Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > RUAS EM TRANSE

Qual é o futuro dos black blocs no ano da Copa?

Por Bruno Paes Manso em 18/02/2014 na edição 786
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 11/2/2014; intertítulo do OI

Desde junho, fomos atingidos por uma onda de novidades que até agora estamos tentando assimilar. Eu me lembro de cobrir a terceira manifestação de rua de junho, quando vi pela primeira vez um grupo de manifestantes subindo a Avenida Brigadeiro Luís Antonio a quebrar deliberadamente vidraças de bancos. Antes, alguns mascarados já haviam destruído as janelas de um ônibus. Achei que eram arruaceiros.

Eu não compreendi, em um primeiro momento, o significado daquela situação. Depois me explicaram que se tratava de tática Black Bloc. Passadas algumas semanas, ficou evidente que a desobediência urbana e a reação às investidas policiais pela depredação se tornaram estratégia nas ruas.

Se não houvesse as ações diretas, não ocorreria o massacre praticado diante das câmeras pela PM na quarta manifestação de junho. Como resultado, dificilmente o preço da tarifa de ônibus seria reduzido e as manifestações não teriam o mesmo apelo em São Paulo e no restante do Brasil. É impossível negar: a tática Black Bloc foi uma grande novidade nas ruas e uma estratégia eficiente em junho.

Em um segundo momento, no entanto, com a chegada de julho e os protestos das Copas das Confederações, uma segunda geração Black Bloc começou a encher as passeatas. A depredação parecia ser, acima de tudo, manifestação de raiva acumulada. O movimento deixava de ter demanda clara. Black blocs chegavam para “aloprar” eventos esportivos, protestos em defesa dos índios, greve de professores.

Momento de inovar

A tática de ação direta foi se desgastando e as cenas de vandalismo saturaram a população. A morte trágica do jornalista da Band talvez tenha sido a gota d’água. Qual deve ser o futuro dos black blocs? Creio que se podem dizer duas coisas:

1) Os protestos contra a Copa são altamente provocadores e transformadores. Acusam políticos de todos os partidos. Talvez continuem por serem relevantes. Sinalizam um basta ao circo dos políticos. É a cara da geração atual de manifestantes;

2) A tática Black Bloc, no entanto, visivelmente se desgastou entre os próprios manifestantes. Táticas White Blocs (pacifistas) de manifestações ou Pink Blocs (festivas e lúdicas) talvez devessem entrar na pauta. É momento de inovar. De novo.

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Bruno Paes Manso é blogueiro do Estadao.com

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