dedicado ao Brasil.]


Os números relacionados às violações da liberdade de expressão na Ásia assustam: foram 16 profissionais de mídia mortos, pelo menos 328 presos, 517 atacados fisicamente ou ameaçados e 478 veículos censurados, em 2006.


Em muitos países africanos, há uma falta de confiança em veículos de comunicação e seus profissionais. Assassinos de jornalistas no continente acabam impunes e, pior, são protegidos por governos e políticos poderosos em países como Gâmbia e Burkina Fasso.


Na internet, a repressão parece avançar a cada ano. Hoje, são pelo menos 60 pessoas na prisão por fazer críticas online a seus governos. A China é a principal vilã, seguida pelo Vietnã, Síria, Tunísia, Líbia e Irã. Nestes países, cada vez mais blogueiros e ciberdissidentes acabam na cadeia por se expressar na rede.

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