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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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JORNAL DE DEBATES > VIGILÂNCIA & PRIVACIDADE

Snowden, um ano depois

Por Ligia Aguilhar e Murilo Roncolato em 10/06/2014 na edição 802
Reproduzido do Estadão.com, 6/6/2014

Não se engane, espionagem não nasceu nos Estados Unidos, nem foi inventada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) deles. A prática é tão antiga quanto a vontade de empresas e governos saberem os segredos dos seus rivais. A internet só tornou o trabalho de todo espião mais fácil.

Edward Snowden sabe disso, trabalhou na área de inteligência e TI para o governo americano desde os seus 23 anos. Há um ano, o nome do ex-agente, então com 29 anos, era o mais falado no mundo. Tudo porque vazou documentos sensíveis do seu país e escancarar algo que já bem se desconfiava: todos estão sendo ou podem ser vigiados pela máquina de espionagem americana. “Hackeamos todos em qualquer lugar” é uma de suas frases.

Ele abandonou namorada, emprego estável (que pagava, segundo a empresa, algo em torno de US$ 122 mil por mês), colocou sua sua família e amigos – com os quais não pode mais se comunicar – na mira dos Estados Unidos, e se condenou a possivelmente viver o resto da vida longe de casa, com medo de ser preso ou morto a qualquer momento.

Snowden também sabia disso, mas alega não ter suportado viver sabendo que o governo do seu país fazia “esse tipo de coisa”. Pior. O alcance da NSA e agências aliadas é imprevisível e “apavorante”. Enquanto isso, as formas de prevenção são, quase sempre, ineficientes. Em nome da guerra contra o terrorismo, “nós coletamos mais informações sobre os EUA do que sobre os russos”, já disse o ex-agente.

O conteúdo dos documentos revelado pelos jornais Washington PostThe Guardian e, mais recentemente, peloThe Intercept – criado pelos braços direitos de Snowden, Glenn Greewald e Laura Poitras – gerou um efeito dominó. Barack Obama teve de explicar as ações do seu governo ao povo americano e a chefes de Estado – como Dilma Rousseff, que cancelou a visita que faria ao país e fez um duro discurso durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) –, e ainda arquitetar uma reforma da NSA, já aprovada na Câmara e a caminho do Senado americano.

De resto, ficou a paranoia e a desconfiança. Como efeito, leis de internet e privacidade, como o Marco Civil da Internet brasileiro – que só ganhou urgência e foi aprovado em um contexto pós-Snowden – são discutidas em diferentes países; empresas como Google e Yahoo! passaram a adotar criptografia em seus sistemas; e usuários começam a se familiarizar com soluções como Tor, para navegação anônima, e PGP, para e-mails protegidos, enquanto aplicativos móveis e celulares que se anunciam seguros vão surgindo e ganhando cada vez mais popularidade.

Agora o tempo de Snowden na Rússia está acabando. Seu asilo no país, concedido com prazo de um ano por Vladimir Putin, tem agosto como prazo. Se tiver sorte, a hospedagem pode ser prorrogada. Caso contrário, terá de procurar outro lugar para se esconder enquanto novos vazamentos, contendo o que Snowden chama de “crimes” da “agência de inteligência mais poderosa do mundo”, continuam a ser revelados mundo afora.

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Quem é Edward Snowden

Perfil

Nome: Edward Joseph Snowden

Data de nascimento: 21/06/1983

Local de nascimento: Elizabeth City, Carolina do Norte, EUA

Anos antes de se tornar conhecido por vazar documentos sigilosos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden escreveu em um fórum na internet do site de tecnologia Ars Tecnica, onde se identificava como The TrueHOOHA, que “delatores deveriam ser alvejados”.

Ao participar de uma conferência TED em 18 de março deste ano por meio de videoconferência, Snowden foi questionado pelo mediador: “Você já foi chamado de informante, traidor e herói. Como você se descreveria?”

A resposta que Snowden deu anos depois na conferência TED mostra que muito mudou em poucos anos de vida e trabalho para serviços de inteligência. Ali, falando para a plateia de um lugar desconhecido da Rússia, onde está asilado atualmente por ter se tornado um delator – possivelmente um dos maiores da história – Snowden sugeriu não se importar com sua imagem. O que estava em jogo eram suas convicções.

“Todo mundo envolvido no debate tem se esforçado em descrever a mim ou minha personalidade. Mas quando eu penso no assunto, acredito que essa não é a pergunta que nós deveríamos estar nos esforçando para responder. Quem eu sou não importa. Se eu for a pior pessoa no mundo, você pode me odiar e seguir em frente. O que importa aqui são os problemas. O que importa é qual governo queremos? Qual tipo de internet queremos? Que tipo de relacionamento queremos entre pessoas e a sociedade. (…) Se eu tivesse que me descrever, não usaria as palavras herói, patriota ou traidor. Eu diria que sou americano e sou um cidadão como todo mundo”, afirmou.

O que mudou e levou o técnico de segurança da informação a tornar-se um dos maiores delatores da história? No vídeo gravado pela documentarista Laura Poitras, que trabalhou com o jornalista Glenn Greenwald para revelar os documentos roubados da NSA, Snowden diz que ao estar em uma posição privilegiada, viu coisas que o fizeram mudar de opinião. “Não quero viver em um mundo onde tudo que digo, tudo que faço, todos com quem converso, todas as expressões de criatividade, amor ou amizade estejam sendo gravadas”.

Em entrevista ao programa Fantástico, Snowden afirma que o ponto sem volta para ele foi quando viu no Congresso americano, James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, levantar a mão e jurar dizer a verdade. “Perguntaram para ele: ‘Os Estados Unidos monitoram informações de milhões de americanos?’ E ele disse: ‘Não’. E eu sabia que era mentira. Os deputados da comissão também sabiam que era mentira. E ninguém disse nada”, afirmou o ex-agente.

Ao decidir revelar as informações para o mundo, Snowden jogou sua carreira e vida pessoal fora. Mas essa não foi uma decisão tomada da noite para o dia.

Origens

Snowden nasceu na Carolina do Norte, filho de Lonnie Snowden, oficial da Guarda Costeira dos Estados Unidos, e Elizabeth Snowden, funcionária de um tribunal federal de Maryland. O casal se divorciou em 2001.

Chamado pelos mais íntimos de Ed, ele estudou em Anne Arundel, uma cidade entre Washington e Baltimore, nas redondezas da sede da NSA, e não chegou a concluir o ensino médio. Em vez disso, fez cursos técnicos de computação e uma espécie de supletivo. A maior parte do tempo em que estava em casa, porém, era visto em frente ao computador e suas habilidades indicam que era provavelmente um autodidata da área de tecnologia.

Muitas reportagens e análises publicadas até hoje descrevem Snowden como uma patriota, que teria revelado os documentos mais secretos da NSA justamente por prezar excessivamente pelo seu país. Entusiasta da Constituição Americana (tinha uma cópia em cima da sua mesa de trabalho na NSA), simpatizante de ideais libertários, em 2004 se alistou no Exército dos Estados Unidos como soldado das Forças Especiais. Naquele momento sonhava em lutar na guerra do Iraque, porque “sentiu que tinha a obrigação como um ser humano de ajudar a libertar as pessoas da opressão”, disse em entrevista ao The Guardian. Mas nem sequer completou o treinamento porque sofreu um acidente no qual quebrou as duas pernas.

Após se recuperar, Snowden engatou em uma carreira ascendente na área de TI, apesar da pouca idade e falta de um diploma de graduação. No fórum do site Ars Technica, do qual participou ativamente entre 2001 e 2012 como The TrueHOOHA, disse que conseguia bons empregos por ser um “gênio da computação”.

Seu primeiro emprego após o Exército, em 2004, foi como especialista em segurança no Centro de Estudos Linguísticos Avançados da NSA, no campus da Univerisdade de Maryland. Depois foi para o departamento de TI da CIA, que o enviou para trabalhar em Genebra, na Suíça, em 2007, como responsável por manter a segurança da rede de computadores. No livro Os Arquivos Snowden, o jornalista Luke Harding descreve o ex-agente como capitalista, simpatizante dos ideais de Ron Paul (famosos expoente do libertarianismo americano) e defensor de mercados livres. Segundo ele, Snowden era contra o socialismo, a economia keynesiana e o Federal Reserve, banco central americano.

O trabalho em Genebra durou até 2009, quando Snowden pediu demissão da CIA e foi trabalhar em uma base americana da NSA no Japão – ele era apaixonado pela cultura oriental – onde permaneceu até 2012. Foi ali que teria tido pela primeira vez contato mais próximo com material altamente secreto. E possivelmente a primeira decepção. “Eu observava, enquanto Obama prosseguia com as mesmas políticas que achei que seriam refreadas”, disse em entrevista ao The Guardian.

Do Japão foi para o Havaí trabalhar no Centro Regional de Criptografia da NSA, na ilha de Oahu, onde era administrador de sistemas. Relatos indicam que Snowden chegou ao novo emprego já com a intenção de fazer contatos anônimos com jornalistas interessados em liberdades civis para vazar documentos ultrassecretos roubados para eles e mostrar como os programas conduzidos pela NSA violavam a Constituição Americana.

