Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > MÍDIA & FUTEBOL

Dinheiro da TV irriga gramados europeus

Por Keith Weir em 10/09/2013 na edição 763
Reproduzido do Valor Econômico, 4/9/2013; intertítulo do OI

Os clubes de futebol da Europa estão reinvestindo o dinheiro ganho da TV por acordos de transmissão em uma onda recorde de contratações liderada pela principal liga inglesa, a English Premier League, que gastou 630 milhões de libras (US$ 980,5 milhões) até o prazo final para transferência de atletas, anteontem, e pelos espanhóis Real Madrid e Barcelona.

Agora, os maiores times das ligas europeias terão de esperar até janeiro para voltar contratar jogadores. Os gastos dos clubes ingleses quebraram o recorde de 500 milhões de libras, estabelecido em 2008, segundo dados da consultoria Deloitte, reforçando a condição da Premier League como a liga nacional mais rica do mundo.

“Na medida em que aumenta a recompensa financeira pela participação e sucesso na Premier League, os clubes estão investindo em jogadores para assegurar que continuarão se beneficiando da incrível história de crescimento da liga”, diz Dan Jones, da Deloitte.

O atual campeão, Manchester United, e os outros 19 times da Premier League deverão dividir uma receita em torno de 1,6 bilhão de libras na atual temporada, após acordos com a BSkyB e a BT no Reino Unido, e redes de TV de todas as partes do mundo, que começaram a ser firmados no mês passado.

Mas nem tudo tem sido uma via de mão única, uma vez que a Premier League perdeu um de seus maiores nomes com a venda do jogador galês Gareth Bale, do Tottenham Hotspur, para o Real Madrid, pelo recorde mundial de € 100 milhões. Para não ficar para trás, o rival Barcelona comprou o brasileiro Neymar, do Santos, por US$ 75 milhões.

Superávit relevante

O gasto dessas somas pode parecer desafiar a lógica, diante da situação econômica da Espanha, mas Real Madrid e Barcelona têm o luxo de poder firmar seus próprios contratos com as redes de TV, em vez de dividirem as receitas de transmissão, como acontece na Inglaterra e outras grandes ligas. Isso fez dos dois clubes os mais ricos do mundo em receita, o que permitiu a eles continuarem compradores quando muitos outros times espanhóis estão sendo forçados a vender seus melhores atletas.

Os gastos gerais também podem provocar surpresa quando clubes deficitários deveriam estar se enquadrando às novas regras Financial Fair Play, implementadas pela UEFA, a confederação europeia de futebol, para colocar o futebol em uma base financeira mais sólida. “Muitos clubes ingleses gastaram dinheiro demais, mas não quebraram as regras do Financial Fair Play porque estão gastando só o que ganharam”, diz Simon Chadwick, professor de negócios esportivos da Coventry University da Inglaterra.

Os clubes também têm a vantagem de poder diluir em suas contas o custo da transferência de um jogador ao longo da duração de seu contrato, reduzindo o impacto em seus balanços. E muitos times se desfazem de jogadores para ajudar a bancar a compra de outros. O Real Madrid recuperou metade do que pagou por Bale com a venda do meia alemão, Mesut Ozil, para o Arsenal, da Inglaterra.

De fato, o total investido pelos clubes da Premier League fica abaixo de 400 milhões de libras quando se computa os recursos obtidos com vendas como a de Bale. E os times espanhóis tiveram superávit de 95 milhões de libras com as transações de atletas neste verão europeu, segundo a Deloitte, enquanto a deficitária Serie A, da Itália, apurou pequeno lucro.

******

Keith Weir, da Reuters, em Londres

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem