Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > MÍDIA & HISTÓRIA

Em quem acreditar?

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 12/06/2012 na edição 698

Em 4 de junho comemorou-se o 23º aniversário do massacre na Praça da Paz Celestial, na China. As estimativas dos números das mortes civis na repressão do governo comunista chinês aos protestos dos estudantes na ocasião variaram entre 400 a 800 vítimas, segundo publicou na época o jornal americano The New York Times, mas segundo a Cruz Vermelha chinesa o número chegou a quase três mil.Porém, para os estudantes sobreviventes organizadores do protesto, os números se aproximam de quase dez mil vítimas.

No dia 4 de fevereiro de 1946, Die Zeitung, órgão semioficial das forças aliadas, publicou matéria dizendo que o número de judeus mortos na II Guerra no denominado Holocausto era de 5.012.000, mas na edição de 1º de maio do mesmo ano o New York Times, da família judaica Ochs, publicou que o número era na verdade de seis milhões de vítimas.

Seis anos depois, no dia 11 de maio de 1952, o professor judeu Listojewski declarou à revista The Broom, de San Diego, na Califórnia, nos EUA, sem que haja até hoje contestação, que “como estatístico, tenho me esforçado durante dois anos e meio em averiguar o número de judeus que pereceram durante a época de Hitler. A cifra oscila entre 350.000 e 500.000. Se nós, os judeus, afirmamos que foram 6.000.000, isto é uma infame mentira”.

A história escrita pelos vencedores

O professor judeu Norman G. Finkelstein, da Universidade de Nova York, no seu livro A indústria do Holocausto, editora brasileira Record, 6ª edição, ano 2010, na pág. 135, diz: “(…) O total de 6 milhões [de judeus mortos] não só fica mais insustentável, como os números da indústria do Holocausto se aproximam dos daqueles que negam o Holocausto. Levemos em consideração que o líder nazista Heinrich Himmler avaliou a população total dos campos, em janeiro de 1945, em menos de 700.000 e que, segundo Friedlander, cerca de um terço [233 mil] desse número foi eliminado por volta do mês de maio.”

Há interesses inconfessáveis em aumentar ou diminuir números de mortos em tragédias que causam comoção social, mas os motivos para tanto podem ser diversos. Porém deve-se registrar que a imprensa sempre se açoda para divulgar um número que, depois de proclamado, quase nunca deseja resgatar a verdade. No caso do massacre na Praça da Paz Celestial, na China, a questão da censura chinesa pode ter induzido ao erro o New York Times na divulgação do total de número de vítimas, mas no da II Guerra parece que prevaleceu a regra fundamental dos historiadores: a história é escrita pelos vencedores…

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[Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista, Fortaleza, CE]

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