Preparação

No Havai, Snowden foi morar com Lindsay Mills, sua namorada há oito anos e com quem também morou no Japão. Bailarina, professora de dança, personal trainer e especialista em pole-dancing, ela registrava sua vida em um blog, onde postou diversas fotos de si mesma, muitas delas apenas de lingerie, e algumas ao lado de Snowden – que geralmente não mostrava o rosto.

Snowden vivia de forma pacata e discreta com a namorada, com quem não dividiu seus planos de vazar publicamente documentos da NSA. Nos últimos anos, porém, vinha acumulando um ressentimento crescente quanto ao comportamento da inteligência americana. Um dos momentos decisivos para ele teria sido quando teve acesso aos documentos do programa Stellar Wind, que mostram como a NSA recolheu metadados e conteúdo de milhares de americanos sem mandado judicial. Em entrevista ao The New York Times, Snowden disse: “Você não pode ler algo assim sem se dar conta do que aquilo significa para todos os sistemas que temos”.

Foi como funcionário na empresa terceirizada Booz Allen Hamilton, em 2013, que Snowden conseguiu acesso aos documentos da NSA que iria revelar ao mundo, após recusar entrar para um grupo de hackers de elite da NSA. O emprego, segundo revelou posteriormente em entrevista ao Washington Post, dava acesso a listas de máquinas do mundo inteiro que a NSA hackeou. E foi por esse motivo que Snowden aceitou a vaga. Ali, como administrador de sistemas, Snowden conseguiu coletar os documentos ultrassecretos da NSA sem levantar suspeitas, durante a noite e madrugada, salvando tudo em pen drives.

A NSA insiste em dizer que Snowden era um funcionário do baixo escalão que não entendia os documentos que havia coletado. O ex-agente, porém, nega. “É um erro de informação propagado nos Estados Unidos e depois pelo mundo todo de que eu era um empregado de baixo escalão, que copiou documentos que não entendia. Na verdade, eu tinha um cargo alto”, afirmou ao Fantástico.

Quatro semanas após começar a trabalhar na Booz Allen Hamilton, Snowden pediu afastamento por tempo indefinido alegando problemas de saúde. Dias depois, em 20 de maio de 2013, desapareceu.

A revelação

“Eu sou um membro sênior da comunidade de inteligência…”, era assim que começava um dos e-mails enviados por Snowden para a Laura Poitras, identificados apenas com a assinatura Verax (verdadeiro, em Latim).

O objetivo de Snowden era vazar os documentos que havia recolhido sobre a NSA para o jornalista americano Glenn Greenwald, conhecido pelo seu trabalho de defesa das liberdades civis e por ser um comentarista político respeitado. Greenwald morava no Rio de Janeiro e trabalhava para o jornal britânico The Guardian.

As primeiras tentativas de contato de Snowden com Greenwald, em dezembro de 2012, não foram bem-sucedidas, sobretudo porque Snowden solicitou ao jornalista que instalasse em seu computador um programa PGP de criptografia para garantir a segurança das trocas de mensagens. Ocupado com outros trabalhos e sem conseguir instalar o programa, Greenwald perdeu o contato com Snowden.

Para atrair a atenção do jornalista, o ex-agente investiu, em janeiro de 2013, na comunicação com Poitras, conhecida por ter produzido uma trilogia de longas-metragens sobre os EUA após o 11 de setembro. Próxima a Greenwald, foi ela quem o convenceu que a fonte, com quem manteve contato por 4 meses, poderia ser “quente”. Após receber uma amostra de um slide sobre o programa Prism, Poitras convenceu Greenwald a embarcar com ela para Hong Kong para encontrar a fonte pessoalmente e ver o conteúdo dos documentos secretos da NSA.

No dia 20 de maio de 2013, Snowden embarcou em um voo para Hong Kong, onde se hospedou em um hotel e chamou os jornalistas para uma conversa. O ex-agente sabia dos riscos do que estava fazendo, temia que o governo americano descobrisse o roubo de documentos e encontrasse o seu paradeiro antes mesmo de completar a sua missão.

No hotel em Hong Kong, diante de Poitras e Greenwald, Snowden contou como a NSA capturava dados de milhões de norte-americanos, e não apenas de alvos estrangeiros; que a inteligência britânica, a GHCQ, era parceira da NSA e tinha ligado interceptores de dados aos cabos de fibra óptica submarinos responsáveis pelo tráfego de dados de telefone e da internet de pessoas do mundo todo; por fim, falou sobre como as grandes empresas de tecnologia colaboravam com a agência.

No dia 6 de junho o Guardian publicou a primeira matéria sobre o caso. As maiores agências de inteligência do mundo se viram diante do vazamento do século. O fato repercurtiu no mundo todo.

