Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

JORNAL DE DEBATES > O BURACO DO METRÔ

A chuva é culpada pelo desastre

Por Alberto Dines em 15/01/2007 na edição 415

A culpa é da chuva. Esta foi a explicação para o desastre ambiental em Miraí (MG) e também para o desabamento na obra da Linha 4 do metrô, em São Paulo.


A desculpa é válida, mas também é válido perguntar: há quanto tempo chove no mundo? O dilúvio bíblico aconteceu por acaso ontem? Enchentes no verão são novidade?


No Japão, a freqüência dos terremotos exigiu a adoção de severos padrões de segurança para enfrentar a intensidade e a repetição dos tremores. O homem apreendeu a conviver com a natureza em todas as partes do mundo. Menos no Brasil, onde cada verão parece ser o primeiro e cada catástrofe é apresentada como inédita.


Índices comparativos


Enchentes, desabamentos ou deslizamentos são fenômenos regulares, anuais, recorrentes, impossível desconhecê-los. A culpa foi da chuva, justificam-se as autoridades ou concessionárias, e a imprensa resigna-se com a desculpa. Mas a função da imprensa não é resignar-se com declarações esfarrapadas. Para reagir à engabelação rotineira, a imprensa precisa estar habilitada.


Convém reparar que no sábado (13/1) as vozes mais indignadas contra a conversa mole do excesso de chuvas foram do deputado ambientalista Fernando Gabeira na Folha de S.Paulo e do jornalista-ambientalista André Trigueiro, na rádio CBN [ver remissões abaixo]. Na sexta-feira (12), no mesmo dia em que a cratera se abriu na Marginal Pinheiros, Washington Novais, o decano dos jornalistas-ambientais, fazia o seu alerta semanal no Estado de S.Paulo contra o nosso descaso diante da temporada de chuvas [remissão abaixo].


E o resto da imprensa? Alguém lembrou de comparar o índice pluviométrico deste verão com o do ano anterior? Dá muito trabalho. A culpa foi da chuva, enterremos os mortos e estamos conversados.

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/01/2007 Maria Izabel Brunacci

    Quanto comedimento, Sr. Dines! Gostaria de vê-lo comedido assim quando comentou minha crítica à colunista Danusa Leão… Tsc, tsc! Por que não deu nome às ‘autoridades ou concessionárias’? Por que não destacou o comentário de Alexandre Garcia no Bom dia Brasil, da também comedida Rede Globo? Deste último, a iniciativa mais importante de que me lembro foi de quando posou de cuequinha para a revista Playboy, na época em que era porta-voz do presidente Figueiredo! Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, não é mesmo? Que tal alguém no OI publicar uma boa matéria sobre as PPPs, moda lançada no governo FHC que, ainda hoje, conta com admiradores no governo? Isso sim, seria de grande utilidade para alimentar o debate com os bandarras, clertons e bergeres, paladinos da moral tucano-pefelista!!!

  2. Comentou em 15/01/2007 Hemerson Baptista da Silva

    Dines, conte pra nós, você tá tirando onda com a nossa cara, né? Desculpem meu pobre comentário… É que eu decidi não dar mais bola pra essas ‘observações’ do Dines… Mas continuarei atento aos brilhantes comentários que a grande maioria tem feito aqui neste espaço proporcionado por ele. Um forte abraço a todos!

  3. Comentou em 15/01/2007 Ivanilson Alves

    ‘BURACO DA MÍDIA’
    Depois de observar a opinião de todos, cheguei a conclusão sobre o real nome do Buraco: Buraco da MÍDIA. Alguém discorda? rsrsrs!!

  4. Comentou em 15/01/2007 ubirajara sousa

    De que valem os nossos protestos aqui, neste OI corrompido? E ainda há quem saia em defesa do Dines. É farinha do mesmo saco. Dê nome aos bois, senhor Dines. Diga que esse problema de prevençao contra as desgraças anuais causadas pelas chuvas, em São Paulo, em Minas ou em qualquer outro Estado é da responsabilidade dos governos municipais e estaduais, os quais permitem, pela incúria, que ocorram, para solicitarem ajuda do governo federal. Diga, senhor Dines, que São Paulo está nas mãos dos seus cupinchas há bastante tempo. Crie coragem senhor Dines e declare que isso não é culpa do Lula e nem do PT. Estou pedindo muito, não é mesmo? Isso é lá coisa que se peça? Afinal, falar a verdade não é o seu forte, então, nem esperar que tal ocorra. E a imprensa? Ora a imprensa! Se a imprensa não está tratando do caso do Jungman, vai tratar do caso do metrô? Quando o brasileiro aprender a usar o seu poder: não comprar revistas, jornais e similares e deixar de emitir opiniões nos OIs da vida, a imprensa (a mídia) mudará, com certeza. Será quando ela perceberá que é do povo que emana o poder, efetivamente. Sem os nossos comentários, nenhum blog subsistirá.

  5. Comentou em 15/01/2007 Marco Costa Costa

    A culpa é nossa, pois não temos profissionais a altura para construir um obra desta magnitude. Nossos políticos pensam apenas nos cofres alheios. O povo pôr não ter opção vota nos Alckmins da vida. Depois que o laudo pericial ficar pronto, com absoluta certeza, a culpa recairá sobre os moradores que não souberam escolher um local seguro para viver com suas famílias, sem correr riscos desnecessários. Isto se não colocarem a culpa no tatu bola?

