Terça-feira, 28 de Abril de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 18 - nº 847

JORNAL DE DEBATES > MULHERES RICAS

Clichês sobre a riqueza e a futilidade

Por Mauricio Stycer em 06/03/2012 na edição 684
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 4/3/2012; título original: “Programa pôs em cena clichês sobre a riqueza e a futilidade”; intertítulo do OI

Em agosto de 2011, acompanhada de uma equipe da Band, Val Marchiori foi ao aeroporto de Congonhas, onde ocorria uma feira de aviação executiva, entrou no estande de um dos expositores e, diante do primeiro homem que apareceu para recebê-la, pediu: “Só você para me ajudar nesta empreitada. Temos um avião the best?” “Com certeza”, ele respondeu.

Caminhando na pista, Val observou: “Ah, tão bom fazer comprinhas, né? Para mim é como se estivesse comprando uma blusa nova, sabe?” Já dentro do jato, disse: “Preciso ligar para o marido e convencê-lo que estou apaixonada por este avião.” Val recorreu a um telefone do jato e falou: “Neném, encontrei um avião que é a nossa cara.” Em seguida, explicou para o público: “O marido está de mau humor. Não quer comprar avião hoje.”

A Band definiu Mulheres Ricas como um docu-reality, ou seja, um documentário sobre o cotidiano de cinco mulheres do segmento AAA. Creio que esta cena, exibida no primeiro episódio, mostra que o programa foi uma encenação canhestra dos clichês mais batidos sobre riqueza e futilidade. Estimulando Val e as outras quatro participantes (Narciza Tamborindeguy, Lydia Sayeg, Brunete Fraccaroli e Débora Rodrigues) a se exibirem em situações constrangedoras e a falar bobagens, Mulheres Ricas foi muito bem-sucedido em provocar a antipatia do público pelas personagens.

Barulho, gargalhadas e irritação

Com isso, a Band transformou o programa em “assunto” – um feito e tanto na feroz competição da TV aberta. Para o bem ou para o mal, depois de dois meses, o substituto do CQC vai ao ar pela última vez nesta segunda-feira com muita repercussão, índices de audiência razoáveis, sucesso comercial, exposição de inúmeras marcas e muita promoção pessoal para as participantes. Se o saldo, para todos os envolvidos, parece positivo, o mesmo não é possível dizer da qualidade do programa.

Longe de ser um reality show, Mulheres Ricas foi um seriado de humor mal dirigido, com texto batido e intérpretes de pouco talento. Pelo barulho que fez, pelas gargalhadas que provocou e pela irritação que causou, é possível afirmar, com segurança, que haverá uma segunda temporada em breve.

***

[Mauricio Stycer é repórter e crítico do portal UOL]

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TV EM QUESTãO > MULHERES RICAS

Clichês sobre a riqueza e a futilidade

Por Mauricio Stycer em 06/03/2012 na edição 684
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 4/3/2012; título original: “Programa pôs em cena clichês sobre a riqueza e a futilidade”; intertítulo do OI

Em agosto de 2011, acompanhada de uma equipe da Band, Val Marchiori foi ao aeroporto de Congonhas, onde ocorria uma feira de aviação executiva, entrou no estande de um dos expositores e, diante do primeiro homem que apareceu para recebê-la, pediu: “Só você para me ajudar nesta empreitada. Temos um avião the best?” “Com certeza”, ele respondeu.

Caminhando na pista, Val observou: “Ah, tão bom fazer comprinhas, né? Para mim é como se estivesse comprando uma blusa nova, sabe?” Já dentro do jato, disse: “Preciso ligar para o marido e convencê-lo que estou apaixonada por este avião.” Val recorreu a um telefone do jato e falou: “Neném, encontrei um avião que é a nossa cara.” Em seguida, explicou para o público: “O marido está de mau humor. Não quer comprar avião hoje.”

A Band definiu Mulheres Ricas como um docu-reality, ou seja, um documentário sobre o cotidiano de cinco mulheres do segmento AAA. Creio que esta cena, exibida no primeiro episódio, mostra que o programa foi uma encenação canhestra dos clichês mais batidos sobre riqueza e futilidade. Estimulando Val e as outras quatro participantes (Narciza Tamborindeguy, Lydia Sayeg, Brunete Fraccaroli e Débora Rodrigues) a se exibirem em situações constrangedoras e a falar bobagens, Mulheres Ricas foi muito bem-sucedido em provocar a antipatia do público pelas personagens.

Barulho, gargalhadas e irritação

Com isso, a Band transformou o programa em “assunto” – um feito e tanto na feroz competição da TV aberta. Para o bem ou para o mal, depois de dois meses, o substituto do CQC vai ao ar pela última vez nesta segunda-feira com muita repercussão, índices de audiência razoáveis, sucesso comercial, exposição de inúmeras marcas e muita promoção pessoal para as participantes. Se o saldo, para todos os envolvidos, parece positivo, o mesmo não é possível dizer da qualidade do programa.

Longe de ser um reality show, Mulheres Ricas foi um seriado de humor mal dirigido, com texto batido e intérpretes de pouco talento. Pelo barulho que fez, pelas gargalhadas que provocou e pela irritação que causou, é possível afirmar, com segurança, que haverá uma segunda temporada em breve.

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[Mauricio Stycer é repórter e crítico do portal UOL]

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