Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > DESABAMENTO NO METRÔ

A indignação sai do buraco

Por Mauro Malin em 17/01/2007 na edição 416

Há um novo tipo de indignação no ar, depois de tanta frustração produzida entre jornalistas e na opinião pública pela ausência de punição dos implicados em escândalos que se sucedem desde o início do ‘mensalão’, em meados de 2005. É verdade que ainda não se respondeu à pergunta mil vezes repetida: de onde veio o dinheiro do valerioduto? Assim como não se sabe de onde saiu o dinheiro do dossiê Vedoin, no final de 2006.


Mas a mídia, que em alguns momentos parecia pregar no deserto, hoje volta a ser porta-voz de um sentimento de indignação popular cujas conseqüências políticas não devem ser subestimadas. Na terça-feira (16/1), o Jornal Nacional, o mais importante noticiário do país, fustigou sem contemporizar o governo paulista, reduzindo a margem de manobra para tentativas de tirar o corpo fora em relação ao acidente do metrô.


Perguntas categóricas


Nesta quarta-feira (17), nos jornais, ao lado de muitas outras manifestações de crítica, na Folha de S.Paulo Elio Gaspari resume, num título feliz: ‘O apagão das empreiteiras’ [ver aqui, para assinantes da Folha ou do UOL]. Que se soma, como Gaspari afirma, ao recente apagão das empresas aéreas.


Haverá muita manobra, pesará toda a tradição brasileira de sair pela tangente, governantes e empreiteiras usarão seus poderosos recursos para turvar o debate, mas há perguntas categóricas que é difícil contornar: por que as empresas avisaram seus operários e não pediram a interdição das vizinhanças da obra periclitante?


A insistência em fazer essa pergunta, hoje muito forte na mídia, indica que talvez algo de novo esteja surgindo na sociedade brasileira.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/04/2007 ana paraens

    No Oglobo de 2 de abril o título da matéria é ‘ de simples areais…’
    Trata- se de uma repostagem mostrando a evolução da urbanização na barra da Tijuca. Logo, chamar restingas, ecossistemas costeiros, ameaçados de extinção de ‘simples areias’ o jornalista reforça a crença da pouca importância que o meio ambiente representa. Ou seja, presta um dessaserviço à questão ambiental, do próprio local onde a reportagem é assunto, pois é uma área de ocupação descontrolada…

    Também no lead(?) da matéria ‘Permissão para desmatar’, totalmente contraditório para uma reportagem que apresenta o decreto que REGULAMENTA o usos sustentável de recursos naturais. Afinal, é desmatamento ou regulamentação? pegou mal!
    Obrigada, ana

  2. Comentou em 18/01/2007 Paulo Sampaio

    Caro Luiz Teixeira. A voz do povo é a voz de Deus. Já a voz da imprensa tem estado, ultimamente, do outro lado da força… Mas nos últimos tempos tenho ficado satisfeito com a derrocada do ‘poder da imprensa’, expressa principalmente nas últimas eleições. Foi-se o tempo em que TV Globo e Veja influenciavam eleições. Quem sabe, assim, a nossa imprensa pára de fazer política e se concentra no jornalismo?

  3. Comentou em 17/01/2007 Ivan Moraes

    Caiu a ficha!!!! Caiu a ficha!!!!

  4. Comentou em 17/01/2007 Eduardo Guimarães

    Ao decretar que a culpa pelo desastre na obra do metrô de São Paulo é do consórcio de empreiteiras que a executa, o governador José Serra mostrou o quanto a tal ‘teologia da privatização’ constitui uma ameaça. Vejam só a teoria do governador: como o governo do Estado (durante a gestão Geraldo Alckmin, é bom dizer, porque não está sendo dito com a devida ênfase) organizou um consórcio monstro que agregou todas as grandes empreiteiras nacionais e empresas de capital estrangeiro numa PPP (Parceria Público-Privada) do tipo ‘turn key’ (‘porteira fechada’), na qual o preço total da obra é fechado antes de sua execução e a fiscalização dessa obra fica por conta do tal consórcio, quem fica incumbido de fiscalizar uma empresa privada prestando serviço ao Estado, é ela mesma. É como se fosse delegada aos motoristas a obrigação de fiscalizarem se eles mesmos estão cumprindo as leis de trânsito. Assim, no caso de alguém ser tragado para dentro de uma obra pública terceirizada e morrer asfixiado lá dentro, a responsabilidade é das empresas privadas que a executam e não de quem contratou essas empresas. É a privataria total. Você elege um governante, ele faz uma PPP e, se você lhe cobrar alguma coisa, ele diz que não é com ele. AS PPPs, se dermos crédito a Serra, tornar-se-ão o paraíso da classe política. Vocês acham ruim? Que nada! Se o PSDB tivesse retomado o poder federal, seria pior.

  5. Comentou em 17/01/2007 Eduardo Guimarães

    Ao decretar que a culpa pelo desastre na obra do metrô de São Paulo é do consórcio de empreiteiras que a executa, o governador José Serra mostrou o quanto a tal ‘teologia da privatização’ constitui uma ameaça. Vejam só a teoria do governador: como o governo do Estado (durante a gestão Geraldo Alckmin, é bom dizer, porque não está sendo dito com a devida ênfase) organizou um consórcio monstro que agregou todas as grandes empreiteiras nacionais e empresas de capital estrangeiro numa PPP (Parceria Público-Privada) do tipo ‘turn key’ (‘porteira fechada’), na qual o preço total da obra é fechado antes de sua execução e a fiscalização dessa obra fica por conta do tal consórcio, quem fica incumbido de fiscalizar uma empresa privada prestando serviço ao Estado, é ela mesma. É como se fosse delegada aos motoristas a obrigação de fiscalizarem se eles mesmos estão cumprindo as leis de trânsito. Assim, no caso de alguém ser tragado para dentro de uma obra pública terceirizada e morrer asfixiado lá dentro, a responsabilidade é das empresas privadas que a executam e não de quem contratou essas empresas. É a privataria total. Você elege um governante, ele faz uma PPP e, se você lhe cobrar alguma coisa, ele diz que não é com ele. AS PPPs, se dermos crédito a Serra, tornar-se-ão o paraíso da classe política. Vocês acham ruim? Que nada! Se o PSDB tivesse retomado o poder federal, seria pior.

  6. Comentou em 17/01/2007 Adriano Diniz

    Mauro, a mídia prega no deserto pela própria incompetência. A mídia comprou e repassou a idéia de um Geraldo Alckimin eficiente. Passada a eleição presidencial, descobrimos a herança que ele deixou para o povo de sp:
    – PCC;
    – buraco nas contas do estado de São Paulo;
    – Obras de alto risco sem fiscalização adequada
    – Rodonal atrasado
    A imprensa preferiu pregar no deserto a satanização de Lula e, principalemnte do PT, e preservou os outros agentes políticos.

  7. Comentou em 17/01/2007 Adriano Diniz

    Mauro, a mídia prega no deserto pela própria incompetência. A mídia comprou e repassou a idéia de um Geraldo Alckimin eficiente. Passada a eleição presidencial, descobrimos a herança que ele deixou para o povo de sp:
    – PCC;
    – buraco nas contas do estado de São Paulo;
    – Obras de alto risco sem fiscalização adequada
    – Rodonal atrasado
    A imprensa preferiu pregar no deserto a satanização de Lula e, principalemnte do PT, e preservou os outros agentes políticos.

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