Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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JORNAL DE DEBATES > ECOS DOS PROTESTOS

Freixo e a violência

Por Mauro Malin em 25/02/2014 na edição 787

O maior desafio enfrentado pelo deputado Marcelo Freixo, pré-candidato a governador do Rio de Janeiro e alvo de ofensiva difamatória típica do Globo, não sai no jornal. É a luta interna dentro de seu partido, o PSOL, pelo qual se reelegeu deputado estadual.

Freixo é um democrata que condena todas as formas de violência. O Globo o acusou de ser de alguma maneira ligado a black blocs, vândalos, mascarados e quejandos –, inclusive idiotas que nem sabem direito o que vão fazer na rua –, após o assassinato do repórter cinematográfico Santiago Andrade (6/2/2014; a morte ocorreu no dia 10). Forçou a barra.

O jornal publicou um editorial em autodefesa (“O dever de um jornal“), depois um artigo de Freixo ( “A exaltação de um factoide“) e um segundo editorial (“O dever de um jornal – II“). O texto de Freixo não continha uma condenação às formas de luta que uma corrente de seu partido define como “violência revolucionária”. Apenas dizia que ele, Freixo, não teve qualquer ligação com a tragédia de Santiago, a primeira morte cometida por manifestantes num protesto de rua em décadas de história republicana. Acessoriamente, continha erros factuais sobre a cobertura jornalística do Globo que, revelados pelo jornal, enfraqueceram a argumentação.

Não ata nem desata

Por que Freixo não pode, ou não pôde até aqui, ser categórico numa condenação que corresponde ao seu modo de pensar e agir? Porque a direção do PSOL, tão dividida quanto o partido, não o apoiaria. Divisão é uma sina dos partidos, eles mesmos, o nome já o diz, resultado do confronto de ideias, interesses e emoções na sociedade.

Nas esquerdas, a divisão é geralmente fruto de concepções diferentes sobre os caminhos para chegar ao poder. Enquanto não estão no poder. Depois, é cada vez mais uma questão de interesses em choque.

Freixo fez uma boa campanha para prefeito em 2010. Mostrou-se maior do que o PSOL, que não chiou. Por alguma razão, o deputado não pode agora reeditar esse comportamento. Mas isso não sai no jornal. E não tem nada de secreto. É uma questão de qualidade da apuração. Não investigação, tarefa da polícia, por mais que jornalistas e policiais sejam duas tribos com cacoetes profissionais semelhantes: apuração. Afinal, trata-se de um nome com potencial para influir nos rumos das eleições de 2014.

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