Snowden foi acusado formalmente pelas autoridades federais dos Estados Unidos de espionagem, roubo e transferência de propriedade do governo. O governo americano solicitou sua extradição de Hong Kong, sem sucesso. Em 23 de junho, Snowden embarcou em um voo comercial de Hong Kong para Moscou, sob proteção da jornalista britânica e editora do WikiLeaks Sarah Harrison. Ele tinha como destino final o Equador, mas ficou preso na área de trânsito do aeroporto de Moscou porque os Estados Unidos cancelaram o seu passaporte. “Eu nunca quis ficar na Rússia. Mas os Estados Unidos cancelaram meu passaporte, e eu não pude mais viajar. Fizeram de propósito para poder dizer: ‘Ele é espião russo’”, afirmou Snowden ao Fantástico.

O ex-agente permaneceu no aeroporto até o dia 1 de agosto, quando recebeu asilo temporário no país por um ano.

Em troca, o presidente Vladimir Putin exigiu que ele parasse de divulgar segredos norte-americanos. Venezuela e a Bolívia também ofereceram asilo a Snowden.

Ameaças e premiações

Após instalar-se na Rússia, Snowden ganhou, ao lado de Poitras, o Prêmio Ridenhour por expôr a verdade.

Recebeu o Prêmio Sam Adams, em 2013, que reconhece todo ano um profissional de inteligência que tenha se destacado por assumir uma posição de integridade e ética. E foi indicado para concorrer a uma vaga como finalista ao Prêmio Nobel da Paz em 2014.

Em fevereiro deste ano, foi eleito Reitor da Universidade de Glasgow, vencendo outros três concorrentes com 6.520 votos.

Por outro lado, o ex-agente recebeu também ameaças de morte anônimas, deixadas por agentes de organizações americanas como o Pentágono e a NSA, segundo reportagens da Norddeutscher Rundfunk (NDR), um serviço público de rádio difusão e televisão, com sede em Hamburgo, na Alemanha, e do site BuzzFeed.

Um oficial de alta patente do exército americano chegou a descrever o cenário que ele e seus colegas imaginam para matar Snowden. Ao BuzzFeed, o oficial disse: “Eu acho que se tivéssemos a oportunidade, acabaríamos com isso rapidamente. Apenas de maneira bem casual, quando ele (Snowden) estivesse andando nas ruas de Moscou, após comprar seus mantimentos. No caminho de volta para seu apartamento, ele recebe um esbarrão aparentemente acidental de um transeunte. Ele nem pensa muito sobre isso no momento em que acontece, mas pouco depois se sente um pouco tonto e pensa que é um parasita da água local. Dai, ele vai para casa muito inocentemente e a próxima coisa que você fica sabendo é que ele morreu no chuveiro.”

Outro funcionário teria dito que Snowden não merece qualquer julgamento e deveria ser enforcado.

Enquanto isso, os jornais envolvidos na divulgação do escândalo (The Guardian, The New York Times, Washington Post), se viram diante de dilemas e problemas ao confrontarem algumas das instituições mais poderosas do mundo. No escritório britânico do The Guardian, os jornalistas foram obrigados a destruir todos os computadores sob supervisão de dois especialistas do GHCQ.

Greenwald lançou, em maio de 2014, o livroSem Lugar Para Se Esconder, da Editora Sextante, contando os bastidores da sua apuração e do caso Snowden. A Sony Pictures Entertainment comprou os direitos do livro para a produção de um filme.

O jornalista reencontrou Snowden em maio de 2014 pela primeira vez após a reunião no hotel em Hong Kong. O namorado de Greenwald, o brasileiro David Miranda, postou no Facebook a foto que eternizou o momento. Uma selfie, tirada por Snowden, ao lado de Miranda, Greenwald e Poitras.

O governo americano alega que sua luta contra o terrorismo ficou mais difícil por causa dos documentos divulgados por Snowden, que as revelações atrapalharam as relações com outros países e o acusa de ser traidor. Representantes do governo insistem que o ex-agente deveria voltar aos Estados Unidos para ser julgado por suas ações. Até por que os Estados Unidos não são o único país a ter programas de espionagem.

 “Você não pode ser traidor a menos que a sua lealdade tenha sido transferida para um inimigo do Estado. E a minha lealdade nunca mudou. Mesmo hoje, continuo trabalhando para o governo americano. Não quero derrubar o governo e nem destruir a NSA. Quero que sejam melhores”, disse ao Fantástico.

Leia também

>> Cronologia

>> Personagens

>> Revelações

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Ligia Aguilhar e Murilo Roncolato, do Estado de S.Paulo

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