Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 16/10

Abril compra segunda maior distribuidora do país

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 16/10/2007 na edição 455


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 16 de outubro de 2007


NEGÓCIOS
Marili Ribeiro


Grupo Abril compra Chinaglia Distribuidora


‘A Distribuidora Nacional de Publicações (Dinap), maior distribuidora de publicações do Brasil – pertencente ao Grupo Abril -, comprou a segunda maior distribuidora do País, a Fernando Chinaglia. A aquisição, que começou a ser informada no final da semana passada às editoras que contratavam os serviços das duas distribuidoras, ainda terá de ser aprovada pelo órgão antitruste do governo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Grupo Abril tem 15 dias para comunicar a compra.


A Dinap detém cerca de 70% do mercado de distribuição, e atende a 32 mil pontos-de-venda. A empresa atende, além da própria Editora Abril, a outros cerca de 60 clientes. Já a Fernando Chinaglia, dona dos outros 30% do mercado, chega a 28 mil pontos-de-venda e responde pela distribuição de 250 empresas, entre as quais a Editora Três e a Editora Globo.


Nenhuma das empresa quis comentar a operação. A Dinap, que faturou R$ 608 milhões em 2006, cobra em torno de 40% e 45% do valor de capa da publicação para distribuí-la na rede varejista. Já a Fernando Chinaglia, que não informou faturamento, cobra em torno de 37% do preço de capa.


O Grupo Abril alega que o objetivo da aquisição é obter uma logística mais eficiente e de menor custo. Em vez de dois caminhões viajarem longas distâncias carregados pela metade, um só fará o serviço. Para algumas editoras, isso poderá resultar em mais eficiência. Mesmo assim, as menores e as segmentadas temem que o monopólio da distribuição reduza seu poder de negociação.


Para Yara Grottera, diretora de marketing da Editora Globo, é de fundamental importância nesse negócio preservar o que chama de ‘certos truques’ que podem estimular vendas em banca. ‘A Revista Época (da Editora Globo) sai antes da Veja (Editora Abril), assim como a Marie Claire (Globo) circula dois dias antes da Claudia (Abril). Isso cria oportunidade de venda no varejo, o que não quero perder’, diz.


Nos últimos tempos, Yara diz que vem registrando expansão para os títulos da Editora Globo com vendas avulsas em supermercados e drogarias, entre outros pontos. ‘A fusão das duas empresas vai fazer com que eu tenha de manter as equipes de marketing mais atentas para não perdermos essas vantagens de vendas.’ Lucia Machado, diretora da divisão de publicações infantis da Globo, reconhece que todas as empresas buscam cortar custos e que a logística é um dos fatores que mais pesam nesse cenário. ‘Para as grandes editoras pode ser ótimo, mas para as pequenas pode ficar mais difícil’.’


 


RENAN E MONICA
Arnaldo Jabor


Mônica nua: triunfo da Vênus do Atraso


‘Esgotou tudo nas bancas. Todo mundo quis ver a Mônica Veloso nua. Qual a razão deste espantoso sucesso? A principal talvez seja porque a única verdade nua e crua que apareceu até agora foi Mônica, em meio a uma caatinga embrenhada de mentiras. Mônica foi o único bem declarado de Calheiros, que apareceu de fato. Até então tínhamos visto bois magros, cheques falsos, açougues suspeitos, frases vagas, envelopes fantasmas, laranjas analfabetos, matadouros remotos; mas, agora não. Este bem ele teve, ali, patente, bonita.


Em revistas de sacanagem, com as mulheres nuas, buscamos nos excitar. Tiazinha (recorde até agora), Feiticeira, eram usadas para nossos vícios secretos. Na nudez de Mônica, não – mais além da excitação, do ‘voyeurismo’, fomos investigar uma nudez ‘política’, como se algum segredo não revelado nos inquéritos ainda pudesse aparecer nos meandros de sua carne.


Também queríamos entender algo sobre Renan, imaginar suas relações de amor. Renan está presente ali, ao lado dela. Como terá ele percorrido aquele corpo? Foi falso, foi verdadeiro? O que houve de sincero, de manipulação?


Notem que nas poses de Mônica há uma discrição não provocativa. Examinando suas fotos, vemos uma sensualidade contida, um sorriso ingênuo, como num coquetel onde ela, estranhamente… estivesse nua. Suas poses buscam uma elegância que faça contraste com o escândalo que a revelou. Ela não quer que nos excitemos; quer que a entendamos. Seu sorriso levemente encabulado pede compreensão para o proveito que, afinal de contas, ela tirou de seu drama. Um detalhe fascinante é o coraçãozinho tatuado em seu bumbum. Em geral, ali se desenham flechas ‘punks’, facas, grafites do diabo… No bumbum de Mônica, há um coração romântico, emanando guirlandas de rosas, quase um sagrado coração religioso.


