Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

JORNAL DE DEBATES > ELEIÇÕES 2014

PT revê estratégia na internet e investe nas redes sociais

Por Andrea Jubé em 08/07/2014 na edição 806
Reproduzido do Valor Econômico, 7/7/2014; título original “Depois de protestos, PT revê estratégia na internet e investe nas redes sociais”, intertítulo do OI

Depois que protestos organizados pelas redes sociais levaram 1 milhão de brasileiros às ruas no ano passado para exigir serviços públicos “padrão Fifa” do governo, o PT se viu obrigado a rever sua estratégia de comunicação na internet. A partir desse episódio, o partido reformou sua página oficial, turbinou suas redes sociais e até inscreveu assessores de comunicação em oficinas para aprender a língua dos internautas às vésperas da campanha eleitoral.

Os resultados começam a aparecer: nos últimos oito meses, depois que o PT contratou uma agência especializada para administrar suas páginas na internet, o número de seguidores no Facebook da presidente Dilma Rousseff, administrado pelo partido, cresceu 17 vezes, e as curtidas no perfil da sigla na mesma rede social multiplicaram 5 vezes.

As manifestações organizadas, em sua maioria, pelo Twitter e Facebook foram o estopim de uma realidade que se tornara insustentável: enquanto o mundo se conectava e interagia pelas redes, o PT continuava analógico. Já na campanha de 2010, atribuiu-se o segundo turno a uma onda de boatos nas redes sociais de que Dilma aprovaria a legalização do aborto. Foi a primeira surra virtual do PT.

“O PT sempre teve muita dificuldade com a comunicação porque somos um partido da época do panfleto e do cartaz, demoramos a compreender o papel das redes”, diz o vice-presidente do PT e coordenador de redes sociais, Alberto Cantalice. “Éramos protocolares, estávamos no Face, no Twitter, mas não havia um trabalho sistemático de abastecer os filiados com informações de ações do governo”, completou.

Foi preciso a popularidade da presidente despencar e a militância elevar a pressão sobre os dirigentes partidários e parlamentares para o PT reagir. Em novembro, a sigla contratou a Agência Pepper para se adequar aos novos tempos.

Poder da rede

De outubro até agora, o Facebook de Dilma saltou de 37 mil para 665 mil curtidas. O perfil de Aécio Neves (PSDB) tem 911 mil seguidores e o de Eduardo Campos (PSB) 973 mil. O PT argumenta que as páginas dos adversários de Dilma foram “patrocinadas”, o que não caberia ao perfil da presidente da República. Em contrapartida, o partido alega que o crescimento da página de Dilma é “orgânico”, fruto da interação espontânea dos seguidores.

Nesse mesmo período, o perfil do PT no Facebook saltou de 50,8 mil para 256 mil curtidas, à frente do PSDB (206 mil) e do PSB (64 mil). Hoje o PT tem mais curtidas que o perfil do Partido Republicano dos Estados Unidos (179 mil). Mas está longe da popularidade do Partido Democrata, do presidente Barack Obama, com mais de 700 mil.

O site do PT também foi revitalizado. Da mera publicação de releases e artigos de dirigentes e parlamentares, a página na internet foi transformada em uma “agências de notícias” multimídia, com linguagem jornalística. Repórteres foram contratados e enviados a campo, pautados para relatar obras prioritárias, como a transposição das águas do rio São Francisco.

Em outra frente, Cantalice percorreu 20 capitais ministrando oficinas de redes sociais aos assessores de comunicação dos diretórios estaduais do PT. Eles agora se comunicam e trocam informações diárias por grupos de whatsapp. Se uma informação distorcida se dissemina na rede, a agência se apressa em rebatê-la e disseminar o contraponto.

Mas Cantalice reconhece que o papel da televisão ainda é preponderante sobre a internet na campanha, porque alcança 100% da população. Por isso, acredita que o papel das redes será complementar ao da TV. “O eleitor assiste ao programa, mas vai comentá-lo nas redes. A internet vai ser um fórum de discussão e avaliação da campanha”, define. Ele diz que a postura do partido vai ser positiva, de mostrar as realizações do governo, e deixar eventuais ataques para a oposição.

Um dos focos de preocupação do PT são os jovens, que formam a maioria nas redes sociais, e lideraram as manifestações do ano passado. Eles têm na memória recente apenas os 12 anos de governo petista. “Temos de ter a capacidade de demonstrar o que fizemos nesses anos e também apontar uma perspectiva de futuro, porque boa parte da juventude que vai votar não viveu os períodos anteriores, viveu Lula e Dilma”, observa.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se um dos principais incentivadores do uso da internet. No início do ano, ele gravou um vídeo, dirigido à militância, apontando a rede mundial de computadores como o instrumento que “nos permite ser mais iguais, participar dos meios de comunicação não apenas ouvindo, mas interagindo, dando a nossa opinião”. Em recente evento na Bahia, ao lado de Dilma, Lula tripudiou dos veículos tradicionais: “Até que a televisão perceba que nós existimos, a internet já percebeu que nós existimos há muito tempo”.

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Andrea Jubé, do Valor Econômico

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