Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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JORNAL DE DEBATES > MÍDIA & POLÍTICA

A internet nas eleições
e o debate necessário

Por Alberto Dines em 29/08/2008 na edição 500

Sábia a decisão do TSE de adiar por alguns dias o julgamento do mandato de segurança impetrado pelo iG sobre o uso da internet nas eleições. O assunto não estava suficientemente debatido e mais alguns dias de exposição serão extremamente úteis para tirar as dúvidas.


Agora ninguém poderá dizer que a decisão foi tomada às escondidas. Se é válida a premissa de que a internet representa um formidável reforço na participação pública, não faz sentido embargar a livre circulação de idéias e opiniões justamente no momento em que é mais necessária. É bem verdade que internet é nova, os efeitos da sua atuação eleitoral não foram suficientemente testados, mas é melhor que as avaliações sejam feitas em ambiente de plena liberdade do que em testes de laboratório, sempre artificiais.


Quando no século XVII a fabricação de prensas tornou-se universal, os governos absolutistas tentaram impor a obrigação de registrar e licenciar o equipamento tipográfico. Era o fim da liberdade de imprimir, negação do avanço propiciado pelo invento de Gutenberg e felizmente evitado graças à atuação de figuras como John Milton (seu discurso sobre a liberdade, Areopagitica, de 1644, entrou para a história do pensamento ocidental).


Tal como a mídia impressa, a internet não depende de concessões do Estado e não pode ser constrangida por regulamentos como acontece com o rádio e a TV. O meio termo entre liberdade e libertinagem será rapidamente encontrado por todos os que se beneficiam da rede mundial de computadores. Tal como a imprensa que estabeleceu seus códigos de ética, a internet rapidamente criará os seus.


A única reivindicação dos provedores e usuários ainda sujeita a questionamentos refere-se à inserção de propaganda eleitoral paga. Ela vai na contramão dos esforços mundiais para coibir as distorções do poder econômico sobre o processo político. Legítima é a possibilidade da coleta, através da rede, de doações para os partidos, facilmente controláveis, antídoto para a aberração do caixa dois.


Valeu a pena manter o debate, funcionará como ensaio geral.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/08/2008 Alberto Caeiro Caeiro

    Prezado Dinis,

    O diogo Mainardi fora condenado recentemente em uma ação promovida pelo respeitado jornalista Paulo Henrique Amorim, até então não li se quer algum comentário neste observatório acerca deste fato. Portanto, seria responsável que a sentença do juíz venha a público para posterior debate sobre o que seja realmente a tão sonhada liberdade de imprensa, muito bem definida, pelo nobre magistrado.

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