Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > ‘O CAPITAL DO SÉCULO 21’

‘Economist’ diz que críticas do ‘FT’ a Piketty não se sustentam

Por ‘OG’ em 27/05/2014 na edição 800
Reproduzido do Globo.com, 24/5/2014

Após o jornal britânico “Financial Times” pôr em xeque a pesquisa feita pelo economista francês Thomas Piketty no best-seller “O capital no século XXI”, alegando que alguns dados estão errados, o blog Free Exchange da revista inglesa “The Economist” afirma que a análise do editor de Economia do diário, Chris Giles, parece não se sustentar.

De acordo com o blog, há quatro questões fundamentais levantadas pelo “FT” que precisam ser esclarecidas: “primeiro, qual informação está errada? Segundo, como os erros no trabalho, se são erros, foram apresentados? Terceiro, como esses erros afetam pontos específicos em capítulos relevantes? E quarto, como os erros afetam as conclusões fundamentais do livro”.

O blog da “Economist” lembra que os dados usados por Piketty são fruto da base de dados criada por ele e outros economistas após décadas de estudo, a World Top Income Database, e que ela não parece estar em xeque, já que Giles se concentra na desigualdade de renda citada no capítulo 10 do livro. E destaca que grande parte da análise desse capítulo foi feita especificamente para o livro, com base em pesquisas de outros estudiosos. Além disso, o blog afirma que a análise do francês sobre desigualdade é um dos componentes do argumento do livro, mas não é correto dizer, como Giles faz, que os resultados do capítulo 10 são o “tema central” do livro.

Publicação diz que não é fácil identificar se dados estão de fato errados

O blog Free Exchange da revista “The Economist” diz que não é fácil afirmar se estão errados os dados usados no livro do francês Thomas Piketty, como fez o editor de Economia do “FT”, Chris Giles. E diz que o autor merece o benefício da dúvida.

“Não é fácil identificar se os dados estão de fato errados. Há alguns casos em que parece ter havido um erro de transcrição, pegando os dados de uma linha em vez de outra, mas não há certeza. Giles afirma que os dados do livro são muitas vezes vagos e raramente perfeitamente comparáveis; qualquer análise exigiria ajustes para esses dados. Mas, como o economista Justin Wolfers escreve no ‘New York Times’, ‘ainda não está claro se a causa são erros óbvios, como aponta o jornal, ou de julgamento, onde talvez o economista profissional merece o benefício da dúvida’.”

Em relação a como Piketty chegou a esses erros, o blog diz que, como alguns dos dados não têm documentação, Giles não tem evidências para justificar que “alguns números parecem ter sido construídos ao vento.” E diz que “manipulação ou criação de dados é uma acusação muito séria”.

O terceiro ponto, sobre mudança no resultado, o blog considera que não é óbvio que Piketty tenha cometido um erro gritante. Além disso, lembra que é um desafio entender o que pode ter acontecido sem mais explicações do francês. Em relação a quarta e última questão, sobre se as conclusões do livro são afetadas, o blog diz que as conclusões de Giles não dão uma resposta final.

O blog diferencia o debate acadêmico de um julgamento de opinião pública, elogia a disponibilidade dos dados do autor on-line, mas mostra os riscos dessa decisão. Também ressalta a perspicácia de Giles e as boas vendas geradas para o “FT”. E finaliza dizendo que “com o tempo, ficará claro se Piketty é um profeta dos cálculos ou outra coisa”.

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