Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > CARTÕES CORPORATIVOS

“A tapioca é a mesma; só muda o gosto”

Por Luciano Martins Costa em 07/02/2008 na edição 471

O maior destaque nos grandes jornais de quinta-feira (7/2) é o descontrole do governo nos gastos com cartões de crédito.


A Folha de S.Paulo informa em manchete que o governo decidiu retirar os cartões dos ministros, o Estado de S.Paulo publica, no alto da primeira página, que dez funcionários do gabinete presidencial gastaram mais de 3 milhões e meio de reais em 2007 com cartões corporativos. O Globo se adianta aos fatos e afirma que o governo saiu à frente da oposição e tomou a iniciativa de propor a criação de uma CPI no Senado, para controlar a investigação.


Alguns articulistas e colunistas observam que, ao propor uma investigação oficial sobre o uso dos cartões corporativos nos últimos dez anos, o Executivo estaria, de fato, colocando um freio na oposição. Afinal, o cartão corporativo para altos funcionários da administração pública foi criado em 2001, no segundo governo Fernando Henrique Cardoso.


Então, pergunta o leitor, como se pretende fazer investigações sobre um período anterior, desde 1998? A resposta está no texto que propõe a criação da CPI. Ali se diz que serão investigados os ‘suprimentos de fundos’ para despesas de agentes públicos, que antes dos cartões eram feitos por meio de contas bancárias especiais.


Risco permanente


Uma das ironias da história é que o senador Romero Jucá, líder do atual governo no Senado e porta-voz do presidente Lula na proposta de criação da CPI, também foi líder do governo Fernando Henrique, quando ocorreram as primeiras denúncias de mau uso do sistema de ‘suprimento de fundos’.


Outra ironia é que as irregularidades no uso de cartões corporativos no atual governo não foram descobertas pela imprensa ou denunciadas pela oposição. Foram publicadas pelo próprio Executivo.


Os jornais já informaram que mais de 7 mil funcionários públicos são autorizados a usar cartões corporativos para despesas urgentes. Alguns deles possuem mais de um cartão, o que explica a existência de cerca de 13 mil e quinhentos cartões corporativos no governo.


Trata-se de um sistema mais transparente de controle de despesas oficiais, e o mau uso é um risco permanente. Tanto para a reforma de mesa de sinuca como para a compra de tapiocas, a tentação de sacar o cartão e mandar a conta para os cofres públicos é permanente.


E foi o sempre governista Jucá quem definiu o nome que vai marcar a futura CPI: ‘A tapioca é a mesma; só muda o gosto’, declarou o senador.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/02/2008 Marcelo Ramos

    Como as falas de alguns nobres colegas já contemplaram a maioria dos aspectos da questão, eu gostaria de bater em outra tecla: me corrijam se eu estiver errado mas, é verdade que a administração do governo de SP gastou mais do que todo o governo federal? e não tem nenhum jornal indignado? ooohh… porque será? De certa forma, e pelos caminhos tortos e mal escritos dessa imprensa golpista, o portal transparência, com o tempo, vai inibir, cada vez mais, práticas escusas. A imprensa só bate em um lado mas em todo o Brasil estão acontecendo processos de moralização. E também sempre vai haver os que posam como vestais… embora, também por causa das letras tortas da imprensa, o mesmos que posam de vestais se transformam em judas apedrejados, cedo ou tarde. É esse o processo que acontece.

  2. Comentou em 08/02/2008 Pedro Paranhos

    O acordão entre o PT e o PSDB já está costurado. Ninguem investiga ninguem e a roubalheira continua.Você teve seus oitos anos para a pilhagem do erário público e agora é a minha vez. Enquanto isso, um monte de bobalhões aqui ficam se degladiando.

  3. Comentou em 07/02/2008 Cid Elias

    Punamos todos! Mas, todos! Dobradinha, perfessô Estaco? Só gosto com feijão branco e mocotó! Vai um aperitivo do que veremos na CPI:
    ‘ Ex-ministro do governo de F H C, o tucano Arthur Virgílio, logo que soube que o Governo recolhera as assinaturas para instaurar a CPI da Tapioca, se apressou em dar estranhas declarações…Ele contou que usou o cartão de crédito corporativo durante o período em que esteve à frente da Pasta da Articulação Política. “Usei o cartão através de um assessor. Mas a responsabilidade dos gastos é minha. Se algum assessor me fez de bobo e gastou no que não devia, a culpa é minha”, afirmou Virgílio. ‘ Só falaram em fazer CPI desde FHC e o Arthur , o 3%, já está se justificando…ai tem mutreta!

  4. Comentou em 07/02/2008 Cid Elias

    Punamos todos! Mas, todos! Dobradinha, perfessô Estaco? Só gosto com feijão branco e mocotó! Vai um aperitivo do que veremos na CPI:
    ‘ Ex-ministro do governo de F H C, o tucano Arthur Virgílio, logo que soube que o Governo recolhera as assinaturas para instaurar a CPI da Tapioca, se apressou em dar estranhas declarações…Ele contou que usou o cartão de crédito corporativo durante o período em que esteve à frente da Pasta da Articulação Política. “Usei o cartão através de um assessor. Mas a responsabilidade dos gastos é minha. Se algum assessor me fez de bobo e gastou no que não devia, a culpa é minha”, afirmou Virgílio. ‘ Só falaram em fazer CPI desde FHC e o Arthur , o 3%, já está se justificando…ai tem mutreta!

  5. Comentou em 24/01/2008 antonio bispo

    solicitação de cobertura no dia da audiência

    Queixa registrada na 18ª cincuscrição policial no dia 08/01/08 as 17:36:34 guia policial de nº 0182008000203.

    Data da proxima audiencia dia 28/01/08 as 10:00h, sendo que haverá uma manifestação na frente da Previdencia – INSS unidade Camaçari as 8h e em seguida estaremo indo para delegacia recepcionar o mêdico junto com o Paulo

    Na terça-feira passada, dia 8 de janeiro, o Mural de Recados do nosso site recebeu a denúncia de uma testemunha que presenciou a agressão de um médico do posto do INSS, na Radial A, a um segurado. O nome do médico é Mário Sérgio Lopes Pontes Câmara e da vítima, Paulo da Silva. De acordo com a trestemunha, o médico sacou sua arma e colocou na face do trabalhador. Nossa reportagem foi atrás dos fatos.

    Paulo da Silva sofre de dores de joelho, na lombar e na cervical, está impossibilitado de trabalhar, procurou o médico para fazer sua reabilitação, mas foi enganado por ele. Essas palavras são do próprio segurado, que é pintor automotivo da Ford. ‘Em junho ele me disse que ia fazer a reabilitação, mas nada. Quando ele me viu novamente lá, me olhou como se eu não tivesse problema nenhum’, fala indignado.

    Paulo nos contou que a resolução da questão não está nas mãos da empresa, mas sim no INSS, que tem a obrigação de dar o benefício que é seu direito, já que não quer reabilitá-lo. ‘O Dr.

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