Alguns românticos devem ter pensado: ‘Sim, para além das maracutaias, há também a mágica milagrosa do amor…’


É inevitável comparar Mônica Veloso a Monica Lewinsky – esta sim que, no mais catastrófico ‘blow job’ da história, mudou o mundo. Clinton cometeu um pecado contra a verdade da pureza protestante. Não se apropriou de nada; ao contrário, não deixou Lewinsky entrar – ela ficou fora de seu corpo. O crime de Clinton, que quase o derrubou, foi a mentira. Renan caiu porque achava (e acha) que agiu dentro da Verdade (sim, de uma ‘verdade’ em que seus aliados acreditam), que agia com plenos e legítimos direitos patrimoniais.


Mônica Veloso fazia parte do patrimônio de Renan, considerado normal e ético, na melhor tradição das oligarquias nordestinas: fazendas, esposa oficial, prédios, simbiose com empreiteiras, milhões guardados e amante bonita.


Renan nos provocava uma fascinação quase invejosa. Há, no brasileiro médio, o sonho voraz de tudo ter, de ter nascido pobre como ele em Muricy e de, apesar de um estágio no PC do B, ter amealhado imensa fortuna. Quantos outros Renans nós invejamos, quando folheamos avidamente Caras e Quem, babando por iates, palácios, carrões, viagens, amantes, quantos?


A verdade é que invejávamos Renan. Renan foi um homem de sucesso. Seu erro foi ter se achado invulnerável. Renan errou porque além de tudo queria também ser considerado honesto. Renan teve erros parecidos com o de Collor, que aliás, ele inventou. Collor errou ao trair a ‘alma do negócio’, que é o segredo. Collor agiu à luz do dia, com seu fiel PC (que hoje seria apenas considerado um cleptomaníaco…). Renan também foi descuidado, confiante em sua impunidade total. Sem dúvida, era querer demais. Além de tudo que amealhou, não dava para desejar perdão, prestígio impoluto, impunidade… Foi demais. E não esqueçamos que ele não fez isso por onipotência ou desmesura (‘hybris’, como diziam os gregos), não. Ao se defender por 150 dias, acreditava realmente em seu direito de fazer tudo que fez, de trabalhar para empreiteiras, de favorecer grupos, de manipular regimentos, de ameaçar políticos. Não há consciência de erro em homens como ele. No mundo dos negócios políticos, no parlamento, muitos deputados e senadores talvez tenham até mais malandragens do que ele. Mas Renan errou ao querer nos fazer engolir tudo como sendo o exercício de legítimos direitos tradicionais, por ter acreditado numa jurisprudência nordestina de que fazem parte até em grau mais grave alguns acusadores de Alagoas e outros Estados próximos. Renan lutou como um herói ideológico para si mesmo e para homens como o Almeida Lima, o Jucá, até o próprio João Lira.


Os pelotões patrimonialistas, os exércitos oligárquicos encaram o Atraso como um desejo, um projeto, uma bandeira. Se a democracia se impuser, se a transparência prevalecer, que será das famílias oligárquicas? Como vão vicejar as fazendas imaginárias, as certidões falsificadas, os rituais das defraudações, as escrituras e contratos superfaturados? Que será da indústria da seca, não só da seca do solo, mas a seca mental, onde a estupidez e a miséria são cultivadas para o serviço da burguesia política?


Mônica Veloso nua é o nascimento de uma Vênus do Atraso, a apoteose triunfal que surge ao final de um processo que vai ficar na História do País como um avanço, um progresso: – apesar da ópera-bufa, já sabemos como funciona a sordidez de nosso processo político oficial, como é difícil modernizar o País.’


 


TROPA DE ELITE
O Estado de S. Paulo


Diretor de ‘Tropa de Elite’ recua e depõe


‘Ao contrário do que havia divulgado na semana passada, o diretor do filme Tropa de Elite, José Padilha, prestou ontem depoimento ao encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga a participação de policiais militares nas filmagens do longa. O depoimento foi em local não divulgado. De acordo com o corregedor da PM, coronel Paulo Ricardo Paúl, o diretor foi intimado a prestar depoimento como ‘testemunha’.’


 


Pedro Dantas


Delegado lança ‘anti-Tropa de Elite’ para desmistificar tráfico


‘‘A ‘guerra contra as drogas’ é o carro-chefe da criminalização da pobreza, através de discursos de lei e ordem disseminados pelo pânico.’ O discurso é de sociólogo, mas seu autor chefia a 52ª Delegacia, de Nova Iguaçu. O delegado Orlando Zaccone, de 43 anos, lança hoje no Rio o livro Acionistas do Nada – Quem são os Traficantes de Drogas, espécie de ‘anti-Tropa de Elite’. Diz que seu objetivo é desmistificar a questão da violência urbana, da política de segurança ao perfil de traficantes, passando pela crítica à imprensa e à ‘cultura do medo’.


Ex-jornalista e ex-adepto da seita Hare Krishna, Zaccone já já comandou sete distritos, tanto na rica Barra da Tijuca como na violenta Baixada Fluminense. Ele denuncia a ‘seletividade punitiva’ no combate às drogas. ‘Em 2005, a polícia fez 63 flagrantes de tráfico na zona sul e Barra da Tijuca, o mesmo número registrado só em São Cristóvão, zona norte. Isto não reflete a realidade. Na Barra, que teve 3 flagrantes, o tráfico acontece em condomínios fechados onde polícia não faz blitz.’


E quem são os traficantes? Zaccone diz que, em sua maioria, os detidos por tráfico no Rio não são violentos nem pertencem a facções. ‘São homens e mulheres pobres, com baixa escolaridade, detidos sem arma, ‘mulas’, que levam drogas de uma favela a outra. Participam da estrutura empresarial do tráfico como ‘acionistas do nada’.’ No livro ele diz que a maioria dos flagrantes é feita com ‘sacoleiros’, em ônibus. Cita o caso de Leila Gomes, de quase 50 anos, presa em 2002 com um tablete de maconha num carro da linha que liga a Favela do Jacaré, zona norte, ao Leblon. Ela ganharia R$ 100 pelo trabalho.


Os ‘soldados do crime’ que ilustram reportagens de arma em punho seriam uma pequena parcela da engrenagem do tráfico. ‘A estigmatização dos traficantes feita pela mídia é um ‘passe livre’ para ações policiais genocidas’, escreve Zaccone. No livro, diz que a idéia de um ‘exército de marginais’, um ‘Estado Paralelo’, é tão fantasiosa ‘quanto a existência de armas químicas no Iraque’.


‘Convencem a audiência que se pode diminuir a violência urbana com o encarceramento dos traficantes’, acusa Zaccone no livro, citando dados oficiais pelos quais o tráfico respondeu por 60% das detenções no Rio em 1998. Para ele, a miséria é a única coisa em comum entre os presos por tráfico. ‘Em 2003 foram 120 mulheres e 1.347 homens no Estado, só 2 com nível superior’, diz. ‘Aos usuários ricos, tratamento médico. Aos traficantes pobres, a cadeia.’


O livro defende penas diferenciadas conforme a atividade que o criminoso exerce no tráfico. ‘A discussão é muito maior do que uma crítica a este ou aquele governo. A Doutrina de Segurança Nacional levou à militarização da segurança. Esta ideologia da época da Guerra Fria acredita que em uma guerra suja vale tudo. Até a tortura.’


O delegado promove cursos de alfabetização e mutirões da Defensoria Pública para os quase 300 detentos que lotam a 52ª DP. Eles têm acesso a livros e a sessões de cinema com debates mediados por Marcelo Yuka, o ex-integrante do grupo Rappa que ficou paraplégico após ser baleado num assalto, em 2000. ‘A polícia deve trabalhar para reduzir a violência e não para o aumento dela. O espaço é inadequado para os presos. Se não trabalharmos para reduzir os danos, isto aqui explode’, diz Zaccone.’


 


IRAQUE
O Estado de S. Paulo


Jornalista morre em emboscada em Kirkuk


‘O jornalista free lance iraquiano Abdel-Razak al-Dibo foi morto ontem no Iraque, um dia após o assassinato de um correspondente do ‘Washington Post’, informou a organização Repórteres Sem Fronteiras. Dibo, de 32 anos, foi morte numa emboscada na cidade petrolífera de Kirkuk, 180 km ao norte de Bagdá. Desde o início da guerra no Iraque, em março de 2003, 205 jornalistas já foram mortos.’


 


INTERNET
Renato Cruz


MySpace chega ao Brasil no mês que vem


‘O MySpace, maior serviço de rede social do mundo, planeja lançar sua operação brasileira no mês que vem. Emerson Calegaretti, que foi o primeiro funcionário brasileiro do Google, ocupa desde setembro o posto de diretor-geral para o País. ‘Existem várias informações que gostaria de compartilhar, mas ainda não posso’, disse Calegaretti. ‘Só poderei falar em duas semanas.’


A chegada do MySpace, que pertence à News Corp., é uma ameaça ao concorrente Orkut, do Google, que não está entre os mais populares nos Estados Unidos e na Europa, mas faz grande sucesso no Brasil e na Índia. Segundo o site Alexa, que acompanha o tráfego da internet, o Orkut é o site mais acessado por internautas brasileiros e o terceiro do ranking entre os indianos.


O jornal Financial Times publicou ontem que o MySpace chegaria ao Brasil, Índia, Polônia e Rússia nos próximos quatro meses. Segundo a ComScore, o MySpace teve 68,4 milhões de visitantes em setembro e o Facebook, segundo maior serviço de rede social, 30,6 milhões. O Orkut recebeu cerca de 24,6 milhões de visitantes, sendo 12,4 milhões da América Latina e 10,4 milhões da região Ásia Pacífico, segundo a Business Week. Somente 600 mil vieram da América do Norte e 1,2 milhão da Europa.


O Facebook também planeja vir ao Brasil. Marjorie Lucich, representante da empresa, disse por correio eletrônico que o Facebook está comprometido com a internacionalização entre o fim deste ano e o começo do próximo, mas que não tem nada a comentar sobre os planos para o Brasil no momento.


Criado em agosto de 2003, o MySpace foi comprado pela News Corp., do magnata australiano Rupert Murdoch, por US$ 580 milhões em julho de 2005. Segundo o Alexa, é o terceiro site mais visitado dos Estados Unidos, depois do Yahoo e do Google. O Facebook está em quinto, depois do YouTube.


O MySpace se transformou num espaço de divulgação para bandas de rock, que podem criar páginas e colocar música nelas, divulgarem seus trabalhos. O grupo inglês Artic Monkeys divulgou seu trabalho no MySpace e em blogs de MP3 e conseguiu que seu CD Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not se tornasse o disco de estréia de vendas mais rápidas da história do Reino Unido.


Mark Zuckerberg, de 23 anos, fundou o Facebook em fevereiro de 2004, quando estudava em Harvard, inicialmente como uma rede social para universitários. O serviço foi aberto para o público em geral no ano passado. Também em 2006, Zuckerberg rejeitou uma oferta de compra de US$ 1 bilhão feita pelo Yahoo.


Segundo a revista Wired, Zuckerberg tem sido comparado com visionários da tecnologia como Bill Gates, da Microsoft, e Steve Jobs, da Apple. Em maio deste ano, o Facebook se transformou em uma plataforma de desenvolvimento para outras empresas. Os programadores podem criar software para ser agregado ao Facebook, aumentando as funcionalidades do serviço. Já foram criadas mais de 3,2 mil aplicações.’


 


REESTRUTURAÇÃO
O Estado de S. Paulo


AOL vai demitir 2 mil empregados


‘A AOL, unidade de internet do grupo de mídia Time Warner, vai demitir 2 mil funcionários como parte de uma reestruturação em curso para melhorar o foco no segmento de publicidade online. Os cortes representam cerca de 20% da força de trabalho global da AOL – que está espalhada em operações nos EUA e na Europa, onde a empresa vendeu seu negócio de conexão à internet. A AOL planeja aumentar seu investimento em áreas de maior crescimento, como o setor de anúncios online, disse o presidente-executivo da AOL, Randy Falco, em comunicado aos empregados.’


 


PAULO AUTRAN
Jefferson Del Rios


Autran: encontro e despedida


‘Visitei Paulo Autran no dia 30 de setembro passado. Quando abriram a porta do apartamento, ele estava lá, sorridente e rosado, sentado em um sofá diante da janela que dá para a Alameda Casa Branca. Minha mulher e eu o beijamos – e ele, apesar da voz frágil, mas firme, começou a falar de fatos cotidianos. Com uma memória perfeita, lembrou-se em detalhes de episódios ocorridos há décadas e perguntou sobre uma nossa parente, antiga colega de geração e de estudos no Externato Elvira Brandão: ‘Como vai a Heleninha?’


Tranqüilamente fumou dois cigarros embora soubesse da gravidade do seu enfisema pulmonar (ao lado estava um tubo de oxigênio verde que destoava no ambiente sofisticado da casa). Contou casos engraçados de colegas do teatro e dos seus tempos de advogado militante durante quatro anos – ‘Fiz de tudo, menos júri, detestava aquilo.’ Teve escritório montado na Rua 15 de Novembro, 200 (o edifício ainda existe) enquanto fazia teatro amador. Com o tempo, seu pai Walter Autran tornou-se sócio do filho e achou um despropósito quando Paulo avisou que fecharia as portas para ser apenas ator. ‘Isso é rabo de saia’, resmungou o Dr.Walter.


Era mesmo, mas as saias de Tônia Carrero no esplendor dos seus 25 anos, que o convidava para protagonista de Um Deus Dormiu lá em Casa, de Guilherme Figueiredo, sua estréia profissional no Teatro Copacabana, Rio de Janeiro. O começo de uma carreira gloriosa que ele usufruiu com alegria, grandeza e elegância.


