Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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JORNAL DE DEBATES >

Impropriedades da imprensa

Por Orlando Lemos em 02/09/2014 na edição 814

A mais recente impropriedade, no meu entendimento, é chamar o agora presidiário Roger Abelmassih de ex-médico. Ele não perdeu a condição profissional, apenas está legalmente impedido de exercê-la. O correto a dizer é médico cassado (talvez muito grande para os títulos de nossos jornais e sites). É a mesma impropriedade que cometem os que chamam o falecido, ao falar da viúva, de ex-marido. Ex-marido é divorciado. O sujeito apenas morreu, mas morreu ainda marido.

O vício, vamos chamar assim, mais infame é chamar candidato de presidenciável, um entulho da época da ditadura civil-militar que nos assolou. Na época, o futuro ungido era escolhido dentre alguns que poderiam ser presidente, daí a expressão presidenciável, que no Aurélio é “que ou quem tem qualidades para ser eleito presidente e/ou possibilidade de o ser”. Em nenhum momento o dicionarista usou o termo como sinônimo de candidato. Simplesmente porque não é.

Antes das escolhas partidárias, aí tudo bem. Há sempre os presidenciáveis, pessoas com as qualidades acima descritas. Já no caso de ministeriável está tudo certo, pois não há eleição, mas escolhas e alguns nomes (muitas vezes os mesmos) podem ser indicados para tal ou qual ministério. Idem para secretariável. Mas ninguém fala em deputável ou vereável.

Entulho da ditadura que a imprensa adotou por não meditar ou pela simples facilidade de encontrar um “sinônimo”. Parece a história do antigo e lendário Zé Grande dos tempos sanguinolentos de O Dia. Num dos textos, para não repetir palavra (um mantra na época) ele se saiu com esta pérola: “Mulher, aí estão os peixes. Frite os mesmos.”

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Orlando Lemos é jornalista e tradutor

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