Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > MAINARDI vs. MARTINS

A hora do Conselho Federal de Jornalismo

Por Márcio Fernandes em 24/04/2006 na edição 316

O acalorado debate envolvendo o jornalista da TV Globo Franklin Martins e o colunista da revista Veja Diogo Mainardi bem que poderia servir para a retomada dos debates, em âmbito mais amplo, sobre a criação do Conselho Federal de Jornalismo. O presente artigo não trata de defender ou criticar Martins ou Mainardi. Nas últimas duas semanas, a dualidade pró/contra tomou muito tempo de muitos profissionais da imprensa brasileira. Uma vertente da referida dualidade pode estar contida na necessidade, cada vez mais urgente, da entrada em funcionamento do conselho, um projeto extremamente apropriado mas que, de modo lamentável, veio à tona pelos meandros errados, no começo da década.

O cenário, claro, poderia ser pior, diante da não-legalidade do dito conselho. Brasil afora, diversos são os organismos e indivíduos que se dedicam à tarefa regular de apontar perniciosidades, em tese, da imprensa. Em Santa Catarina, o Monitor de Mídia está há anos fazendo circular seus relatórios. Este Observatório da Imprensa idem. E, gostemos ou não, o mais recente membro do clube, em nível nacional, parece ser Diogo Mainardi. Na edição que está nas bancas, Veja lista, como de hábito, os cinco temas mais comentados da edição anterior. A coluna de Mainardi está lá, em 3º lugar, fruto do texto no qual tece comentários a respeito de Franklin Martins e familiares. E sobre as relações do clã Martins com o Poder Público.

Ótimo mote

Mas, como estampado no parágrafo anterior, tais organismos e indivíduos se dedicam, até por força da lei e seus limites, a debater tais perniciosidades sem investigações amparadas por completo na legislação brasileira, algo que caberia, caso existisse por ora, ao conselho. Enquanto o conselho não sai da esfera do pensamento (precisará, para entrar em vigor, ser aprovado pelo Congresso Nacional), mais agentes iniciarão ou continuarão a tarefa de provocar o debate sobre o universo da imprensa. Aqui pelo Paraná, por exemplo, um grupo denominado Fórum pela Qualidade do Jornalismo em Cascavel está se mexendo.

No início de abril, o professor e consultor Carlos Alberto Di Franco passou pela cidade, situada no Oeste do estado, para uma conferência sobre credibilidade jornalística, a convite do Fórum. Cascavel é tão somente um município de médio porte do país, como outros tantos, mas os meios de comunicação e os profissionais locais bem que subsidiariam um espetacular estudo de caso para o conselho. Ou, minimamente, um ótimo mote para mais uma polêmica de Mainardi.

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Jornalista profissional e professor universitário no Paraná

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/04/2006 Edson Pessoa

    Impressionante como a classe jornalística brasileira se amedronta quando o assunto é Conselho Federal de Jornalismo. Sob a alegação de que seria censura aos trabalhos da imprensa, reagem em desespero vislumbrando a possibilidade de perder a condição de poder, de influenciar as pessoas, ora com intenções comerciais, ora com intenções político partidárias. É claro que os jornalistas, colunistas, repórteres investigativos são simplesmente profissionais contratados e se submetem às diretrizes dos seus patrões – na maioria das vezes. O Conselho Federal de Jornalismo não seria censura e sim palco de análise e discussão, com participação de todos agentes envolvidos principalmente membros da sociedade. Infelizmente para eles essa não é uma discussão técnica e sim política. Tristeza…

  2. Comentou em 28/04/2006 Edson Pessoa

    Impressionante como a classe jornalística brasileira se amedronta quando o assunto é Conselho Federal de Jornalismo. Sob a alegação de que seria censura aos trabalhos da imprensa, reagem em desespero vislumbrando a possibilidade de perder a condição de poder, de influenciar as pessoas, ora com intenções comerciais, ora com intenções político partidárias. É claro que os jornalistas, colunistas, repórteres investigativos são simplesmente profissionais contratados e se submetem às diretrizes dos seus patrões – na maioria das vezes. O Conselho Federal de Jornalismo não seria censura e sim palco de análise e discussão, com participação de todos agentes envolvidos principalmente membros da sociedade. Infelizmente para eles essa não é uma discussão técnica e sim política. Tristeza…

  3. Comentou em 25/04/2006 Arlindo Mungioli

    Professor, conselho é censura. Serve apenas aos ditadores. Jamais ao jornalismo.

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