  6. Comentou em 15/01/2007 Jose de Almeida Bispo

    “Menos no Brasil, onde cada verão parece ser o primeiro e cada catástrofe é apresentada como inédita.”
    Venho somar-me ao seu protesto e para que não haja dúvida sobre sua afirmação segue o seguinte: “OFFÍCIO do Governador D, Fernando José de Portugal para. D. Rodrigo de Sousa. Coutinho, no qual se refere ao desmoronamento de uma; parte da antiga Igreja de S. Pedro dos Clérigos, que arrazou varias casas da encosta e sacrificou algumas vidas. Bahia, 11 de julho de 1797. (Anais da Biblioteca Nacional, vol 34, p. 459 – Rio de Janeiro, 1912) Detalhe: mais adiante, no corpo do texto, há uma passagem em que dá a exata dimensão do que é povo para as elites desde aqueles tempos. Está lá: “(…), com perda de várias vidas de habitantes, que ahí rezidiam, sendo quazi todos pretos e pretas e NENHUMA PESSOA DE CONSIDERAÇÃO (grifo meu).” O acidente foi na data supra e na Ladeira da Misericórdia, em Salvador.

  7. Comentou em 15/01/2007 Rodrigo Anderson Nascimento Lucheta

    Alberto Dines acertou nesses comentários, creio eu. A imprensa deve questionar as respostas dadas e não apenas transmiti-las.
    Vi alguns comentários aqui aventando que o PFL da Bahia tem participação em uma das empresas participantes da obra. Isso é sério, pessoas morreram e é perigoso levar a discussão para áreas erradas. Vide a matéria desta semana em Carta Capital, relatando o caso da explosão do shopping em Osasco. Cuidado!

  8. Comentou em 15/01/2007 Eduardo Guimarães

    Como só me resta espernear diante desse vergonhoso acobertamento do governo Alckmin pela imprensa, vou ficar escrevendo aqui para ver se o asco que sinto por esses ‘jornalistas’ tucanos e por seus patrões atucanados, diminui. Será possível que o dinheiro compra qualquer coisa? Não vejo um só militante da grande imprensa ousar se revoltar contra essa safadeza, contra essa proteção descabida da imprensa a um político que tanto mal já fez à minha São Paulo. Como esses caras se olham no espelho pela manhã? Será que os filhos ou os netos mais crescidos deles estão tão satisfeitos com a boa vida que o dinheiro sujo proporciona que não questionam nada? Que tipo de verme assiste a uma tragédia como a da última sexta-feira e consegue poupar de críticas os culpados? Como alguém pode ser tão pusilânime, tão pau-mandado, tão sem amor e respeito próprio a ponto de fazer as ginásticas retóricas que os famigerados ‘formadores de opinião’ estão fazendo?
    Eu preferiria morrer a calar, se fosse um desses jornalistas e tivesse que aliviar a barra do autor do crime de sexta-feira passada. Dizem que Alckmin fez um negócio com o tal consórcio – que envolve a Odebrecht e outras empreiteiras – do tipo ‘porteira fechada’, no qual a empresa concessionária tem o máximo de pressa em terminar a obra. Li isso no site do Paulo Henrique Amorim e em lugar nenhum mais. A mídia esconde… É nojento.

  9. Comentou em 15/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Apoiado. Gostaria de fazer duas observações:-
    1º) A chuva não poderia ser ‘culpada’ pelas tragédias pela simples razão de que o vocábulo ‘culpa’ não se aplica aos eventos naturais. Ao contrário dos homens (e de seus governantes), a natureza não tem subjetividade e, portanto, não age com imprudência, imperícia e negligência;

    2º) Como a natureza não pode ser ‘culpada’ é pertinente o questionamento do autor acerca da previsibilidade das chuvas e, portanto, das catastrofes.

    Convém lembrar, caro Dines, que muitos de nossos excrementíssimos governantes governam com um olho no próprio interesse e outro no dinheiro público. De certa maneira o público também é culpado: se desse um pé na bunda destes imprevidentes e asquerosos ladrões dos dinheiros públicos a coisa melhoraria. Não melhora também porque muita gente fica a ler a bíblia e a esperar ajuda divina, como se deus tivesse não tivesse mais o que fazer (além de provocar enchentes, é claro).

  10. Comentou em 15/01/2007 Oscar BOCZKO

    a respeito do seu terceiro parágrafo: ‘E o resto da imprensa? Alguém lembrou de comparar o índice pluviométrico deste verão com o do ano anterior? Dá muito trabalho. ‘

    Eu respondo: SIM; a Rádio Cultura FM’ no seu programa diário das 19h ( ATENÇÃO BRASIL ) da quinta ou sexta-feira, entrevistou metereologista ( creio que da CETESB ); ele informou que o índice pluviométrico daquela região neste ano, até a data do acidente foi menor que em Janeiro do ano passado; e mais, que o índice, este ano, para aquela região, está muito menor que a média da cidade como um todo.

    CONCLUSÃO: há jornalistas que fazem trabalho bem feito e sério.

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