Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > MÍDIA & MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A informação desconectada

Por Luciano Martins Costa em 27/11/2009 na edição 565

A nota mais recente no noticiário sobre a questão ambiental é a decisão do governo da China de também comparecer à Conferência de Copenhague com uma meta voluntária ambiciosa de redução das emissões de gases do efeito estufa.


Com essa medida, completa-se um quadro mais favorável à obtenção de um compromisso internacional para ser cumprido, e não um pacote de declarações de efeito político.


No entanto, a imprensa brasileira ainda demonstra não haver assimilado o verdadeiro sentido do que está para acontecer na capital da Dinamarca daqui a poucos dias.


Um exemplo bastante claro de como os jornais enxergam a questão ambiental de maneira fragmentada está na edição de sexta-feira (27/11) do Estado de S.Paulo. Com generosos patrocínios de três empresas, duas do setor petrolífero e uma do setor alimentício, o caderno especial sobre ‘Vida e sustentabilidade’ demonstra o senso de oportunidade do departamento comercial do jornalão paulista, mas agrega pouco conhecimento relevante ao leitor.


Traz um balanço das notícias já publicadas sobre as metas anunciadas por diversos países, declarações de personalidades sobre hábitos pessoais corretos e um levantamento sobre regiões do mundo que já estão sofrendo os efeitos das mudanças climáticas.


Resistência recorrente


É sempre louvável qualquer esforço da imprensa para alertar o público sobre a gravidade do desafio que a humanidade está enfrentando, mas não é tudo.


Na mesma edição que traz o caderno especial e, como os demais diários, a notícia de que a China vai se comprometer com uma redução de 40 a 45% das emissões de gases nocivos em relação ao Produto Interno Bruto, o Estadão publica, separadamente, em um canto do caderno de Economia, a informação de que a Sadia é a primeira empresa do setor agrícola no mundo a obter o registro na ONU para negociar créditos de carbono.


Trata-se de um mecanismo de compensação financeira por programas sustentáveis de produção ainda controverso mas com grande potencial para estimular práticas mais saudáveis em todos os setores da economia.


Ao isolar essa notícia do contexto em que celebra os possíveis acordos em Copenhague, o jornal repete a resistência da imprensa brasileira em vincular a questão climática a mudanças no sistema econômico.

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