Nunca fez nada contra sua vontade – mesmo nas poucas peças menos bem-sucedidas. Encenou os clássicos, dos gregos a Shakespeare e Ibsen com o mesmo ‘à vontade’ com que se divertiu na comédia leve Pato com Laranja. Ator do estilo formal franco-italiano estabelecido pelo Teatro Brasileiro de Comédia (1948-64) não teve problemas em atuar – e brilhar – com o barroquismo delirante de Glauber Rocha em Terra em Transe e, nesse nosso último encontro, ele teve a generosidade de dizer que o melhor e menos elogiado desempenho do filme é o de Glauce Rocha, dentro de um elenco masculino que, além dele mesmo, genial, tem Jardel Filho, José Lewgoy, Paulo Gracindo. Só não aderiu ao teatro físico, à nudez gratuita e à escatologia de um período em que o palco achou que podia transformar a realidade constrangendo o público. O tempo lhe daria razão.


Na vida real, ou por trás das cortinas, manteve duas atitudes imutáveis. Discrição quanto à sua vida pessoal e uma permanente solidariedade aos colegas de ofício. Como empresário, sempre pagava bem a seus contratados, aos quais tratava de igual para igual. Quando o iniciante ator Umberto Magnani, recém-casado, comprou seu primeiro apartamento financiado, Paulo foi o avalista. Um dia, em Curitiba, achou que Ivam Cabral – hoje um dos líderes do grupo Os Sátyros – estava muito triste, e perguntou o motivo. Ivam, tímido, desconversou. Dias depois recebeu um cheque e um bilhete de Paulo: ‘Acho que você está precisando de dinheiro’, o que era fato.


Nos anos 80, quando um crítico teatral entrou em quixotesca campanha a deputado estadual, Paulo ofereceu a renda inteira do seu espetáculo à candidatura porque eram anos em que jornalistas, advogados, intelectuais decidiram ir para a política direta (Bete Mendes, Fernando Morais, José Gregori e outros). Obrigado Paulo, não me elegi mas não fiz feio.


Enfrentou a doença com uma altivez assombrosa. Quando teve um enfarto e foi obrigado a colocar safena, nem assim parou de fumar avisando ‘não me amolem, já vivi bem e como gosto, o resto seja o que for’. Tratava as doenças sem alardes. Quando Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, teve câncer no pulmão, aos 38 anos, Paulo o levava a fazer quimioterapia conduzindo um simples fusca (‘Gozado, tive três fusquinhas na vida’, comentou).


No fundo sempre olhou a morte nos olhos, valente. Não a perdoava por lhe ter roubado a mãe aos 35 anos (o que ele descreve de forma impressionante no livro Um Homem no Palco, de Alberto Guzik). Perda que calou fundo no menino de 6 anos. Na entrevista a Guzik não quis mencionar que ela -que já tinha duas filhas e Paulo – morrera de parto junto com o filho. O irmão que ele não teve.


É este o Paulo Autran que saiu de cena na sexta-feira. Um grão senhor bem-humorado (mas sabia brigar, às vezes, e com veemência), o descendente de franceses da cidade de Autran, França, portugueses e irlandeses, bisneto de um Conselheiro do Império. Se a família conservasse todos os sobrenomes, teria se chamado Paulo da Matta e Albuquerque Autran. Mas foi sempre o nosso Paulo e nesta hora – sim – é preciso voltar a uma fala de Shakespeare, ao reverenciar seu talento e estatura humana, e dizer: ‘Boa noite, doce Príncipe.’’


 


ASSINANTES PROTEGIDOS
Keila Jimenez


TV paga sem abusos


‘Para quem está cansado de brigar com o serviço de atendimento da TV paga, um alento: a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou um Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes. Em vigor a partir de 2008, a regulamentação, que promete atingir a todos os clientes do serviço – cerca de 5 milhões – prevê, entre outras coisas, que o usuário receba, em dobro e em dinheiro, as quantias pagas em decorrência de cobrança indevida feita pelas operadoras.


As novas regras, que pretendem proteger os assinantes de alguns abusos, também determinam que qualquer valor diferente do acordado em contrato deverá ser previamente informado ao assinante. O regulamento permite contratar serviços de terceiros para a manutenção interna da rede, além de exigir que seja gratuito o acesso telefônico à central de atendimento das operadoras para reclamações.


Em caso de interrupção do serviço superior a 30 minutos, a operadora deverá abater o valor proporcional na conta. O regulamento prevê ainda que o usuário possa pedir a suspensão do serviço de 30 a 120 dias sem ônus, uma vez ao ano.’


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 16 de outubro de 2007


NOBEL DA PAZ
Folha de S. Paulo


Apesar de Bush


‘HÁ VÁRIAS maneiras de interpretar a decisão do Comitê Norueguês do Nobel de premiar o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla inglesa) com o laurel da Paz.


Numa leitura imediatista, trata-se de mais um ataque a George Bush. Há sete anos no poder, já recebeu três premiações que podem ser interpretadas como hostis à sua doutrina. A primeira vez foi em 2002, com a indicação do ex-presidente democrata Jimmy Carter, severo crítico da atual gestão. Na ocasião, o presidente do Comitê Norueguês, Gunnar Berge foi explícito e disse que o galardão representava um ‘chute na canela’ de Bush.


Em 2005 foi a vez de a Agência Internacional de Energia Atômica e seu chefe, Mohamed El Baradei, serem agraciados. El Baradei entrou em rota de colisão com Bush várias vezes e contestou os dados apresentados pelos EUA para invadir o Iraque.


Al Gore completa o ciclo. Trata-se, enfim, do homem que disputou com Bush a célebre eleição de 2000, que acabou sendo definida não pelo voto, mas por decisão da Suprema Corte.


Numa hermenêutica mais generosa, o comitê deu o prêmio a Gore e ao IPCC porque eles o merecem. O aquecimento atmosférico compromete recursos naturais e deflagra movimentos migratórios, o que atiça conflitos. Um dos mais sangrentos atualmente em curso, o de Darfur (Sudão), tem origem na disputa por terras semidesérticas.


Sob essa perspectiva, Bush deixa de ser importante. Ele já está com data marcada para deixar o cargo (20/1/2009), e seu sucessor será obrigado a colocar a questão ambiental no centro da campanha. Essa tendência, que já era forte, fica magnificada pela premiação de Gore.


Apesar de Bush, a mudança climática entrou definitivamente na agenda mundial.’


 


RENAN E MONICA
Carlos Heitor Cony


Aproveitando a confusão


‘RIO DE JANEIRO – Velho filme de Jerry Lewis terminava com uma cena caótica, ninguém se entendendo com ninguém, ofensas pra lá e pra cá, gente rolando no chão aos socos e pontapés, garrafas e cadeiras voando. O personagem de Jerry se arrasta até a mocinha que pretende namorar, leva-a para o carro e explica: ‘De uma confusão sempre se aproveita alguma coisa’.


A paisagem nacional está parecendo esse filme, ou melhor, qualquer filme que tenha muita confusão. Como sempre acontece na vida real, o caos é maior do que na ficção -e mais imprevisível.


O rififi começou meses atrás, com a revelação de uma moça que se transformara em gestante por obra e graça de um senador de República. Até aí, nada demais, faz parte do plano da Criação: ‘crescei e multiplicai-vos’. Acontece que entrou muita areia na concepção da nova cidadã brasileira: empreiteiras, bois, questões do fisco -uma embrulhada que ainda não acabou.


Mas de toda a confusão sempre se pode aproveitar alguma coisa. A foto da ex-gestante, produzida e retocada por mil avanços tecnológicos, está agora disponível não apenas para o seleto grupo dos pais da pátria mas para a plebe rude, para os adolescentes do ensino médio, para a esfomeada população dos presídios de segurança máxima. Todos poderão, por módico preço e sem necessidade de usar preservativos, deliciarem-se sem necessidade de serem submetidos à Comissão de Ética do Senado, sem contratar advogados e sem aturar a turma da imprensa que se esbofa para informar a sociedade sobre como tudo começou.


E tem mais: além de bonita, a ex-gestante é articulada, pretende escrever livros e atuar na imprensa, na TV e no rádio. Ganhamos uma profissional multimídia e muito aproveitaremos de sua experiência de vida.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Colheita da vergonha


‘Saiu antes no Google, que agora tem acordo com a Associated Press e outras, e depois nos sites de ‘New York Times’ etc., ‘Organização Mundial do Comércio decide contra os EUA nos subsídios ao algodão’. Foi ‘uma vitória maior para o Brasil’, autor da ação, ‘e os países da África’. Não demorou e o governo dos EUA se pronunciou ‘muito desapontado’. Mais um pouco e o brasileiro reagiu se declarando ‘muito satisfeito’. Por aqui, foi a manchete no site da Reuters Brasil; nos demais, o destaque foi o quinto processo de Renan.


A decisão foi precedida ontem por longo editorial do ‘Wall Street Journal’, ‘Cotton club’, e longo artigo no mesmo ‘NYT’, ‘Colheita da vergonha’ -ambos de ataque aos subsídios e ao lobby dos fazendeiros.


E A DEMOCRACIA?


Por aqui, da pouca atenção nos sites às escaladas na TV, a única notícia do primeiro dia da viagem de Lula à África, em Burkina Faso, de economia voltada ao algodão, foi CPMF.


Ao fundo, da blogosfera à BBC original, destaque para a ditadura vigente há décadas -e aos ‘enormes castiçais’ no palácio do ditador Blaise Comparoé, de Burkina. Lula até defendeu a democracia, mas avisando para ‘ter em conta a palavra mágica, paz’.


BUSH LIGOU


‘Porta-vozes do mundo em desenvolvimento’, segundo a France Presse, a trinca Índia, Brasil e África do Sul segue sob pressão para ceder na Rodada Doha. Seu encontro, que encerra a viagem de Lula, seria a ‘esperança’ dos EUA.


Na manchete do site ‘The Hindu’, ontem, ‘Bush ligou para o primeiro-ministro’ indiano para abordar Doha -e o acordo nuclear bilateral que foi posto em suspenso, sem aviso, pelos indianos.


PARA QUÊ?


Robert Zoellick, o americano ‘sub do sub do sub’ que hoje preside o Banco Mundial, segue em blitz de mídia, com declarações para ‘Financial Times’, ‘WSJ’ e outros, sempre sublinhando a opção pelos pobres. Para a África, prometeu ‘revolução verde’. E ontem veio o ‘New York Times’ e destacou que o ‘Banco Mundial negligencia a agricultura africana, diz estudo’ da própria instituição.


No próximo final de semana, os enviados de 185 países baixam em Washington para a reunião anual do banco e do FMI, dirigidos por EUA e Europa. A pergunta no ar, segundo o ‘WSJ’: ‘O mundo precisa de algum dos dois?’.


COMPRADORES


Sob o título ‘Compradores comprados’, o ‘El País’, em meio às seguidas aquisições espanholas por aqui, destacou que agora são ‘cada vez mais numerosas as empresas de emergentes como o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, que crescem à base de comprar as companhias ocidentais’.


VALE E PETROBRAS


De um lado, a Veja On-line deu o ‘CVRD Day’ em Wall Street. A Vale abriu projetos, divulgou investimentos e ‘bateu o martelo’ no pregão.


De outro, sites externos do setor deram que a Petrobras iniciou produção de petróleo ‘leve, de excelente qualidade, a 44º API’, no Nordeste.


BOLSA-FAMÍLIA À CHINESA


Em artigo ontem no estatal ‘China Daily’, um dos editores escreveu que o congresso do PC abriu com o país ‘no caminho certo para conter a desigualdade social’, que aumenta sem parar. O texto se concentra no ‘Sistema Dibao’ -que na ‘essência é similar ao Bolsa-Família, um plano governamental imensamente popular no Brasil’ e que ‘inspira esperança para a China’ pelos resultados.


Por outro lado, o texto termina afirmando que, ‘mais importante, as duas economias emergentes estabeleceram o paradigma alternativo de desenvolvimento que mostra que mais reforma não tem que significar menos estado’.’


 


CHINA
Claudia Trevisan


Sob o espectro da Olimpíada, governo redobra censura e vigilância de ativistas


‘Como sempre ocorre nos grandes eventos políticos de Pequim, o governo chinês reforçou a censura à imprensa e à internet e a repressão aos dissidentes na véspera do 17º Congresso do Partido Comunista, o mais importante encontro dos últimos cinco anos.


Desta vez, o temor de manifestações contrárias ao governo é reforçado pela Olimpíada de 2008, a ser realizada em Pequim. Entidades de defesa dos direitos humanos questionam a realização do evento no país, em razão da ausência de democracia.


Os dissidentes políticos passaram a ser vigiados de perto pela polícia nos últimos dias, com viaturas nas portas de suas casas todo o tempo. O governo chinês não quer correr o risco de ver protestos durante o congresso nem ser pego de surpresa como em agosto, quando um grupo abriu uma enorme faixa na Muralha da China em defesa da independência do Tibete.


Os movimentos separatistas nas regiões oeste estão entre as principais preocupações do Partido Comunista, que não admite questionamentos da unidade territorial chinesa.


Além do Tibete, outro foco de separatismo é a Província de Xinjiang, habitada sobretudo por muçulmanos uigures. O secretário do Partido Comunista na região, Wang Lequan, afirmou ontem em um intervalo das reuniões do congresso que as forças de segurança estão em ‘alerta máximo’ em relação a movimentos separatistas.


‘Há forças estrangeiras conspirando com pessoas domesticamente’, disse Wang. ‘Se alguém ousar promover sabotagem ou tentar dividir o país, sem dúvida reprimiremos.’’


 


TROPA DE ELITE
Folha de S. Paulo


Intimar diretor é ‘tupiniquim’, diz Sérgio Cabral


‘O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), voltou ontem a criticar a intimação, pela Corregedoria da PM, do cineasta José Padilha e do escritor e ex-PM Rodrigo Pimentel, roteirista do filme ‘Tropa de Elite’.


Cabral definiu a intimação com ‘uma bobagem, uma visão absolutamente tupiniquim e atrasada’.


Mais uma vez, o corregedor da PM, coronel Paulo Roberto Paúl, recusou-se a comentar as declarações do governador.’


 


OUTRO CANAL
Daniel Castro


Apologia da fé é pior do que sexo, diz bispo


‘Dono da TV Record, a rede que promete um dia destronar a Globo, e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Edir Macedo afirma que tolera cenas de sexo e com palavrões em novelas ‘realistas’.


‘Não gosto das apelações do sexo, palavrões. Mas admito que, quando se procura trazer a realidade, isso é inevitável. O pior é quando se faz apologia religiosa’, disse em entrevista à Folha, por e-mail. Auxiliares de Macedo sempre criticaram o ‘merchandising’ da Igreja Católica nas novelas da Globo.


Macedo conta que vê poucas novelas, até porque passa a maior parte do tempo fora do Brasil. ‘[Assisto] quando tenho tempo. Aprecio muito a criatividade de alguns autores e o talento de alguns atores’. Na TV, ‘como qualquer cidadão que usa a razão’, prefere ‘jornalismo de credibilidade’.


O bispo diz que a Igreja Universal (Iurd) jamais deixará de ocupar as madrugadas da Record, porque ‘a Iurd sempre vai precisar da Record, bem como de qualquer outra emissora que se disponha a vender espaços para ela’.


É por meio da programação das madrugadas que a igreja injeta recursos na Record, turbinando seu crescimento. No ano passado, a Universal pagou mais de R$ 250 milhões pelo espaço, proporcionalmente mais caro do que em qualquer outra rede. O valor equivale a mais de 25% do que a Record diz ter faturado no ano.


DIGITAL 1


As operadoras de TV a cabo que já tiverem plataformas digitais serão obrigadas a transmitir as TVs abertas digitais, a partir de dezembro. Se todas as redes irradiarem em alta definição, elas terão que carregar esse sinal, que ocupa o espaço de mais de quatro canais convencionais, sem distinção. As operadoras via satélite e MMDS não se enquadram.


DIGITAL 2


O entendimento é de Ara Apkar Minassian, superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, em resposta a questionamento da Band.


OUTROS TEMPOS


O programa de Raul Gil, que já foi o terror de Luciano Huck nas tardes de sábado, quando estava na Record, hoje não passa dos três pontos na Band.


HORÁRIO NOBRE


Exibido anteontem depois das 21h40, por causa do jogo da seleção, o ‘Fantástico’ deu 29 pontos _uma de suas melhores atuações no semestre. Colômbia x Brasil rendeu 31 pontos.


TEMPERO 1


‘Eu prometo: ‘Duas Caras’ vai bombar [nesta semana]!’, era o título de nota no blog de Aguinaldo Silva, ontem.


TEMPERO 2


O autor da novela da Globo, que começou mal no Ibope, tinha essa convicção baseado no sofrimento da personagem de Renata Sorrah e no ‘Romeu e Julieta pós-moderno’ entre Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella): ‘um romance que mistura racismo e luta de classes, bem ao gosto dos sociólogos petistas e sua incansável legião de seguidores’.’


 


ANIME
Marco Aurélio Canônico


MTV exibe o divertido ‘Desert Punk’


‘A MTV, que já foi casa de animações célebres (‘Liquid Television’, ‘Beavis e Butthead’), voltou a exibir um pouco de sua velha forma recentemente, com a estréia do anime (como são conhecidos os desenhos japoneses) ‘Desert Punk’, série de 24 episódios produzida pelo estúdio Gonzo.


Baseada nos mangás de Usune Masatoshi, a série se passa no deserto de Kanto, em um Japão pós-apocalíptico cheio de mercenários, onde é cada um por si, e três regras estão em vigência: faça o trabalho, pegue a grana, repita.


Como é comum nos animes, ‘Desert Punk’ tem um tom bem-humorado, oscilando entre o humor negro e o francamente insano. Nos 12 primeiros episódios, o protagonista é Kanta Mizuno, o tal ‘rebelde do deserto’ que dá título à série, um hilário anti-herói baixinho, obcecado por mulheres com peitões, mas célebre por sempre completar a missão para a qual foi pago. Ao longo dos episódios, vai encontrar Kosuna, que se tornará sua aprendiz e, eventualmente, protagonista da série.


Por sua qualidade e bom humor, ‘Desert Punk’ é uma boa introdução para os que têm preconceito contra os animes.


E a MTV ainda faz o grande favor de exibir o desenho com áudio original em japonês (e legendas em português).’


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