Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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JORNAL DE DEBATES >

A hora e a vez dos caluniadores

Por Demétrio Magnoli em 13/03/2010 na edição 580

O Observatório da Imprensa republicou um post de Luis Nassif dedicado a justificar os fatos relatados numa reportagem da Folha de S. Paulo sobre as condições de sua contratação pela estatal TV Brasil (ver ‘A escandalização do factóide‘). Lá pelas tantas, em meio a um argumento de natureza conspiratória, o texto afirma que Otavio Frias Filho, diretor do jornal, ‘convocou Demétrio Magnoli para executar exemplarmente (…) em praça pública’ os jornalistas da Folha que perpetraram uma reportagem manipuladora contra o senador Demóstenes Torres. O caluniador que é funcionário da TV estatal refere-se ao artigo que escrevi, publicado na seção ‘Tendências/Debates’ da Folha em 9 de março passado.


Há quase uma década escrevo artigos na imprensa contra a introdução de leis raciais. Vários deles saíram na própria Folha, especialmente entre 2004 e 2006, quando eu assinava coluna opinativa semanal na página 2 do jornal. Conheço superficialmente Otavio Frias Filho. Há quatro anos não converso com ele, nem pessoalmente, nem por outro meio. Nunca fui ‘convocado’ para escrever nada, nem por ele nem por qualquer outro responsável por uma Redação, e jamais aceitaria uma ‘convocação’ de tal espécie. Escrevo o que quero, e só o que penso, em artigos de opinião assinados. Isso pode parecer estranho para uma pena de aluguel, mas é corriqueiro na imprensa independente.


Conexões com o poder


No caso do artigo publicado dias atrás na Folha, não fui nem mesmo convidado pelo editor da ‘Tendências/Debates’ a produzir um contraponto aos ataques falseadores publicados no jornal contra os que se opuseram às cotas raciais no Supremo Tribunal Federal. Eu mesmo ofereci o artigo, em conversa telefônica com o editor da página, que o aceitou de imediato, sem consultar ninguém (como é corriqueiro na imprensa independente).


Escrevi o artigo para a Folha, não para o Estado de S.Paulo ou O Globo, nos quais assino coluna periódica, em respeito ao jornal e a seus leitores. Nada tenho contra os repórteres cujo texto critiquei, creio que com a dureza necessária. Também optei por criticar a reportagem deles na própria Folha a fim de fornecer-lhes a oportunidade de retrucar e sustentar a abordagem que escolheram.


Nassif tem uma briga particular com a Folha, que remonta à sua demissão do jornal e incide sobre a credibilidade jornalística daquilo que escreve. Nessa hora, em que o governo e as ONGs racialistas atacam furiosamente todos os que ousam contestar a racialização oficial do Brasil, ele tenta misturar sua briga particular com a torrente de ofensas lançadas contra indivíduos sem ONG e sem conexões com o poder. É um modo inescrupuloso de conseguir poderosos defensores para seus próprios interesses. Um ruído do submundo, só isso.

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Sociólogo, autor de Uma Gota de Sangue – História do Pensamento Racial (Editora Contexto, 2009)

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