Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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JORNAL DE DEBATES >

A manifestação pífia dos patrões contra o terror

Por Alberto Dines e Mauro Malin em 17/08/2006 na edição 394

Demorou e saiu pífio. O manifesto das cinco entidades empresariais de comunicação conclamando as autoridades a um pacto político para enfrentar o terror saiu com atraso de três meses e não causou nenhum impacto.


O texto rolou na terça [15/8] à noite nas telinhas da TV, os jornais repetiram na quarta, na primeira página, e não aconteceu nada. Não animou uma alma. Ao contrário, frustrou os poucos que leram ou ouviram a nota. E por quê?


Porque foi uma manifestação burocrática, apresentada de forma convencional e sem qualquer vibração. O cidadão revoltado com a inação das autoridades frente ao PCC nem percebeu que ali estava uma proposta inédita: a mídia assumia-se como um poder moral para forçar os governos, os partidos e os políticos a tirar o combate ao narcoterrorismo dos palanques eleitorais.


Ficou claro que os empresários de comunicação não entendem de comunicação e ficou claro também que não se revoltaram suficientemente com o seqüestro de dois profissionais.


A resposta à violência de sábado (12/8) mostrou na quarta-feira um poder sem poder. Uma imprensa que diz basta sem convicção – e ainda o diz de forma imprópria – tem muito a aprender. (A.D.)


***


A decisão é não ceder novamente


No título do manifesto quiseram dizer ‘Um basta à violência’ ou ‘basta de violência’. Não deixa de ser sintomático que tenha saído com um erro de redação, diversas falhas estilísticas, mentiras sobre o passado da mídia e posições reacionárias.


A Rede Bandeirantes não divulgou o texto por discordar da decisão da Globo de atender a exigência dos seqüestradores.


Mas daqui para a frente não existe tal divergência. As empresas decidiram não ceder mais a exigências de seqüestradores. Leia-se nas entrelinhas do texto: caso aconteça alguma tragédia, a responsabilidade será atribuída às autoridades. Isso não é explicitado por motivos óbvios, e por outros nem tanto. Por exemplo: subirá o preço dos seguros de vida e patrimônio pagos pelas empresas de mídia, como mostrou ontem Elio Gaspari historiando o problema nos Estados Unidos. (M.M.)

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