Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > ELEIÇÕES 2010

A cobertura na reta final

Por Alberto Dines em 25/10/2010 na edição 612

O estresse geralmente não é um bom conselheiro, mas às vezes produz excelentes resultados. Caso deste último fim de semana, em que o cansaço era tamanho que ninguém se importou com coisa alguma.


Os jornais e revistas estavam pesados, mas de publicidade. Os anunciantes contavam com edições sacudidas, trepidantes, mas o investimento não compensou e a rotina saiu ganhando: com a exceção da data nos cabeçalhos, nada lembrava que começamos a derradeira semana da mais disputada, a mais violenta e também a mais degradante campanha eleitoral desde a redemocratização.


Estão todos esgotados, frustrados, irritados com os próprios erros, literalmente sem fôlego, reunindo o que sobrou de energia para a última arrancada. Os dois candidatos, seus marqueteiros, cabos eleitorais, assessores, todos estão no limite. Também os estoques de criatividade.


Primeira década


Se houve caso de candidatos que não sabiam o nome da cidade ou estado onde acabavam de aterrissar, também os repórteres estão baratinados. Nossas redações estão cada vez menores, sem banco de reservas. Esquálidas.


Na semana anterior, em alguns veículos da mídia eletrônica, âncoras foram descansar para enfrentar as tensões desta que será a semana mais comprida do ano: começou no domingo (24/10), não terá o intervalo sabático e só deve acabar – na melhor ou pior das hipóteses – depois do feriadão de Finados.


Quem falou em feriadão? Nunca antes neste país tantos se esforçaram para que o espírito do feriadão não estimulasse a abstenção. Afinal, o voto é obrigatório. Ou era. Também o decoro seria obrigatório, mas caiu em desuso.


Quando forem devidamente examinadas as três eleições presidenciais da primeira década do século 21 talvez seja possível identificar o momento – o ponto de inflexão – em que a democracia deixou de ser um valor para tornar-se formalidade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/10/2010 milton alonso

    Na história republicana, nunca se viu, como agora, a direita tão enfurecida, soltando faíscas por todos lados através de sua imprensa falada, escrita e televisionada. Quanta apelação, factoides, armações!
    Pois é, o Brasil mudou e o tempo em que se enganava a pobre gente inculta acabou. Ficamos mesmo assim: antes de LULA (AL) e depois de LULA (DL).
    Que ironia! Um operário (odiado mortalmente por 4% da população rica e poderosa) mudou o Brasil.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem