Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > ENTREVISTA / MONTSERRAT DOMÍNGUEZ

Jornalismo na internet não pode ser reprodução do impresso

Por Sylvia Colombo em 03/04/2012 na edição 688
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 27/3/2012; título original “Jornalismo na internet não pode ser reprodução do impresso, diz editora”

“A internet tem muito a aprender com o rádio. O imediatismo e a reação do público são velhos conhecidos dos que trabalham com esse meio. A rede precisa aprimorar essa relação, e não reproduzir o jornal impresso”, diz Montserrat Domínguez, 41. A jornalista espanhola recebeu a Folha para entrevista no estúdio de A Vivir que Son Dos Días, programa matutino líder de audiência que Domínguez apresenta aos fins de semana pela emissora Ser, sediada em Madri.

Montserrat acaba de aceitar o convite para comandar El Huffington Post, versão hispânica do site de notícias e agregador de blogs criado em 2005 nos EUA por Arianna Huffington e Kenneth Lerer e que teve 37 milhões de visitas em janeiro deste ano. Assim como o original norte-americano, El Huffington Post, que estreia em junho, reunirá conteúdos de diferentes publicações virtuais. Além disso, terá produção de material local, a cargo de uma equipe de oito jornalistas, com base na Espanha, e também colaborações de profissionais de outros países latino-americanos. “É preciso ter claro que a Espanha e a América Latina hoje não são os EUA de 2005. Ou seja, temos de saber como interessar nossos leitores. Naquela época, algo como o Huffington Post era uma novidade lá. Agora, muitos internautas daqui também já conhecem sua linguagem. É preciso trazer algo novo”, diz.

A jornalista acrescenta que vai dar ênfase a assuntos que possam atrair toda a população que fala espanhol. “Há coisas que são de interesse comum de todos esses países. Para ficar em alguns exemplos, a crise econômica que afeta a Europa e, por consequência, o outro lado do Atlântico. O populismo e o futuro da esquerda, que é parte do debate político em ambos os continentes.”

Brasil

Domínguez diz que prestará muita atenção no Brasil. “É um lugar onde muita coisa está acontecendo e que está se integrando mais à região. É possível que queiramos traduzir coisas publicadas lá.”

A jornalista conheceu Arianna Huffington no ano passado, quando esta visitou a Espanha para buscar parceiros para a ideia. Antes do atual programa, Domínguez trabalhou em outras rádios e TVs locais e na agência Efe.

Estudou jornalismo na Universidade Columbia, nos EUA. Também escreve uma coluna semanal no jornal La Vanguardia, da Catalunha.

Modelo

“Estamos num momento de crise. O modelo que conhecíamos já não existe mais, mas o jornalismo segue vivo e cada vez mais necessário. O Huffington é uma espécie de guia do que melhor há na rede. Hoje são muitos os meios digitais, o leitor é carente de orientação”, afirma.

Para ela, os blogs que alimentarão o site não devem ser considerados jornalismo. “Exercem a função de comentar, analisar, interagir, até de corrigir. Mas o conteúdo jornalístico nós é quem temos de oferecer.”

O Grupo Prisa, que edita o jornal El País e a quem a emissora Ser pertence, terá 50% do El Huffington Post (os outros 50% serão de Arianna), mas Domínguez afirma que a liberdade editorial é total. “Um projeto desses não pode ser dependente de ninguém. O espírito dele é a liberdade.” Porém, ela afirma que haverá muita interação com os outros Huffington Posts – já existem versões no Reino Unido, França e no Canadá, e em negociação em outros países, como o Brasil.

***

[Sylvia Colombo, da Folha de S.Paulo]

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