Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > THE NEW YORK TIMES

A polêmica crítica sobre Harry Potter

24/07/2007 na edição 443

Em sua coluna de domingo [20/7/07], o ombudsman do NYTimes, Clark Hoyt, analisou uma resenha sobre o último volume da série Harry Potter, publicada no jornalão na semana passada. O artigo incomodou a escritora J. K. Rowling e fãs da saga do bruxinho, pois foi divulgado no diário dois dias antes do lançamento do livro.

Segundo a autora, o jornalista que escreveu a crítica não respeitou o desejo dos leitores – em sua maioria, crianças – de poder descobrir sozinhos o final da história. ‘Estou chocado que o NYTimes não considerou o quanto esta crítica incomodaria os fãs de Harry Potter, que esperaram por muitos anos para ter o prazer de ler sobre o final da história’, escreveu o leitor Karl Hinze. Alguns leitores ainda reclamaram que, mesmo a resenha não tendo revelado o final do livro, ela deu muitas dicas.

Curiosidade aguçada

Para Hoyt, Michiko Kakutani, o autor da crítica, fez um excelente trabalho ao não revelar o final ou alguma parte decisiva do livro. O ombudsman confessa que não é especialista em Harry Potter. Por isso, pediu a seu assistente, Michael McElroy, para ler o texto e avaliar se ele teria prejudicado a experiência de descobrir por si só a história do livro.

Ao contrário de muitos leitores, para o assistente a crítica aguçou ainda mais a curiosidade de ler a publicação. Segundo McElroy, mesmo que o NYTimes tivesse esperado até o lançamento da obra para então resenhá-la, a maioria dos leitores ainda não teria terminado de ler as 759 páginas. Ou seja, daria no mesmo.

Sem compromisso

Rick Lyman, editor de críticas de livros e teatro do NYTimes, afirma que ‘uma vez que o livro é oferecido à venda ao público, e nós compramos uma cópia de maneira legal, estamos livres para criticar o livro’. Segundo ele, o volume foi comprado por um funcionário do jornal em uma loja em Manhattan.

O ombudsman lembra que não houve nenhum contrato entre o diário, a autora ou sua editora. A editora estabeleceu uma data de lançamento unilateralmente e o NYTimes – ou qualquer outro diário – não tinha a obrigação de cumprir a data. Além do mais, o leitor que não queria saber as informações contidas na crítica poderia simplesmente ter passado a página da seção, sem ler seu conteúdo.

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