Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

JORNAL DE DEBATES > OBAMA PRESIDENTE

À espera do messias

Por Luciano Martins Costa em 19/01/2009 na edição 520

Um grande volume de informações, compatível com a importância do momento histórico, circula desde o final de semana, dando detalhes da cerimônia de posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.


Em todos os jornais e nas revistas semanais de informação, o ponto central é a imensa crise que abala a economia americana e as apostas sobre a capacidade de Obama de recolocar o país em condições de estabilidade.


Mas observa-se que o tom geral das reportagens e análises vazou para o campo quase espiritual da esperança: a julgar pelas expectativas externalizadas pela imprensa Obama chega ao poder como um messias negro.


Ele ingressa na Casa Branca, segundo pesquisas publicadas na segunda-feira (19/1), em um cenário de otimismo quase surreal, dadas as circunstâncias em que os Estados Unidos estão mergulhados: 79% dos americanos se declaram otimistas quanto às chances de Barack Obama produzir mudanças na economia e de resolver problemas sociais produzidos pela combinação perigosa entre o desemprego crescente, a inadimplência de milhões de cidadãos americanos e o desmantelamento do sistema público de saúde.


O milagre


O volume e a complexidade das mudanças citadas na imprensa nos últimos dias como medidas necessárias para a reorganização da economia dos Estados Unidos superam a própria capacidade humana de entender a questão.


Barack Obama assume coberto pela mídia com um manto sagrado, e é nessa mistificação que mora o perigo.


Entre as análises matemáticas sobre o esforço que os americanos terão de fazer para consertar os estragos provocados por anos de especulações e fraudes, vazam manifestações desse misticismo que, no confronto com a realidade, poderá reverter as expectativas num futuro muito próximo.


Até mesmo o ‘milagre do rio Hudson’, como é chamado o acidente com o Airbus no qual nenhum passageiro morreu, e o súbito encerramento dos combates na Faixa de Gaza, já foram relacionados ao advento da era Obama, como exemplos de prodígios que ele pode produzir.


Pão e vinho


O jovem senador carrega um carisma excepcional, produziu um plano de governo capaz de empolgar os adeptos de mudanças após oito anos do desastrado governo Bush.


Mas a imprensa não pode embarcar no clima de festa e esquecer seu papel de manter a realidade bem visível, para que as esperanças destes dias não se esgotem nas primeiras decepções.


Obama pode vir a ser um estadista, mas não consta que seja capaz de multiplicar os pães ou transformar água em vinho.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/01/2009 Ibsen Marques

    Acho que para continuar divinizado Obama precisa morrer no dia ou antes da posse. É o que aconteceu com Tancredo Neves. Sua morte foi fator decisivo para seu endeusamento. Certamente se houvesse exercido o mandato a situação seria outra. Entenderíamos que se tratava de um ser humano com enorme capacidade de acertar e de errar, aliás, como todos nós. O problema é que quando se criam tantas espectativas a frustração é irremediável por mais competente que tenha sido

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