Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

JORNAL DE DEBATES > ELEIÇÕES 2014

Debate mais parecia um programa de auditório

Por Nelson de Sá em 21/10/2014 na edição 821
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 17/10/2014; título original “Análise: Debate mais parecia um programa de auditório do SBT”, intertítulo do OI

No momento de maior choque de todo o debate, abrindo o último bloco, Dilma perguntou sobre dirigir “embriagado ou drogado”, Aécio respondeu falando em “mais baixa das campanhas” e sua claque aplaudiu alto, para reforçar.

Foi então que o âncora Carlos Nascimento fez a sua única intervenção no programa do SBT, a única intervenção jornalística, de fato, num debate do qual eles foram expulsos: “Nós não estamos num programa de auditório”.

Ele estava errado. A plateia não podia se manifestar, embora o tenha feito várias vezes, mas de resto era mais um programa de auditório do SBT. Mais proximamente, era o “Passa ou Repassa”, parte do “Domingo Legal”.

O cenário já se inspirava no “game show”, que opõe adolescentes, com atitude não muito diferente –até melhor, na verdade– do que aquela dos candidatos. A maior diferença era a falta de “Torta na Cara”, atração do programa.

Dilma e Aécio não se atacaram fisicamente, mas verbalmente não poderiam ter sido mais violentos –a ponto de levar à “queda de pressão” de Dilma, durante entrevista no final, o que ela justificou depois pelas exigências do debate.

Boa audiência

Já desde a primeira fala, sorteado, o tucano partiu para o ataque sobre as “denúncias a todo momento” e a Petrobras. Não demorou, poucos minutos de debate, e estavam ambos a falar da “irmã” de um e do “irmão” da outra, com denúncias preparadas.

Abrindo o segundo bloco, uma pausa: pareciam os dois um pouco exaustos pelos golpes, o que resultou em discussão de “propostas”, ou seja, a temperatura caiu –e, via internet, começaram as críticas costumeiras ao tédio dos debates.

Os candidatos, os marqueteiros que se aproximavam como treinadores de boxe durante os intervalos, a própria audiência de eleitores-espectadores em casa: não eram propostas o que todos pareciam querer, era mais sangue.

Daí o longo e ainda mais violento bloco final. Então, não mais adolescentes no “Passa ou Repassa”, Dilma e Aécio incorporaram José Luiz Datena e Marcelo Rezende, locutores dos programas policialescos do horário.

A proclamação de vencedor/vencedora no final, via internet, por partidários, foi tarefa mais risível do que das últimas vezes. Mais do que tudo, perderam ambos, se não em votação, ao menos em civilidade e estatura política.

Se é para tirar conclusão, foi de que estavam os dois certos, ao ofenderem um ao outro. E talvez o público esteja se esgotando, afinal: a audiência foi relativamente alta, mas abaixo do debate da Band, dias antes, em horário pior.

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Nelson de Sá, da Folha de S.Paulo

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