Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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De joelhos

Por ‘FSP’ em 05/08/2014 na edição 810

Uma procissão de autoridades, liderada pela presidente da República, pelo governador paulista e pelo prefeito da cidade de São Paulo, dirigiu-se, na última quinta-feira, ao bairro paulistano do Brás para prestigiar a cerimônia inaugural do Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Com proporções bíblicas, a obra tem 74 mil metros quadrados de área construída e foi erguida a um custo de R$ 680 milhões, segundo a igreja. O complexo, revestido com pedras importadas de Israel, conta, entre outras facilidades, com estúdios de rádio e televisão, além de heliponto.

O megatemplo simboliza, com sua ostentação, o ponto a que chegou a carreira de Edir Macedo, pastor neopentecostal, banqueiro e empresário do ramo de comunicações, que lançou a pedra fundamental de sua igreja no ano de 1977, num modesto prédio da zona norte do Rio de Janeiro.

Macedo é hoje um dos homens mais influentes e ricos do país. Beneficiado pela isenção de impostos que a Constituição assegura a templos de qualquer culto, construiu em torno da Universal um conglomerado de empresas. Sua fortuna pessoal chegava a R$ 2 bilhões em 2012, segundo a revista “Forbes”.

Os negócios e o prestígio do bispo assentam-se sobre um conhecido tripé: igreja (com cerca de 2 milhões de fiéis), telecomunicações e atuação política. Nomes ligados à Universal têm obtido algum êxito eleitoral nos diversos níveis de governo e ocupam postos relevantes no Partido Republicano Brasileiro (PRB), fundado pelo ex-vice presidente José Alencar.

Estado laico

As atividades de Macedo têm sido alvo de investigações e processos judiciais, aos quais responde nos foros apropriados. No caso do Templo de Salomão, sabe-se que foi construído com um inadequado alvará de reforma, concedido em 2008 pelo setor de aprovações da Secretaria Municipal de Habitação, então a cargo de Hussein Aref Saab, afastado em 2012 sob suspeita de enriquecimento ilícito.

Por suas características, a edificação deveria ter sido enquadrada como polo gerador de trânsito, o que exigiria outro tipo de autorização e contrapartidas urbanísticas. Por fim, foi inaugurada com alvará provisório emitido pela prefeitura.

Ao fazê-lo, Fernando Haddad (PT) repetiu iniciativa de seu antecessor, Gilberto Kassab (PSD), que forneceu documento análogo em favor do templo católico Mãe de Deus, do padre Marcelo Rossi –em matéria de adulação a igrejas, o poder público é ecumênico.

Oficialmente laico, o Estado brasileiro ainda mantém, na prática, relações no mínimo ambíguas e questionáveis com instituições religiosas –certamente menos por temor a Deus do que pelos seculares interesses eleitorais dos políticos.

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