Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

ENTRE ASPAS > DEBATE DOS PRESIDENCIÁVEIS

A internet mostra sua força

Por Luciano Martins Costa em 19/08/2010 na edição 603

A imprensa comenta, nas edições de quinta-feira (19/8), o debate promovido pela Folha de S.Paulo por intermédio do UOL, seu portal na internet. O jornal comemora a audiência de 1,4 milhão de pessoas, um número impressionante, mas ainda reduzido se comparado aos índices alcançados tradicionalmente pela televisão.


De qualquer maneira, registre-se o momento importante da nova mídia, que afinal se multiplica pelas redes sociais com uma velocidade e um alcance que ainda não sabemos contar.


O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, que ficou de fora do confronto oficial, aproveitou a oportunidade e criou um evento especial, via Twitter, dispondo-se a responder a comentários dos participantes, ao vivo, através de uma câmera. Conseguiu a primeira posição entre os assuntos mais comentados por participantes brasileiros por volta das 12h30 de quarta-feira (18) e chegou a ocupar a oitava posição na contagem mundial.


Ainda não conseguiu explicar com clareza sua proposta de governo socialista, mas obteve uma exposição inédita, mostrando como as redes sociais poderão, em algum momento no futuro, competir com a televisão.


Medida do interesse


Com relação ao conteúdo, o debate pela internet reflete os números das últimas pesquisas de intenção de voto: pressionado pelas previsões extremamente negativas, o candidato José Serra parte para o ataque, mudando novamente de estratégia, enquanto Marina Silva abandona o aparente alinhamento com o candidato do PSDB que, segundo analistas, havia demonstrado no debate promovido pela TV Bandeirantes.


Para os dois, o único objetivo das próximas semanas será evitar que a disputa termine no primeiro turno.


Para a imprensa, de modo geral, a atual disputa presidencial se apresenta como um valioso laboratório sobre o comportamento do eleitor. O interesse que vier a ser demonstrado pelo público pode fornecer informações valiosas a serem adicionadas às análises das próximas pesquisas de intenção de voto.


Parece razoável supor que, quanto menor o interesse pela propaganda eleitoral na televisão, maior a convicção do eleitor na escolha já definida e captada pelos pesquisadores. Maiores, portanto, as chances de as pesquisas virem a se confirmar já no primeiro turno.


De olho na imprensa


As medições de audiência nesta primeira semana da campanha eleitoral gratuita revelam que o público está reduzindo sua exposição à televisão durante o horário da propaganda. Segundo algumas notas publicadas pelos jornais e por alguns blogs da internet, houve uma queda de até cinco pontos porcentuais na terça-feira (17) em relação aos mesmos horários na terça da semana passada.


Alguns analistas entendem que a debandada se deve à quebra do hábito, provocada pelas mudanças na programação das emissoras, em função dos blocos de horários cedidos à Justiça Eleitoral. Mas não se pode descartar a hipótese de que milhões de telespectadores se desinteressam pela propaganda eleitoral porque já definiram seus votos.


Trata-se de uma massa respeitável de informação que não frequenta a rotina dos telespectadores e ouvintes de rádio, com inserções de segunda a sábado.


Às segundas, quartas e sextas-feiras, aparecem as propagandas dos candidatos a governador, senador e deputado federal. Às terças, quintas e sábados, é a vez dos candidatos à Presidência da República e Assembléias Legislativas dos Estados e do Distrito Federal. Os blocos diários, com 50 minutos cada, entram no ar às 7h e ao meio-dia no rádio e às 13h e às 20h30 na televisão. Além disso, estão previstos mais trinta minutos de anúncios curtos, de 60 segundos, ao longo de todos os dias da semana.


Embora seja ainda muito cedo para avaliações definitivas, se a audiência da televisão no horário da propaganda eleitoral gratuita continuar caindo, com os telespectadores desligando a TV ou migrando para emissoras estrangeiras dos canais pagos, pode-se apostar que a eleição está delineada nos números que aparecem nas pesquisas mais recentes.


Se a audiência da propaganda cair a níveis críticos, não haverá manobra de marqueteiro que consiga reverter a situação – a eleição estará definida em duas ou três semanas.


Como a imprensa vai se comportar nos próximos dias? Esta é uma oportunidade interessante para a observação do papel da mídia no momento mais importante do processo democrático – a disputa pelo voto.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/08/2010 Herman Fulfaro

    Introduziram uma modificação no horário eleitoral que até agora não entendi se é ruim ou péssima. Trata-se do escalonamento referido no parágrafo 12o, acima. Com a Dilma nadando de braçada e seu mais direto concorrente afundando feito o Titanic, só um néscio não percebe que mais pra frente a baixaria vai comer solto. Só não despejam agora porque boa mesmo é a sacanagem feita em cima da hora, sem dar tempo para a vítima se defender, tal qual a de 89, quando colocaram a Mirian Cordeiro dizendo que o Lula pediu que ela abortasse a filha Lurian, ou a de 2006 feita pela Globo às vésperas do 1o. turno, exibindo fotos de uma dinheirama que estaria em poder de petistas supostamente interessados na compra de um dossiê. Oras, com base nas baixarias anteriores, onde um candidato ou a mídia a serviço de um partido lançava uma acusação grave, mas no mesmo dia, a tarde ou a noite tinha a chance de contestar, como vai ficar agora?!? Se o vitupério for ao ar nesta quinta (19.07) a noite o ofendido só vai poder abrir a boca para se defender no sábado a tarde, quando o chefe de família estiver roncando, atolado no sofá enquanto os filhos jogam videogame na tv esperando o Luciano Hulk??? Tudo bem que a internet poderá ser utilíssima para o desmentido, mas essa quebra na seqüência dos acontecimentos não vai acabar tornando o horário político mais chato e arrastado do que normalmente já é???

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem