Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CADERNO DO LEITOR > COR DO PECADO, MAIS

A sociedade é assim

20/04/2004 na edição 273

Qual é o problema? Temos hoje em nossa mídia, fato bastante interessante, ausência de negros como personagens principais de uma novela, e quando o são, a ‘elite’ lhes impõem humilhações. Alguém já viu um ‘galã’ de novela negro? Já parou para contar (nos dedos) o número de apresentadores negros? E o que dizer dos papéis que recebem nas novelas? São faxineiros, motoristas, presidiários, donos de bar, nunca pertencem à ‘elite’.

É assim que funciona nossa sociedade, cheia de preconceitos, que tiveram seu início há longa data, com negros que vieram a morrer pela ‘pátria’ nos chacos paraguaios, por um país que lhes virava as costas. Uma sociedade em que o negro livre no dia 13 continuou escravo no dia 14, e permaneceu assim no dia 15, no dia 16… E o é ainda hoje: escravo da sociedade racista e desigual, filho de uma ‘Pátria amada e gentil, Pátria amada Brasil…’

Helton Costa, estagiário de Jornalismo, Dourados, MS

Paz e amor, meu!

Qual é a do articulista? Ele está tentando entrar para a Globo ou quer se tornar uma celebridade? Ora, meu! A novela é ótima e está dando uma grande oportunidade para a raça negra mostrar seu talento e valor. Isso está incomodando o articulista, por quê? E tem mais: o autor da novela, em entrevista ao site Terra, afirmou que seu objetivo ao mostrar negros na ficção não é e nunca foi causar polêmica e desvalorizar a raça. Paz e amor, meu irmão!

Carlos Pinto Pires, radialista, Santos, SP

Nosso racismo é melhor

Li o artigo do jornalista Paulo J. Rafael, que aliás, escreve muitíssimo bem, mas confesso que não entendi o porquê da polêmica. Falar de racismo aqui no Brasil é brincadeira! Vocês precisam conhecer o que é o racismo indo aos Estados Unidos.

Rita Maria Caldas, médica, Porto Alegre

Racismo em horário nobre – Paulo J. Rafael

Casualmente ‘clarinhos’

Concordo plenamente com Paulo Rogério Nunes, mas vou me atrever a dar ‘pitaco’ em suas observações. É que, apesar de o número de estudantes universitários com fenótipo negro ser proporcionalmente menor do que os aparentemente não-negros, é de se considerar que eles existem, porém, não conseguem ser absorvidos nas redações. Exemplo: quando consegui entrar numa redação, que nós sabemos que não é fácil, tem que ter muito contato, principalmente há 10 ou 15 anos, eu era a única ‘mulata’ de uma redação com mais ou menos 80 pessoas. Claro, fora mensageiros, faxineiros e seguranças. Fiquei na empresa durante 11 anos, e nesse tempo, inúmeros currículos com jovens negros – muitos altamente capacitados – eram preteridos por serem ‘escurinhos demais’. E, normalmente, eram aceitos estagiários que ‘casualmente’ eram ‘clarinhos, bonitinhos, lourinhos, com $obrenome$ de estirpe’.

Quando por um azar do destino, o ‘escurinho’ furava o bloqueio e conseguia demonstrar em tempo super-rápido sua capacidade, força de vontade e profissionalismo, nunca conseguia ganhar o mesmo que o colega de editoria. E, quando eu questionava a direção da redação, as respostas eram sempre evasivas e o olhar, de censura. Fica realmente difícil haver um bom número de jornalistas negros, se eles têm que se tornar invisíveis para poderem se profissionalizar.

Sandra Martins, jornalista, Rio de Janeiro

Leia também

Uma comunicação multiétnica é possível – Paulo Rogério Nunes

A fatura da humilhação

Caro colega Francisco Djacyr Silva de Souza, não se preocupe com a BB Solange. Ela faturou alto com a ‘humilhação’ e, graças a ela, já contracenou com Seu Creysson no Casseta & Planeta. De modo que a moça deve ter recebido bem mais em dois dias do que qualquer professor primário neste país em um ano. Humilhação sofre um professor ao receber pouco para ensinar e ver alguém faturar alto por não saber.

Ernani Porto

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