Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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JORNAL DE DEBATES > CASO RADIOBRÁS

A rotina e a não-notícia

Por Alberto Dines em 16/11/2006 na edição 407

Está evidente que a grande imprensa quer criar uma crise artificial em torno de um caso de rotina.


O jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, apenas colocou o cargo à disposição da Presidência da República (à qual está vinculado). Cumpriu um rito protocolar, nada mais do que isso. Não protestou nem reclamou de eventuais ingerências do PT na orientação da Radiobrás. Mas na quarta-feira (15/11), O Globo e a Folha de S.Paulo destacaram de forma desproporcional um episódio que simplesmente não aconteceu. É o que se chama vulgarmente de ‘forçar a barra’. Caso clássico de uma não-notícia, um factóide, que pela simples repetição pode crescer e confirmar-se.


Os jornalões têm razões de sobra para criticar os recentes pronunciamentos do presidente da República sobre o desempenho da mídia. Na boca de um chefe de Estado convertem-se automaticamente em intimidações descabidas, de nítido teor autoritário. Mas se a mídia não está gostando do que afirma o presidente a seu respeito deve dizê-lo frontalmente, sem recorrer a artifícios que, estes sim, acabam por justificar as queixas e confirmar um estilo jornalístico equivocado.


O confronto governo-imprensa é sério demais para ser noticiado com manhas e malícia.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/11/2006 Alexandre Azevedo

    Concordo em parte. Concordo que o Chávez na Venezuela é massacrado pelo imprensa todos os dias. Mas não concordo que o Lula sofre um golpe das elites, principalmente a Rede Globo, pois afinal de contas, é a emissoras que mais se beneficia desse governo: seu funcionário está com um cargo no Ministério, Lula soube escolher o padrão que beneficia a Rede Globo, etc.

  2. Comentou em 19/11/2006 Alexandre Azevedo

    Concordo em parte. Concordo que o Chávez na Venezuela é massacrado pelo imprensa todos os dias. Mas não concordo que o Lula sofre um golpe das elites, principalmente a Rede Globo, pois afinal de contas, é a emissoras que mais se beneficia desse governo: seu funcionário está com um cargo no Ministério, Lula soube escolher o padrão que beneficia a Rede Globo, etc.

  3. Comentou em 18/11/2006 Paulo Mora

    O emprego na grande mídia deve ter mixado. Sei que vou ser censurado. Faz parte.

  4. Comentou em 16/11/2006 Francisco Bezerra

    Oi, Dines! Que bom tê-lo de volta! Que bom que voltei a concordar inteiramente com você! Não quero lhe seguir cegamente, mas como continuo nutrindo por você um grande respeito e admiração, me sentia pouco à vontade discordando em alto nível com as mais recentes observações de quem para mim tinha sido sempre uma bússola. Percebo um arrefecimento de nossos ânimos, um retorno à razão. O seu artigo está brilhante! Concordo com ele em gênero e grau, mas em número gostaria de comentar que a exceção pode ficar por conta da revista Veja. Na minha vida profissional lido muito com essa posibilidade de conversão de pronunciamentos de chefes em intimidações – dos dois lados porque como gerente me encontro numa linha intermediária. Só que a Veja é um caso atípico. Há muito tempo a sua linha editorial se pauta no total desconhecimento de qualquer autoridade na figura do presidente ou de seu partido. E deixa transparecer que não lhes deve nenhum respeito. Basta ver as capas. Não há manha nem malícia na sua linha. É puro ódio. Vem desde o meu tempo de faculdade, nos tempos da abertura política. Lembro de uma capa que trazia o rosto de Lula ainda metalúrgico e a expressão em letras garrafais de uns 5 cm: CONDENADO. O subtítulo minúsculo dizia: pela lei de segurança nacional. Aí comecei a nutrir a admiração que tenho por Lula e a repulsa que sinto por essa revista.

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